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Vida nas montanhas O duro cotidiano da família de camponeses alpinos Aellig

Stier Claudio wird in den Stall getrieben

Pai e filho conduzem o touro "Cláudio" para o estábulo.

(swissinfo.ch)

O lugar não é romântico, mas idílico, mesmo se há muito trabalho durante o dia. A cada verão centenas de suíços sobem às montanhas com os seus rebanhos para fazer queijos alpinos. A família Aellig é um deles. Nem as crianças são poupadas da vida camponesa. 

Engstligenalp

A região de Engstligenalp, uma área de proteção ambiental, está localizada a 1.950 metros acima do nível do mar nos Alpes bernenses. Nela pastam durante o verão 185 vacas, 128 bois, 194 bezerros, 1 touro e 18 cabras. Em 13 chalés alpinos são preparados e vendidos queijos tradicionais. O local pertence à comuna (município de Adelboden e é administrado por uma cooperativa. Dela fazem parte 92 pessoas, com direito a manter até 340 bovinos. Porém é possível trocar um por 6 cabras. 

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As vacas Sofia, Soldanelle, Salomé, Flora e Furka passaram o dia inteiro a dois mil metros de altitude acompanhadas por outras 500 (a maioria com chifres). Elas pastaram as ervas silvestres encontradas no local. Agora os animais estão no estábulo da família Aellig, onde são ordenhadas. Martina, a filha de 14 anos, ajuda. 

Ela pendura na cintura o banco de um só pé, massageia as tetas da primeira vaca e então fixa a máquina de sucção. Pai e filha são um time já treinado. 

Depois de uma hora de trabalho, as 21 vacas (11 pertencem a eles e 10 ao tio) já estão ordenhadas. Cada vaca fornece diariamente 20 litros de leite. Além das vacas, família também cria bezerros, gado de corte e alguns porcos. Também há "Cláudio", o único touro nessa zona de pastagens. 

Kuhfladen

Esterco de boi deixado após a subida aos Alpes. 

(swissinfo.ch)

No final de junho a família Aelligs e seu rebanho subiram as montanhas acompanhado por outras famílias até chegar a um descampado de 700 hectares. Vacas prenhas e bezerros muitos jovens são transportados por teleférico, pois não há estradas até esse local ermo nas colinas. 

O desfile de subida às montanhas atrai curiosos e turistas de todas as partes. Até mesmo uma equipe de televisão da Coréia já esteve presente. Do local é possível avistar picos como Wildstrubel, com 3.244 metros de altitude, e outras montanhas. 

A cabana alpina pertence há três gerações à família. Já as pastagens são propriedade da cooperativa alpina, cujo presidente é Abraham Aellig.

Alphütte der Aelligs

O chalé alpino da família Aellig: até o avô já trabalhou no local. 

(swissinfo.ch)

Quando ainda era criança (hoje tem 43 anos), ele passava cada verão no local. O suíço gosta desse período de trabalho no verão, apesar da sua forte carga. "Eu gosto de subir aqui, mas também de descer no outono". Sua esposa, Tanja, 41 anos, agente comercial de profissão, também gosta do trabalho nos Alpes, apesar de sentir falta de privacidade. 

"Sempre há movimentação. Os turistas aparecem. Os vizinhos pedem alguma coisa. Lá embaixo no vale a vida é mais tranquila", diz. Duro era a época em que as crianças ainda eram pequenas ou estavam doentes. "Muitas vezes chegava ao meu limite."

De fato, o cotidiano nos Alpes está longe de ser um passeio. O trabalho começa às cinco horas da manhã com a ordenha das vacas. Depois vem a alimentação dos bezerros, a limpeza do feno, o transporte os animais ao pasto, a fabricação dos queijos. No final do dia, ainda é preciso buscar as vacas nos pastos distantes, ordenhá-las, limpar mais uma vez o feno. Descanso mesmo...só às 21 horas. Além disso, a família Aelligs não pode esquecer de capinar as terras embaixo no vale e armazenar o feno para o consumo no inverno.

Die Kinder der Familie Aellig vor der Alphütte

Reto, Ursina, Andrin e Martina (da esquerda à direita)

(swissinfo.ch)

Enquanto na Suíça um terço das pessoas que trabalha nos chalés alpinos vêm do exterior, devido à falta de mão-de-obra, na região do Engstligenalp são apenas dois alemães. Quase todos os chalés no local são utilizados por famílias. Muitas vezes são os mais velhos que trabalham nessas altitudes para fazer queijo, enquanto os jovens permanecem cuidando das fazendas nos vales. 

