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Saúde e dependências Imigrantes menos saudáveis do que suíços



A fundação Beges visa integrar melhor os imigrantes aos serviços de promoção da saúde e prevenção de dependências.

A fundação Beges visa integrar melhor os imigrantes aos serviços de promoção da saúde e prevenção de dependências.

(swissinfo.ch)

O estado de saúde dos imigrantes na Suíça é muitas vezes pior do que o da população nativa. Uma fundação do cantão de Berna procura melhorar o acesso dos imigrantes aos serviços de aconselhamento e sensibilizar os profissionais da área de saúde ao multiculturalismo.

Em 2004 e 2010 foram realizadas pesquisas com os imigrantes da Suíça para aprofundar o conhecimento sobre o seu estado de saúde e o comportamento deles com relação à saúde e à utilização dos serviços de saúde.

Os resultados revelaram desigualdades evidentes entre a população nativa e os imigrantes, principalmente os portugueses. Em muitos casos, o estado de saúde física e mental dos entrevistados, se revelou pior do que o da população nativa.

Batizado de “Vitamina T”, um projeto realizado pela fundação Berner Gesundheit (Beges), do cantão de Berna, visa integrar melhor os imigrantes aos serviços de promoção da saúde e prevenção de dependências. A brasileira Anna Paula Sardenberg colaborou com o projeto e explica à swissinfo.ch como a “vitamina T”, T de "transcultural", é necessária para uma sociedade multicultural saudável.

swissinfo.ch: Há uma diferença no estado de saúde dos imigrantes, por exemplo portugueses, em relação aos suíços?

Anna Paula Sardenberg: Os resultados do segundo Monitoramento da Saúde da População Imigrante na Suíça (GMM II, 2010) mostra que sim. Em geral os imigrantes se sentem menos saudáveis que a população nativa suíça. No caso específico dos portugueses pôde-se obter algumas informações importantes.

Apesar de mais de 90% deles terem um médico de família (clínico geral) na Suíça, a troca de médicos é alta e a confiança no profissional da saúde é mais baixa, comparada com os suíços.

Em comparação com a população nativa, os portugueses tiveram que limitar ou abandonar mais o trabalho em consequencia de sofrimento físico ou emocional. Não se pode esquecer que os portugueses exercem mais “profissões de risco” que os suíços como por exemplo no trabalho de limpeza, construção e restauração.

O consumo diário de álcool é maior entre os portugueses (38%) do que entre outras nacionalidades (19%)  pesquisadas pelo GMM 2010. Em relação ao consumo de drogas e cirgarro, os portugueses não se diferenciam da população nativa.

Por outro lado chama a atenção o tema da contracepção. Uma pesquisa feita entre 1999 e 2002 no Cantão de Vaud (oeste) mostra que as portuguesas foram o terceiro maior grupo de jovens que fizeram aborto. Esse fato pode refletir, por um lado, a falta de informação e, por outro, a falta de possibilidade de diálogo em casa.

swissinfo.ch: Quais são os problemas de saúde que os imigrantes mais sofrem?

APS: De modo geral, o GMM II 2010 revela os seguintes fatores que influenciam positivamente o bem estar do imigrante: educação escolar, apoio de uma rede de amigos, ter trabalho remunerado, o domínio da língua local. A discriminação influencia negativamente o bem estar dos imigrantes e imigrantes idosos sentem-se menos saudáveis que idosos suíços.

swissinfo.ch: Quando é que um comportamento social (beber, fumar, jogar, etc) normal passa a ser um problema?

APS: Acontece as vezes observarmos comportamentos problemáticos ligados ao vício em outras pessoas ou em nós mesmos. O uso de substâncias não leva necessáriamente ao abuso. Mas pode levar. Sabe-se que pessoas expostas a fatores de risco tem mais tendência à dependência. Estes fatores podem ser uma baixa auto-estima, relacionamento conflituoso em casa, isolamento social, convivência com pais dependentes, influência do grupo, falta de recursos pessoais para lidar com o stress mas também falhas estruturais com por exemplo o acesso facilitado ou o desemprego.

