Democracia direta digital Esses políticos suíços sabem utilizar o Twitter




Muitos deputados-federais permanecem conectados à internet durante as sessões no Parlamento federal em Berna (imagem de 2015).

Muitos deputados-federais permanecem conectados à internet durante as sessões no Parlamento federal em Berna (imagem de 2015).

(Keystone)

O mundo fala do Twitter, especialmente devido aos incessantes e, muitas vezes controversos, "tweets" (mensagem) do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Porém políticos suíços também aderiram a essa forma rápida de comunicação. Quem escuta os cidadãos verdadeiramente? Revelamos aqui através da primeira classificação suíça. 

Donal Trump como vive e "tuíta". E governa. Através desse tweet, o presidente dos Estados Unidos ridiculariza a Justiça: 

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Em 2017 já não são raros os perfis Twitter de políticos suíços. Muitos deputados-federais enviam importantes anúncios ou distribuem imagens de suas campanhas através dessa rede social.

Ou desabafam como mostra o tweet (em alemão) de Eric NussbaumerLink externo, deputado-federal do Partido Socialista (SP): 

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As atividades no Twitter se tornam mais intensas especialmente nas quatro sessões anuais do Parlamento federal. Através do hashtag #parlCH, bastante popular entre os usuários suíços da rede, diversos parlamentares discutem sobre os debates e votações atuais. Alguns chegam até desabafar quando os resultados não correspondem aos seus interesses. Ou fotografam com os celulares as ações inesperadas dos opositores políticos.

Tweet (em alemão), de Jaqueline BadranLink externo, deputada-federal do PS, sobre um protesto com cartazes realizado pelos representantes do Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão) no Parlamento: 

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Twitter se tornou um instrumento importante para os representantes do povo e não apenas pela facilidade de acesso à mídia. "O Twitter é uma importante rede multiplicadora, na qual participam muitos jornalistas", afirma a Marie-Christine Schindler, especialista em comunicação.

Esgotamento

Conhecido também é o potencial de dependência que cria essa rede social. A deputada-federal Natalie Rickli,Link externo do SVP, chegou mesmo a ter em 2012 um esgotamento emocional. "Trabalho, política, Facebook e Twitter: sempre estava ativa e quase nunca me desconectava", escreveu no Facebook e logo se despediu por um bom tempo das redes sociais. Hoje a parlamentar voltou a ser ativa e é considerada uma das mais influentes (5° lugar no ranking nacional) da política helvética. 

Texto publicado no site#DearDemocracy, a plataforma sobre a democracia direta da swissinfo.ch.

Nesse contexto, "influência" significa não o poder ou a capacidade de impor suas ideias nos debates políticos. No ranking do site "einflussreich.chLink externo", uma classificação já estabelecida e ainda polêmica, os especialistas da agência Kublé medem a influência política através da chamada pontuação "Klout" (veja infobox). Mas nem ela ou outras medições das mídias, como a quantidade de seguidores, permitem identificar os políticos que realmente sabem utilizar as mídias sociais.

Pois o Twitter e o Facebook são mídias voltadas especialmente para o diálogo e não para monólogos. "Em minha opinião, muitos atores políticos não compreendem o funcionamento das mídias sociais. Eles as utilizam primeiramente como instrumentos de veiculação de mensagens, como o fazem as mídias tradicionais", analisa Christian Schenkel, responsável pelo curso de comunicação-online na escola suíça de jornalismo MAZ, em Lucerna.

Mensagens unidirecionais

Dez anos depois do nascimento do Twitter, a troca mútua na comunicação digital ainda não é evidente para os políticos. Muitos ainda se comportam como em comícios, ou seja, utilizando as redes como um palanque. O mais interessante é saber até que ponto os deputados-federais querem dialogar. Para descobrir, swissinfo.ch analisou o perfil no Twitter de 50 parlamentares com os maiores níveis na classificação "Klout"

Os deputados-federais que utilizam o Twitter também conseguem dialogar? Os primeiros colocados confirmam essa suposição.  

(swissinfo.ch)

O deputado-federal mais influente também é o que mais dialoga: Philipp NantermodLink externo, 32 anos, deputado-federal do Partido Liberal (FDP). Com um valor de 59% de "Dialogtweets", ele é o que mais responde às questões e comentários dos usuários. Nantermod se mostrou satisfeito com a liderança no ranking.

