Navegação

Menu Skip link

Funcionalidade principal

TURISMO REAL Como a Rainha Vitória transformou a hotelaria suíça

Poster for Queen Victoria exhibition

Parte do cartaz para a exposição da Rainha Vitória no Museu de História de Lucerna

(Lucerne History Museum)

Há exatos 150 anos, a Rainha Vitória e sua pequena comitiva foram à Suíça central para um retiro de cinco semanas. Esta primeira visita de um monarca britânico ao país marcou a rainha, mas também deixou suas marcas na hotelaria suíça.

Rainha Vitória

Vitória nasceu em 1819 e se tornou rainha do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda em 1837. Ela se casou com seu primo de primeiro grau, o príncipe Albert de Saxe-Coburg e Gotha em 1840, e faleceu em 1901.

Vitória e Albert tiveram nove filhos e quarenta netos, muitos dos quais se casaram com membros de outras famílias reais de toda a Europa.

Seus 142 bisnetos legítimos incluem a Rainha Elisabete II e seu marido Philip, o Rei Juan Carlos I da Espanha e sua mulher Sofia, o Rei Constantino II da Grécia e sua mulher a Rainha Anne-Marie, Rei Harald V da Noruega, Rei Carl XVI Gustaf da Suécia, Rainha Margrethe II da Dinamarca, Rei Peter II da Iugoslávia e o Rei Michael I da România.

Aqui termina o infobox

“Ó, é terrível demais, pavoroso demais. E uma doença, um frio gélido que beira o mais profundo desespero, toma conta de mim. É mais do que um ser humano pode suportar.” A mulher mais poderosa do mundo precisava de uma pausa. Em 1868, quando Vitória escreveu estas linhas em seu diário, aos 49 anos de idade, a mãe de nove crianças ainda estava de luto pelo falecimento de seu marido Albert, há sete anos.

Segundo Christoph Lichtin, diretor do Museu Histórico de Lucerna, “seu luto era tão profundo que ela adoeceu. Hoje nós diríamos que ela teve um tipo de depressão ou estafa, seu médico lhe disse então para se afastar temporariamente de todas suas obrigações”.

A Áustria foi considerada como uma das destinações para a pequena comitiva que incluía três filhas e dois pôneis, mas a escolha final recaiu sobre a recém-aberta Pensão Wallis, para entre os dias 7 de agosto e 9 de setembro. Albert gostava da região onde em 1837 escalou o Monte Rigi. Durante a escalada ele colheu, secou e premiu uma azaléa dos Alpes para Vitória que, aparentemente, sempre a trazia consigo.

A Pensão Wallis era um prédio branco, imponente e isolado com vista sobre Lucerna. Hoje uma residência privada, em 1868 ela era de propriedade do editor e hoteleiro britânico Robert Wallis.

Pension Wallis

A "Pensão Wallis" em 1868

(Zentralbibliothek Luzern)

O planejamento para a viagem durou três anos, e apesar de meia Europa saber a respeito (o imperador Napoleão III colocou um trem à sua disposição), Vitória insistiu em viajar incógnita sob o nome de Condessa de Kent, um de seus muitos títulos. Não era propriamente um segredo.

“Centenas de pessoas a receberam na estação de trem de Lucerna”, diz Lichtin, cujo museu tem uma mostra sobre a visita até o dia 16 de setembro.

Peter Arengo-Jones, um antigo jornalista na Radio Suíça Internacional, a antecessora da swissinfo.ch, escreveu um livro em 1995 sobre a visita intitulado “Queen Victoria in Switzerland”. Neste clip de 1996 tirado de nossos arquivos, Arengo-Jones explica a logística para se chegar até Lucerna:

“Simplicidade confortável” foi a instrução dada como objetivo para todos. Tendo trabalhado com Arengo-Jones em uma versão alemã do livro, Lichtin disse que Vitoria queria ser tratada como uma viajante comum, mas como ela falava alemão (a primeira língua de seu marido e de sua mãe), ela conversou bastante com os moradores locais.

“Ela tinha grande interesse pela cultura suíça; a agricultura, por exemplo”, explica ele. “Ela tinha uma fazenda em Windsor, e perto de onde ela estava hospedada havia uma grande fazenda [hoje o hotel Château Gütsch]. Ela relatou em seu diário ter visitado o fazendeiro e conversado sobre gado. Ela ficou muito impressionada com o fato de os suíços darem nomes às vacas e que ao ouvir seus nomes, elas atendiam aos comandos do fazendeiro.

A Rainha fez uma visita turística clássica, visitando monumentos, praças e memoriais. Ela menciona em seu diário o cais Schweizerhof, a Ponte da Capela, o Monumento do Leão em Lucerna e o monumento dedicado a Winkelried no cantão vizinho de Nidwalden.

