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Suíça quer proibir pitbulls depois de tragédia

Governo federal se diz "consternado" pela morte de um garoto de seis anos por três pitbulls e exige leis mais duras contra raças perigosas.

O incidente ocorreu na semana passada, quando Suleyman caminhava em direção ao jardim-de-infância e foi atacado pelos cachorros que haviam escapado do seu cercado.

Centenas de pessoas, incluindo também muitas crianças, participaram na última sexta-feira (2.12) da manifestação silenciosa organizada no local onde o pequeno Suleyman, seis anos, foi morto pelas mandíbulas de três pitbulls.

Inúmeras velas foram acesas em solidariedade à vítima e seus familiares. Os manifestantes também exigiam medidas severas de prevenção. Aos jornalistas presentes em Oberglatt, um vilarejo localizado nas proximidades de Zurique, os habitantes falaram da sua cólera e pesar.

Proibição

Durante um conferência telefônica com o Departamento Federal de Veterinária (OVF, na sigla em alemão), os veterinários cantonais decidiram apresentar um catálogo de medidas jurídicas e técnicas para evitar uma nova tragédia. Nas próximas semanas, diretores de polícia e justiça de todo o país estarão negociando com representantes da Sociedade Cinológica Suíça (SCS).

- A importação, propriedade e criação de raças perigosas de cães podem ser restritas e seus autores obrigados a solicitar uma autorização especial - afirma o diretor da OVF, Hans Wyss.

A Lei de proteção aos animais, atualmente em debate no Parlamento federal, deve dar uma base jurídica para as novas medidas.

Uma delas será provavelmente a obrigatoriedade do registro genético de cães até 2006. Porém especialistas como Marcel Falk põe em dúvida a classificação de raças pela sua periculosidade. Assim como em outros países europeus, também a Suíça adota critérios para julgar determinadas raças como perigosas, dentre elas os pastores-alemães, pitbulls, rottweiler e outros.

Na opinião de Falk, muito mais importante do que a raça é a forma como um cão é criado.

- Os pitbulls normalmente são escolhidos por pessoas que não são capazes de ter um cão em casa. Na realidade, não existe uma raça que não possa ser educada para viver em sociedade.

Homicídio por negligência

Ainda na sexta-feira, as autoridades cantonais de Zurique anunciavam a abertura de um processo penal por homicídio contra o proprietário dos três cachorros assassinos, sua amiga e o proprietário do apartamento de onde eles escaparam.

Investigações já realizadas permitiram descobrir que os seis pitbulls dessa pessoa nasceram na residência da sua mãe na Itália. Essa senhora de 78 anos os prendia "em condições que seriam passíveis de condenação na Suíça" como explica um juiz. Os cachorros teriam várias cicatrizes e permaneceram presos por dez meses, sem ter a possibilidade de sair.

Na quinta-feira passada (1.12), a mãe estava visitando uma conhecida em Oberglatt. Como os cães haviam sujado o apartamento do amigo do proprietário, os dois os prenderam numa varanda enquanto retiravam as fezes. Nesse momento, três dos seis pitbulls escaparam e encontraram na rua a criança turca que estava à caminho da escola.

O proprietário dos cães, que não tem domicílio fixo em Zurique, já era conhecido da polícia. Em abril de 2005, uma patrulha foi obrigada a intervir depois que dois pitbulls haviam escapado sem, porém, ameaçar ninguém.

Criadores cépticos em relação a novas leis

Após o drama ocorrido em Oberglatt, a Sociedade Cinológica da Suíça estima que o problema dos cães potencialmente perigosos não pode ser gerido por novas leis, proibições ou outras formas de restrição. Na opinião dos seus membros, é necessário responsabilizar os proprietários.

- Um criador afiliado à nossa organização não iria vender um animal a qualquer pessoa. Em primeiro lugar ele controlaria a forma com que o futuro proprietário vai cuidar dos cães, o espaço oferecido a eles e outras condições - explica o presidente da SCS, Peter Rub, que admite por outro lado que apenas 1/4 dos 480 mil cães que vivem na Suíça sejam originados de criadores registrados na associação.

A grande maioria dos cachorros comprados por famílias vem de criações "clandestinas". Esse é o caso dos pitbulls terriers americanos, que não são uma raça reconhecida pela SCS, pois ela não corresponde "às regras de cinologia controlada", como explica Rub.

- Seis pitbulls vivendo juntos naquelas condições eram uma matilha incontrolável. Isso é irresponsável e incompreensível para um criador como eu - conclui.

swissinfo com agências

Fatos

Segundo uma pesquisa do Departamento Federal de Veterinária realizada em 2002, 13 mil pessoas são mordidas anualmente por cães na Suíça.
Em 24% dos casos, a vítima foi mordida pelo seu próprio cachorro; em 34% dos casos por um cão que ela conhece e em 42% dos casos por um animal desconhecido.
Antes da tragédia de Oberglatt, o único caso mortal atribuído a um cão ocorreu no ano 2000 em Zurique. No caso, uma mulher havia se jogado no rio Lilmmat ao cruzar com um cão escapado na rua e se afogado.

Breves

- Comparado a outros países na Europa, a legislação suíça sobre raças perigosas é particularmente laxista.

- Na Alemanha, a importação e criação de várias raças são proibidas por lei.

- A França proíbe a aquisição, venda, importação e criação de cães perigosos. Os que detinham esses animais antes da lei entrar em vigor foram obrigados a esterilizá-los e precisam utilizar focinheiras e coleiras ao caminhar nas ruas.

- Na Inglaterra a coleira e a focinheira são obrigatórias para cães suscetíveis de morder. A criação e importação de pitbulls também é proibida, assim como na Holanda.



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