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Soldados poderão manter armas em casa

Quase 1,5 milhão de pessoas votaram "não" e 1.083 votaram "oui".

(Keystone)

Os eleitores suíços rejeitaram domingo por 56,3%, em plebiscito, uma iniciativa que pretendia proibir que os soldados do exército suíço guardassem em casa as armas militares, como fazem habitualmente.

O projeto divide os centros urbanos e a Suíça francesa, que votaram a favor, e os estados (cantões) rurais na Suíça alemã e a Suíça de língua italiana.








Somente seis estados (cantões) votaram a favor da iniciativa “pela proteção frente à violência dos armas”, proposta por partidos de esquerda e meios pacifistas. Vinte estados votaram contra. A participação foi de 49%.

Para ser aprovada, uma iniciativa popular precisa ter duas maiorias: dos estados e do povo, que também a rejeitou por 56,3%.

 Os resultados definitivos demonstram que os pequenos estados da Suíça Central e Oriental, reputados por seu apego aos valores tradicionais, são os que rejeitaram mais claramente a iniciativa.

Appenzell foi o campeão da rejeição a 72,3%, Obwald a 71,9%, Schwyz s 70,9%, Uri à 70,6% Glaris s 69,8%. O Ticino, (sul, de língua italiana) votou contra a 63,5%.

Votaram a favor da iniciativa, Genebra (61,1%) , Vaud (53,7%), Neuchâtel (53,2%), Jura (52%),  Basileia (58,9%) e Zurique (50,4%).

“Há uma divisão clara entre as cidades, mais favoráveis à iniciativa, e os estados mais rurais onde a maioria votou contra”, explica Claude Longchamp, diretor do instituto de sondagem gfs.berna. 

Diferenciação
 
Para a deputada federal do Partido Liberal Radical (PLR), Silvie Perrinjaquet, membro do comitê contra a iniciativa das armas, os eleitores souberam diferenciar entre a violência doméstica e a interdição das armas. “Todo suíço se sente concernido pela arma em casa.”

As últimas semanas e os últimos dias foram decisivos, segundo a deputada. Os adversários da iniciativa (partidos de direita), conseguiram explicar aos eleitores “o que mudaria se a iniciativa fosse aprovada, principalmente na questão da violência doméstica”, enfatizada pelos autores da iniciativa.  

Para o deputado federal do Partido do Povo Suíço (UDC, na sigla em francês), maior partido do país, “o povo suíço não se deixa desarmar”. Copresidente, do comitê contra a iniciativa, comemora o resultado claro. Isso demonstra que existe na Suíça uma tradição acerca das armas e uma confiança no povo.
 
O presidente do Partido do Povo Suíço, Toni Brunner, lamenta que a iniciativa já provocou um maior rigor na legislação sobre as armas. “O resultado é um limite. A arma militar e a munição fazem parte do soldado”, declara.

 “Maturidade do povo” 

O presidente do Partido Democrata Cristão (PDC) diz ficar aliviado pela “rejeição clara”. Christophe Darbellay reconhece ter vivido uma campanha difícil, pois ele próprio é  caçador, atirador e presidente da Festa Federal de Tiro 2015.

O PDC está satisfeito da “maturidade do povo suíço” que “não se deixou enganar pelos argumentos emocionais da esquerda”, acrescenta  Christophe Darbellay.

Ao rejeitar a iniciativa, o povo suíço se pronunciou pela responsabilidade individual e contra a burocracia do Estado, afirma Fulvio Pelli, presidente do Partido Liberal Radical (PLR). 

A rejeição da iniciativa é saudada também pela Sociedade Suíça de Oficiais. Para seu presidente Hans Schatzmann, é um voto “a favor do mundo do tiro na Suíça”. Para a presidente da Federação Esportiva de Tiro, Dora Andres, a clara rejeição da iniciativa expressa a confiança do povo nos atiradores e caçadores

 

Saúde públca

Do lado oposto, a Federação dos Médicos Suíços (FMH) lamenta o resultado, pois ela a considerava como importante para a saúde publica. Porém, o presidente da FMH, Jaques de Haller, pensa  que as mentalidades precisam de tempo para evoluir.  

O deputado federal do Jo Lang, do Partido Verde, diz que não foi possível mobilizar as populações das cidades e das regiões rurais.  Diz ainda que, aparentemente, os homens compareceram mais às urnas do que as mulheres, o que também pode ter influenciado o resultado.

Apesar do voto negativo à iniciativa, a Associação das Sociedades Femininas Suíças Aliança F, considera que o debate sensibilizou a opinião pública do fato que “as mulheres são ameaçadas pela arma no armário”, afirma Rosmarie Zapfl. Para ela, o resultado é explicado pela forte presença dos adversários na campanha.

O Grupo pela Suíça sem Exército (GSSA)  atribui a rejeição da iniciativa ao orçamento dos adversários, segundo ele, dez vezes superior. O grupo denuncia uma “ligação viciosa entre as armas e a dignidade masculina”, feita pelos adversários. 

 

Debate emocional

O Partido Socialista Suíço (PS) denuncia o debate emocional em torno dos valores suíços e do exército, praticado pelos adversários da iniciativa. O vice-presidente do PS, Stéphane Rossini, diz que campo do “não” negou o fenômeno dos suicídios com armas militares e a violência das armas, desviando o debate para a responsabilidade individual.

O presidente do OS, Christian Levrat, considera que o resultado do voto é “relativamente bom”, pois a iniciativa já deu resultados concretos importantes: obrigação de depositar a munição nos quartéis, revisão da lei das armas, possibilidade de deixar a arma no quartel. 

Por sua vez, a Anistia Internacional julga que “a Suíça perdeu uma ocasião de ter um papel pioneiro no cenário internacional, criando um registro central de armas (como queria a iniciativa), exigência do futuro tratado internacional sobre o comércio de armas.” Segundo Manon Schik, diretora da seção suíça da AI, a “futura ratificação desse tratado por nosso país já está comprometida.”

Suíços do estrangeiro

Os suíços do estrangeiro votaram de maneira menos clara do que os concidadãos do país, na iniciativa sobre a violência das armas. É o que indica uma pequena análise de swissinfo.ch em oito estados (cantões).

Nos estados de Lucerna, Argóvia e Appenzel, os suíços do estrangeiro votaram ao contrário da maioria do estado.  AP:  (50,5% de «sim» entre os suíços do estrangeiro, 27,7% para a população local / AG: 51,4% e 38,6% / LU: 52,7% e 40,08%).

Uma maioria de “não” foi registrada nos estados de St-Gallen e Turgóvia, mas nos casos os resultados são mais apertados entre os suíços do estrangeiro (SG: 51,4% de “não” contra 60,8% de “não” para os residentes, TG: 51,8% conta 65,5%).

Nos estados de Basileia, Genebra e Vaud, a diferença é insignificante. Os suíços do estrangeiro votaram “sim”, como a população desses estados. 

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swissinfo.ch com agências

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