Ela também era uma animada caçadora de souvenires, sempre fazendo paradas para comprar presentes. A mostra apresenta um modelo em madeira de um chalé similar ao chalé suíço que ela e Albert possuíam na Ilha de Wight.

A Rainha Vitória em 1868

(Privatbesitz Andermatt)

Não existem fotos da Rainha Vitória na Suíça, mas a mostra traz cópias de aquarelas de paisagens e moradores locais pintadas por ela. Ela alcançou o topo do monte Pilatus montada em seu pônei “Flora” e, como disse Arengo-Jones, fora as três noites passadas no Passo Furka, ela sempre pernoitou na Pensão Wallis. Depois do choque inicial com a simplicidade das acomodações, ela acabou gostando de viver na pousada como uma família. Todavia, nem todos estavam contentes. “O hotel estava fechado para outros visitantes e houve muitos protestos de hóspedes que, não podendo obter um quarto, reclamavam do tratamento desigual. Uma reação tão tipicamente suíça: “o que eles pensam que estão fazendo? Quem pagou a estrada até o Passo Furka? Certamente não a rainha, mas nós temos que ficar do lado de fora!”

À parte este pequeno entrevero diplomático, a aventura suíça da Rainha Vitória foi exatamente o que o médico havia prescrito.

“Estas cinco semanas foram realmente um sucesso para sua saúde”, diz Lichtin. “Vê-se em seu diário como sua mente se abre a cada dia. Houve situações, especialmente no Passo Furka, onde ela viu o alvorecer e ficou arrebatada com a paisagem”.

David Seddon observou em artigo na revista “Alpine Journal” (2001) que “Lord Jenkings registra em sua biografia de Gladstone que, ao ascender ao poder mais tarde naquele ano, [o Primeiro Ministro] Gladstone achou que a Rainha estava ‘gentil, animada e até brincalhona...’. Durante sua estada nos Alpes, ela recomeçou a fazer esboços e a desenhar pessoas, algo que ela raramente tinha feito desde a morte de Albert. Talvez, pelo menos ela estivesse um pouco melhor”. E foi esta visita uma boa coisa para o turismo suíço? “Isto é quase um eufemismo”, diz Arengo-Jones:

Lichtin concorda: “você pode ver, especialmente em Lucerna, muitas coisas chamadas Vitória. Hotéis começaram a serem construídos como palácios. Assim temos o Hotel Bristol, o Hotel Victoria. Esta conexão com a Grã-Bretanha foi muito importante e muitos britânicos vieram aqui. É claro que este foi um desenvolvimento que ocorreu por toda a Europa, com mais pessoas viajando”.

Hotel Victoria in Lucerne

Hotel Victoria em Lucerna, construído em 1870

(Stadtarchiv Luzern)

“O nome Vitória se tornou muito importante para tudo no turismo. Dois anos mais tarde, um hotel Victoria abriu as portas em Lucerna, havia um barco a vapor chamado Victoria. Hoje existem mais de 20 hotéis “Victoria” na Suíça. Portanto Victoria é uma espécie de marca – lugares maravilhosos, boa comida. É um pouco melhor do que Hotel Bahnhof (hotel da estação de trem, em português)”.

Victoria steamer

O vapor "Victoria", construído em 1870

(Swiss Transport Museum archives)

O Príncipe Michael of Kent, um tetraneto da Rainha Vitória (e primo primeiro da Rainha Elisabete II), visitou a exposição no primeiro de maio e disse estar particularmente impressionado com os excertos do diário de Vitória.

A viagem deu a Vitória um “raio de esperança”, disse ele, acrescentando que a viagem também a animou. A mostra contou uma estória  relativamente desconhecida mas que para ele, pessoalmente, já era sabida. “Não há como escapar dela”, disse ele. “Enquanto figura história, ela foi tão marcante e tão influente ao final de seu reinado”.


Realeza britânica na Suíça

A Rainha Elisabete II fez apenas uma visita oficial à Suíça em 1980 durante seu reinado de 66 anos.

Em 1949, a irmã de Elisabete, Margarete, visitou o castelo de Chillon e Nyon. Klosters tem sido uma destinação de esqui favorita do Príncipe Charles e de seus filhos William e Harry por muitos anos. A conexão com a Suíça nem sempre foi feliz: segundo relatos, ao descobrir que não poderia se casar com Wallis Simpson em 1936, Eduardo VIII planejou deixar o país e voar para Zurique, onde quartos já haviam sido reservados no Dolder Grand Hotel. O governo soube de seus planos e proibiu a decolagem do avião.

Aqui termina o infobox


Adaptação: Danilo v.Sperling, swissinfo.ch

Neuer Inhalt

Horizontal Line


swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.