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Turistas chineses


Indústria suíça do turismo enfrenta novos desafios


Por Dahai Shao


Além da moeda forte e dos preços altos, o turismo suíço deve enfrentar mais uma barreira com a introdução de novas exigências de visto que estão desencorajando a clientela chinesa a viajar para a Europa.

Turistas chineses apreciam a vista do monte Pilatus, em Lucerna (Keystone)

Turistas chineses apreciam a vista do monte Pilatus, em Lucerna

(Keystone)

Dados divulgados pela Secretaria Federal de Estatísticas da Suíça (OFS) revelam uma mudança estrutural na proveniência dos turistas no país. O número de visitantes da Europa, o mercado tradicional do turismo da Suíça, vem diminuindo drasticamente. Enquanto isso, o número de visitantes da China, dos países do Golfo e do Sudeste Asiático estão aumentando, mas agora, neste inverno, os da China caíram pela primeira vez.

O órgão federal de promoção do turismo na Suíça, a Suíça Turismo, diz que o novo requisito de dados biométricos nos vistos é um dos fatores principais dessa diminuição.

O requisito tornou-se obrigatório para qualquer pessoa que solicita um visto para o Espaço Schengen da Europa, que inclui a Suíça, desde novembro passado. Isso significa que todos os chineses devem viajar até um consulado suíço na China para fazer o pedido do visto em pessoa.

No inverno passado, houve uma queda sem precedentes no número de entradas dos turistas chineses. No entanto, Simon Bosshart, responsável da região Ásia-Pacífico da Suíça Turismo, disse para swissinfo.ch que o número de diárias dos chineses no país não caiu em termos reais, embora tenha havido uma ligeira diminuição em janeiro. Mas a taxa de crescimento se desacelerou. Ele fornece três razões para isso.

Economia frágil, terrorismo e problemas de visto

A frágil economia da Suíça e a desaceleração do crescimento econômico da China, bem como um renminbi mais fraco em relação ao franco suíço, são algumas razões para a diminuição do número de turistas chineses na Suíça, de acordo com as autoridades de turismo chinesas.

Os crescentes ataques terroristas e a crise dos refugiados em curso também assustaram muitos turistas potenciais. Embora a tensão de curto prazo normalmente não consiga gerar um efeito duradouro, a eventualidade de um ataque terrorista e a imprevisibilidade do terrorismo certamente contribuem para o risco de uma nova queda no turismo.

Soma-se a esses problemas o novo requisito de dados biométricos, pois a impressão digital tem complicado o processo de pedido de visto para alguns turistas. Todos os membros do Espaço Schengen estão tentando encontrar uma solução para os turistas chineses. Como a Suíça não faz parte da União Europeia, o país procura encontrar uma solução com acordos bilaterais.

Enquanto a Suíça, como destino turístico, tem se esforçado a combater diversos fatores desfavoráveis, a situação é agravada pela política recente de emissão de vistos.

"Para deixar suas impressões digitais para um visto, os turistas chineses precisam percorrer vastas extensões em seu próprio país, o que não deixa de ser uma barreira adicional", explica Jürg Schmid, diretor da Suíça Turismo.

Bosshart disse que o órgão de turismo estava em negociações com as autoridades suíças para encontrar formas de simplificar o processo de pedido de visto, como a utilização de estações biométricas móveis e pontos de coleta de impressões digitais temporários como alternativas para os lugares fixos existentes.

Uma vez recolhidos, os dados biométricos podem ser reutilizados para outros pedidos de visto durante um período de cinco anos. Qualquer serviço de emissão de visto do Espaço Schengen tem acesso a esses dados. Só os requerentes que fazem o pedido pela primeira vez precisam ir pessoalmente a um consulado. Durante o prazo de cinco anos, qualquer mudança pode ser feita pelo correio.

Gregos e troianos

A Suíça Turismo tem respondido aos novos desafios, aumentando os gastos com mão de obra e os recursos para promover as estadias no país no inverno, tendo como alvo turistas nacionais e estrangeiros de economias emergentes, como China, Índia e Brasil.

No entanto, os turistas asiáticos têm um conhecimento limitado da Suíça, e suas preferências de férias diferem das dos europeus. Vários jornais suíços publicaram histórias sobre os comportamentos incivilizados de alguns turistas chineses, ao mesmo tempo em que ressaltavam a importância deles para o setor turístico do país.

Os turistas chineses estão ganhando fama pelos seus maus hábitos em muitos países. Cuspir no chão, falar em voz alta e bagunçar banheiros e restaurantes são alguns atos detestados por muitos suíços.

Títulos como "A situação é intolerável", "Problemas na Chinatown de Ebikon", "Barulho demais, grosseiros demais: a Suíça lança trens especiais para os turistas chineses" já foram manchetes nos jornais suíços.

O setor do turismo é um dos pilares mais importantes da economia suíça. O desenvolvimento de uma estratégia de mercado sensível aos diversos públicos é vital para a atratividade do país.

Visa Schengen

Em 15 de dezembro de 2008, a Suíça acrescentou seu nome à lista dos Estados de Schengen e começou a emitir o visto Schengen. O titular de um visto Schengen pode viajar na Suíça e está autorizado a mover-se livremente em todos os países do Espaço Schengen.

Assim, nenhum visto é necessário para os cidadãos dos Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Israel, Singapura, Espaço Schengen, União Europeia, ou países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) para uma estadia de até 90 dias.


Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch

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