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O economista que ganhou o prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, em entrevista realizada 13 de setembro de 2016

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Os paraísos fiscais deveriam ser considerados como "portadores de uma doença perigosa" e serem postos em "quarentena" pela comunidade internacional, afirma um relatório divulgado nesta terça-feira pelo prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz e pelo especialista anticorrupção Mark Pieth.

"Os reguladores americano e europeu deveriam tratar os paraísos fiscais como os portadores de uma doença perigosa. Sem controle, pode propagar-se como um vírus violento", escrevem no relatório em que apontam a "quarentena" como solução.

Segundo ambos os autores, Europa e Estados Unidos, "como líderes econômicos", devem liderar a luta contra essas "jurisdições que prejudicam as normas mundiais em matéria de transparência financeira e de empresas.

"Os paraísos fiscais servem de centros para a evasão fiscal ou facilitar da maneira que for a corrupção ou as atividades ilícitas, atuam como parasitas e deveriam ser isolados da comunidade financeira mundial", apontam.

Stiglitz e Pieth faziam parte de um comitê de especialistas independentes criado pelo governo panamenho após o escândalo do Panama Papers, mas se demitiram em agosto, alegando "diferentes pontos de vista sobre a transparência" de seu trabalho, que eles desejavam que se tornasse público.

Entre suas propostas apresentam a possibilidade de considerar "ilegal" que um banco estabeleça relações com paraísos fiscais, ou que se atue contra os intermediários, como "os escritórios de advogados" que desempenham um papel importante papel na construção de sistema financeiro pouco transparente.

Eles pedem ainda que se reforce a proteção dos reveladores de documentos sigilosos, como Julian Assange e Edward Snowden, e que identifiquem os verdadeiros beneficiários das empresas e das contas offshore.

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