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Votação de 25 de novembro Apoio à iniciativa contra 'juízes estrangeiros' não avança

Robe de juiz pendurado num armário

Quem tem medo de 'juízes estrangeiros? A iniciativa 'Lei Suíça acima de tudo', promovida pela direita nacionalista, não conseguiu atrair mais apoio para além de seus próprios seguidores nas últimas semanas.

(Anthony Anex/Keystone)

Uma proposta da direita para colocar a lei suíça acima do direito internacional não conseguiu obter apoio adicional nas últimas semanas. Segundo os pesquisadores, tudo indica que a iniciativa será rejeitada em uma votação nacional no final deste mês.

Em sua última pesquisa publicada na quarta-feira, o principal instituto de pesquisas políticas GfS BernLink externo verificou que os oponentes ampliaram sua margem sobre os defensores da proposta conservadora do Partido Popular (SVP/UDC) em 9% (de 16% para 24%) no início deste mês.

Juntamente com a iniciativa "lei suíça em primeiro lugar", duas outras propostas serão submetidas a votação em 25 de novembro: uma delas prevê subsídios aos agricultores que mantiverem vacas e cabras com chifres. A outra é sobre a adoção de uma lei com o objetivo de reprimir os fraudadores do seguro social e estabelecer uma base legal para a ação de detetives que investiguem as fraudes.

Veja o gráfico abaixo para os resultados da mais recente pesquisa sobre as três questões.

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Gráfico com os resultados da segunda pesquisa de opinião

"Parece que os argumentos do comitê da iniciativa da 'lei suíça em primeiro lugar' não convenceram muitos cidadãos de fora do Partido Popular", diz Martina Mousson, cientista política da GfS Bern. Ela aponta que os eleitores se decidiram já no estágio inicial da campanha.

Os debates políticos começaram em setembro, colocando o Partido Popular contra uma ampla aliança de partidos abrangendo da centro-direita para a esquerda, sindicatos, parlamento e governo, bem como a sociedade civil.

Os entrevistados na pesquisa, observa Mousson, não classificaram a democracia direta como um método de tomada de decisões políticas mais importante do que a reputação da Suíça como parceira comercial internacional confiável, que respeite os tratados internacionais.

A oposição contra a iniciativa da direita aumentou em todas as três regiões lingüísticas e em todos os outros partidos políticos - exceto entre os partidários do SVP/UDC, críticos do governo e indivíduos sem uma filiação partidária clara.

Lukas Golder, diretor do instituto, acrescenta que o SVP/UDC não conseguiu despertar emoções e chegar a um público mais amplo.

“O tom nos materiais de campanha foram até que inesperadamente moderados em comparação com as iniciativas anteriores do SVP/UDC, e a importância da questão em jogo”, diz Golder.

Os resultados aparentemente contradizem relatos de discussões acaloradas em todo o país e gastos multimilionários para as campanhas, além de ampla cobertura da mídia nas últimas semanas.

Detalhes da pesquisa

Os pesquisadores entrevistaram 3.683 cidadãos suíços de todas as regiões linguísticas do país para a última de duas pesquisas nacionais.

A pesquisa é baseada em respostas on-line, bem como entrevistas por telefone, tanto com usuários de telefone fixo como de celular, e foi realizada de 31 de outubro a 7 de novembro.

A margem de erro é de 2,7%.

A pesquisa foi encomendada pela Sociedade Suíça de Rádio e Televisão (SRG/SSR), empresa-mãe da swissinfo.ch, e realizada pelo instituto GfS Bern.

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Após a derrota nas urnas em 2016 de sua proposta linha-dura para expulsar estrangeiros criminosos, o partido optou por uma abordagem política mais moderada na esperança de atrair os eleitores centristas.

Golder diz que a iniciativa provavelmente será derrotada. Mas o esforço marca uma virada para o partido que, segundo ele, busca se afastar de táticas populistas para políticas neoconservadoras com vistas às eleições parlamentares do próximo ano.

Disputa acirrada

Os pesquisadores são mais cautelosos em suas previsões sobre o resultado da votação da iniciativa do chifre de vacas. A iniciativa também perdeu o apoio em quase todos os segmentos, mas o resultado tende a ser por uma margem bem pequena.

Os apoiadores atualmente têm uma vantagem de 3% sobre os adversários; 5% dos entrevistados disseram que ainda estavam indecisos.

Os especialistas não descartam uma virada nas urnas caso os adversários não consigam reforçar seus argumentos nos próximos dias.

A iniciativa ainda conta com uma maioria entre os membros do Partido Verde (PV) e do SVP/UDC, que concordam com os argumentos de bem-estar animal, de acordo com a pesquisa. Mas a oposição cresceu em comparação com a pesquisa anterior, publicada no início de outubro.

"Com exceção do ministro da Economia, Johann Schneider-Ammann, os adversários mantiveram uma postura discreta até agora", observa Mousson.

O comitê da iniciativa é liderado por um agricultor de montanha e conta com o apoio de indivíduos privados, grupos de proteção animal, ambientalistas, adeptos da antroposofia e organizações esotéricas.

Detetives: oposição ofuscada

O terceiro tema em votação, para referendar uma decisão parlamentar de conceder mais poderes aos detetives particulares para investigações secretas de supostos fraudadores do seguro social, parece estar a caminho da aprovação.

O cientista político Golder diz que o grupo que desafia a nova lei não conseguiu transmitir sua mensagem.

Apesar de um início auspicioso com sua campanha on-line e apoio entre a geração mais jovem, o comitê contra a lei parece já reconhecer uma clara derrota.

“As preocupações com a esfera privada dos cidadãos não foram aceitas como um fator decisivo para rejeitar a lei”, diz Golder. Ele observa que o comitê do referendo só pode ser capaz de ganhar maiorias em algumas partes da Suíça francófona.

Outro fator que dificultou a discussão do tema foi o fato de que a questão dos detetives acabou sendo ofuscada pelas outras duas iniciativas, argumenta ele.

A participação geral dos eleitores em 25 de novembro é esperada em torno de 46% - em linha com a taxa média registrada nos últimos seis anos. A participação nas três eleições nacionais anteriores realizadas neste ano variou entre 33,8% e 54,4%.


swissinfo.ch/ets

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