Ele considera "óbvio" que uma presença nas mídias sociais obrigue o usuário a responder às questões enviadas. Além de essencial, a conversação também é "o princípio da política". "Você não passa através das pessoas em silêncio, mas as cumprimenta ou escuta perguntas feitas. Por que deveria ser diferente na internet?". Assim Nantermod dialoga no Twitter:  

(swissinfo.ch)

Mas nas fileiras seguintes já ocorrem incongruências com o ranking dos parlamentares mais influentes. Isso significa que, segundo a classificação "Klout", políticos que encontram uma grande ressonância nas redes não são necessariamente bons ouvintes ao mesmo tempo. Por exemplo, Min Li MartiLink externo, deputada-federal do Partido Socialista, é a segunda colocada. Já no ranking de influência do site "einflussreich.ch"-Rangliste, ela está em sétimo lugar. Também Min Li Marti conversa com os seus eleitores (o índice de conversação dos seus Tweets é de 54%). "Faço isso conscientemente: mídias sociais sem diálogo não têm sentido. O que ignoro são os xingamentos e os trolls."

Já os deputados-federais Matthias AebischerLink externo (PS) e Martin CandinasLink externo (Partido Cristão-Democrata, CVP), não se mostram muito dispostos ao diálogo com os seguidores. Eles estão em último lugar na avaliação da swissinfo.ch. Suas contribuições no Twitter provocam reações entre os seguidores, mas elas não lhes parecem interessantes.

A autora

Adrienne Fichter foi responsável pelas mídias sociais no jornal suíço NZZ e trabalha hoje como jornalista independente.

Para o site #DearDemocracy da swissinfo.ch, ela ocupa-se da democracia digital direta, ou seja, a influencias da tecnologia digital aos seus sistemas e trâmites.

Dos temas estudados: a influência das mídias sociais nas eleições e plebiscitos, participação popular, eGovernment; civic tech e open data.

Em tempos de falsas notícias, bots e excessos de Trump na utilização das redes, o debate político sobre a digitalização é cada vez mais importante.

Nós tratamos das tendências, chances, riscos e respostas políticas ao tema no site #DearDemocracy.

Os tempo escasso e decisões estratégias são as razões de Aebischer. "Essa é a minha abordagem, nunca modificada desde o início. Dou as respostas através de e-mails. Só não respondo às falsas afirmações nos comentários do Twitter ou Facebook. Se alguém afirma que sou um forte partidário da adesão à União Europeia, então reajo. Mas na maioria das vezes outras pessoas o fazem por mim."

Candinas abdicou conscientemente do diálogo. "Se você começa a debater, há uma expectativa que precisa ser atendida e cada vez mais pessoas começam a participar do diálogo. Porém não tenho tempo para isso."

A recusa permanente de resposta nas mídias sociais pode ter consequências negativas à reputação do político, considera o professor de jornalismo Christian Schenkel, do MAZ. Todavia concorda que é necessário tempo para administrar uma conta nas redes.

Também Marie-Christine Schindler, especialista em comunicação, considera legítimo abdicar de uma presença se esta é uma decisão estratégica. Os limites de 140 caracteres por mensagem pode ser uma barreira na expressão de problemas políticos. Schindler afirma que "Twitter e política não se combinam muito bem. Muitos temas são demasiadamente complexos para serem tratados em um número reduzido de caracteres. Os perfis falsos também dificultam a vida dos políticos."

As pesquisas realizadas para esse artigo mostram que o e-mail ainda é o principal meio de comunicação dos políticos suíços. Questionados pela jornalista através desse meio, todos os deputados-federais responderam no espaço de 15 minutos. 

Como medimos?

swissinfo.ch analisou o diálogo no Twitter de 50 parlamentares suíços entre 1° de junho de 2016 e 17 de janeiro de 2017. Os deputados-federais escolhidos foram os melhores colocados na classificação "Klout", considerado o termômetro da influência digital no Twitter.

Para comparar a capacidade de diálogo, o critério foram as "conversações" segundo a definição do site de análises FanpageKarma.net. Este mede a proporção de respostas aos tweets e a interação entre os usuários. Quanto maior a proporção, maior o envolvimento do usuário e também a sua participação em debates.

Você já escreveu para políticos através do Twitter angeschrieben? Compartilhe conosco suas experiências.

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Adaptação: Alexander Thoele

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