Várias substâncias ou comportamentos podem levar à dependencia: álcool, drogas, cigarro mas também o jogo a dinheiro, jogos no computador, uso da pornografia, gastos em excesso, etc. Se fala de dependência quando se perde a capacidade de definir livemente o grau do consumo, quando se nota sintomas de abstinência, quando o corpo começa a adoecer por causa do consumo escessivo, quando as relações socias, familiares e de trabalho se tornam menos importante que o consumo.

swissinfo.ch: Como esses problemas podem ser solucionados?

APS: A prevenção se empenha em estimular os chamados fatores de proteção ao vício. Os fatores de proteção são aquelas características que reduzem a probalilidade do comportamento de risco. Isso quer dizer que as instituições como o Berner Gesundheit se empenham em desenvolver cursos e projetos que aumentem o bem estar pessoal, a auto-estima, a habilidade de lidar com problemas de forma construtiva, etc. No caso específico do imigrante acrescenta-se o aprendizado da língua local, o atendimento sempre que necessário na língua materna ou o acesso facilitado a traduções orais e escritas como fatores de proteção à saúde.

O Berner Gesundheit se preocupa também em formar os pais para que eles fomentem esses fatores de proteção em seus filhos. A informação em geral e sobre os riscos e consequências do consumo abusivo e da dependência também faz parte da prevenção. A fundação oferece aconselhamento individual, em famíla ou em grupo para o controle do consumo (alcool, cigarro, compras, jogo a dinheiro, etc), quando se percebe que o esposo está bebendo em excesso, quando se precisa de ajuda para estabelecer limites para o jogo do computador dos filhos, quando há mobbing no trabalho ou escola, para saber como falar com os filhos sobre temas específicos como por exemplo a sexualidade, etc.

swissinfo.ch: Como os imigrantes são atendidos se não falam o idioma local?

APS: O GMM 10 mostra que um grande grupo de imigrantes tem dificuldades de se fazer entender numa consulta médica e um grande grupo também tem dificuldades de entender o médico. Somente 12% de pessoas de origem portuguesa usam um serviço de tradução em consultas médicas. Poucas instituições de saúde se empenham em ter em seu quadro médico e de enfermagem profissionais que dominam as diversas línguas faladas por seus pacientes. Mas algumas oferecem um serviço de tradução profissonal. Como por exemplo o Berner Gesundheit.

A Carta dos Direitos do Patiente na Suíça (Schweizer Patienten-Charta, 2005) define como direito do paciente receber informações de forma que ele as entenda. A Secretaria Federal da Saúde (BAG, na sigla em alemão) criou um serviço de informações sobre saúde com folhetos informativos sobre os mais diversos temas em 9 línguas, inclusive português. Grande parte deste material pode ser pedido de graça ou por um baixo custo (ver link migesplus).

swissinfo.ch: Existem campanhas de prevenção específicas para uma comunidade?

APS: Específiamente para imigrantes é essencial levar às suas comunidades as informações citadas acima. O projeto Vitamina T do Berner Gesundheit trabalha com multiplicadores das diversas comunidades estrangeiras no cantão de Berna. O trabalho destes multiplicadores é remunerado como forma de reconhecer o papel importante que eles exercem na promoção da saúde. Nem todos sabem que os serviços oferecidos pelo Berner Gesundheit são gratuitos pois são financiados pelos nossos impostos. Havendo necessidade de tradução, este custo também é assumido pela fundação.

Anna Paula Sanderberg

Anna Paula Sardenberg é brasileira de Manhumirim-MG e mora na Suíça desde 1992. Antes de vir para a Suíça terminou seus estudos em psicologia.

Em Berna trabalhou em vários projetos na área de migração e integração. Em 2010 decidiu fazer uma segunda formação profissional e iniciou o curso superior de enfermagem na Berner Fachhochschule.

O estágio na fundação

Berner Gesundheit

faz parte desta formação pois a saúde pública é tema integrante do currículo de seu curso. Durante as seis semanas de estágio no

Berner Gesundheit

Anna Paula teve oportunidade de atuar no projeto

Vitamina T

.

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