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Usina nuclear suíça sob olhar do público

A usina nuclear de Mühleberg está há quase quarenta anos em opeeração.

(Keystone)

Habitantes de Mühleberg, um vilarejo suíço próximo à usina nuclear com o mesmo nome, declaram que, apesar de considerarem "aterradores" os eventos no Japão, não esperam grandes mudanças na sua vida.

Kurt Herren, o prefeito da cidade, aguarda análises detalhadas por parte das autoridades helvéticas quando elas tiverem mais informações sobre o acidente ocorrido com a usina nuclear japonesa após o terremoto e tsunami da última sexta-feira.

"Estamos chocados com o que aconteceu no Japão. Porém considero lamentável que tudo esteja focado na questão nuclear quando você vê o que está acontecendo por lá...que milhares provavelmente morreram, que 100 mil pessoas perderam suas casas e que lá exista uma situação precária de comida e água", declara Herren à swissinfo.ch.

O nome Mühleberg é sinônimo da central nuclear vizinha. Ela está em operação desde 1972. Porém foi apenas há um mês que os eleitores no cantão de Berna votaram favoravelmente aos planos de construção de uma nova usina nuclear para substituí-la.

No cantão de Berna, 51.2% dos eleitores disseram "sim". Já na cidade de Berna o resultado foi diferente: 65% de votos contrários ao projeto Mühleberg II. A usina deve ser construída em um município vizinho à cidade de Berna.

Na segunda-feira (14/03), a ministra da Energia, Doris Leuthard, ordenou um controle de segurança nas usinas nucleares suíças depois da explosão na usina japonesa atingida por um tsunami. Ela também decidiu suspender os pedidos de construção de novas centrais nucleares de substituição na Suíça, possivelmente atrasando o cronograma para a votação nacional em 2013. 

Tirar conclusões apropriadas

Herren espera agora que a Inspetoria Federal de Segurança Nuclear, assim como a operadora da central, a empresa BKW FMB Energie AG, examinem os resultados do incidente no Japão e tirem as conclusões apropriadas.

swissinfo.ch questionou alguns moradores sobre os acontecimentos no Japão. Uma dona de casa declarou que os eventos recentes não mudaram sua vida e que não tinha receio também.

"O que é pra ser, é sina. Temos de viver com isso", afirmou, acrescentando "não estar segura" sobre os planos acerca da nova e maior central nuclear planejada para ser construída nas proximidades do rio Aare, próximo à estrada que leva ao vilarejo.

Um jardineiro local manifestou uma opinião próxima. "O que aconteceu no Japão nos obriga seguramente a refletir. Mas no momento isso não faz muita diferença."

"Não é um problema para mim"

Um carpinteiro declarou ter completa confiança nas autoridades e que conhece pessoas que trabalham na central nuclear próxima.

"Alguns deles são colegas e amigos, pessoas que conheço do vilarejo. Eles estão fazendo bem o seu trabalho. Nós também costumamos trabalhar por lá realizando serviços de carpintaria. Assim sabemos como é lá dentro e como as regras de segurança são aplicadas. Isso não é um problema para mim", disse.

Ele votou contra o plano de construção de uma nova central em Mühleberg, "mas considerando o fato que necessitamos de energia, essa é uma questão complicada. Se não houvesse a central de Mühleberg, já estaríamos cercados pela Alemanha e França (com suas centrais nucleares)."

O agente imobiliário Andreas Schlecht, que é chefe da segurança pública no vilarejo, entende que o incidente no Japão "terá um certo efeito. É certo que iremos questionar muita coisa depois disso."

Ele acrescentou: "A segurança da central nuclear e os mais recentes conhecimentos serão levados em consideração pelos operadores da usina, o comitê supervisor, os habitantes do vilarejo e as pessoas que são responsáveis pela segurança. Isso não deve ocorrer imediatamente, mas em algumas semanas quando soubermos mais sobre as causas. Então as comparações poderão ser feitas e saberemos mais sobre o impacto."

Schlecht criticou também a mídia. "Não penso que tom atual dela é objetivo o suficiente...Nós devemos ajudar as pessoas que estão sofrendo por lá - e aqui estamos falando sobre a cotação atual na bolsa de valores e preços de imóveis, quando atualmente vivemos em uma espécie de paraíso. Deveríamos estar ajudando os outros ao invés de discutir sobre possibilidades hipotéticas."

Procedimentos de emergência

A população local parece estar bem consciente sobre o que fazer em uma situação de emergência em Mühleberg.

"Sim, todos conhecem o sistema de alarme e sabem o que fazer. Isso está claro! As sirenes irão anunciar o alarme e as pessoas serão informadas por rádio. Então é preciso ligar o rádio e esperar que as instruções sejam dadas", explicou o carpinteiro. 

Os moradores também dispõem de tabletes de iodo em caso de vazamento de radiação.

"Temos tabletes de iodo para tomar, mas não sei se eles ajudariam muito. Realmente não penso assim", replicou um motorista, afirmando também ser um defensor das fontes renováveis de energia.

Já Herren não acredita que a Suíça possa abdicar rapidamente da energia nuclear.

"Acredito que ainda iremos necessitar de centrais nucleares na Suíça nos próximos trinta a quarenta anos, pois não imagino que formas alternativas de energia possam substituir rapidamente a energia nuclear."

"Continuar paralelamente"

"Sou a favor de encorajar o máximo possível essas formas alternativas de energia. Eu pessoalmente dirijo um veículo híbrido e estou instalando (em casa) um sistema de aquecimento através de energia geotérmica. Para isso cavo um buraco de 193 metros de profundidade. Porém devemos continuar utilizando as outras formas paralelamente."

Herren lembrou que ninguém chegou a ele para pedir que entre em contato com a operadora ou as autoridades federais para pedir que desliguem a central nuclear. Ele explica que, afora os tabletes de iodo e o sistema de alarme, também estão existem os abrigos de emergência. Ao mesmo tempo, testes de emergência foram executados no ano passado.

"As autoridades federais, o cantão, o município e a operadora estavam envolvidas nesse exercício, no qual analisamos a comunicação e seu funcionamento. É para saber se todos sabem o que fazer, se está faltando alguma coisa ou se existem falhas. Realizamos esses exercícios periodicamente."

"Não penso que é preciso ter medo ou insônia. A central está em operação há quase quarenta anos e nunca tivemos grandes problemas com ela", concluiu. 

Fontes energéticas da Suíça

A Suíça tem cinco reatores nucleares. Eles geram cerca de 40% da eletricidade do país.

Usinas hidrelétricas respondem pelo resto das necessidades, enquanto que cerca de 3% vem de outras fontes.

Solar, eólica, biocombustíveis e biogás respondem por cerca de 2% da produção de eletricidade no país, de acordo com a Secretaria Federal de Energia.

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Adaptaçao: Alexander Thoele, swissinfo.ch

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