Os Aelligs têm de fazer os dois trabalhos, pois os avós faleceram. Sem a participação das crianças não seria possível, como explica Abraham Aellig. "Elas ajudam muito e até assumem grandes responsabilidades."

Hoje é a vez de Martina no estábulo. Amanhã será Ursina, 12 anos, que hoje está preparando a mesa para o almoço. Por enquanto ela brinca com o gato "Hansueli" e seu irmão, Andrin, 10 anos. 

Hochebene Engstligenalp

Pastor verdejantes, ar puro e muito espaço nos Alpes.

(swissinfo.ch)

Andrin adora os animais. Ele tem até duas cabras (Camila e Lara) e mostra interesse pela vida de agricultor. Mas agora prefere se divertir com Reto, o amigo, que passa alguns dias de férias com a família. "Eles devem escolher por si próprios a sua profissão. Não obrigamos ninguém a se tornar agricultor", diz o pai, Abraham.

Martina, a adolescente, preferiria estar com as suas amigas lá embaixo no vale. "Então poderia tomar banho de verdade", suspira. A cabana alpina dos Aellig tem energia, mas não água aquecida. Para escovar os dentes e se lavar é preciso utilizar a fonte externa de água.

Quando o dia de trabalho está para terminar, aparece Wäfler, o vizinho. Ele anuncia que uma vaca está no seu período fértil. É preciso trazer o touro Cláudio. Abraham Aellig vai buscá-lo no estábulo e leva ao animal. Depois de alguns minutos o trabalho está terminado. "Ele cumpriu sua missão", responde Aellig sem muitos rodeios. 

Stier Claudio bei der Begattung einer Nachbarskuh

O touro Cláudio cobrindo uma vaca.

(swissinfo.ch)

É de manhãzinha. Abraham Aellig já ordenhou suas vacas e agora vai tomar o café-da-manhã enquanto o leite recolhido começa a esquentar no panelão de bronze. Metade do leite foi dado aos bezerros. No total, 160 litros de leite são trabalhados diariamente para fazer queijo. 

Nas primeiras semanas, Tanja Aellig fez o tradicional queijo para derreter, o "Raclette", e também um queijo pequenino, de gosto acentuado, chamado "Mutschli". Mais tarde irá fazer o queijo alpino. Todos os produtos são vendidos no próprio chalé. No final da temporada, a família terá fabricado 800 quilos. 

O regulamento é rígido: quantidade de leite, temperatura, pH e outros dados são anotados em formulários especiais. Ao lado das vacas está o depósito, onde o queijo é armazenado enquanto está sendo preparado. Todos os dias eles levam um banho de salmoura e depois são virados.

Tanja Aellig bei Auswaschen des Milchgeschirrs

Alle Utensilien müssen sorgfältig gereinigt werden.

(swissinfo.ch)

Primariamente a temporada passada no alto das montanhas serve à alimentação dos animais e à produção de leite e queijo, mas também é uma forte tradição na Suíça. Desde 2014 o governo oferece maiores subvenções por vaca, o que serve como um incentivo aos produtores.

Mas Tanja Aellig já lamenta: "Na capital do país, em Berna, os políticos já estão discutindo a possibilidade de cortar essas subvenções. Porem eles deviam valorizar o nosso trabalho: nós ajudamos também a proteger a natureza e a paisagem, o que serve à toda a população. Sem os produtores alpinos, as montanhas estariam abandonadas e selvagens. Os turistas já não viriam mais passear nelas."

Käselager

Prateleiras com os queijos preparados no chalé alpino.

(swissinfo.ch)

Alpes bernenses

Na região montanhosa do cantão de Berna existem 1.100 unidades de produção alpina de verão, das quais a metade se dedica à produção de queijo. Anualmente elas produzem 1.200 toneladas de queijo alpino.

Em 2016 elas receberam 20 mil vacas leiteiras, 30 mil bois e bezerros, 20 mil ovelhas, 4.500 cabras, 400 cavalos e 450 lhamas.  
A subvenção federal para o trabalho de produção de laticínios nos Alpes nessa região é da ordem de 16 milhões de francos.

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Adaptação: Alexander Thoele

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