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Água continua a subir

A cidade baixa de Berna está totalmente tomada pelas águas. Keystone

Nível das águas nos lagos ultrapassa as marcas recorde de 1999. A situação emergencial de várias regiões atingidas pela cheia piora durante a madrugada de terça-feira.

Este conteúdo foi publicado em 23. agosto 2005 - 13:37

No cantão de Berna e no centro da Suíça rios e lagos continuam a subir. Vias de acesso, desfiladeiros e estradas de ferro estão bloqueadas.

A cidade baixa de Berna mostra a violência das chuvas diluvianas que se abatem desde o início do fim-de-semana sobre a Suíça, Áustria e sul da Alemanha.

Às cinco e meia da manhã seus moradores foram acordados. Os bombeiros evacuaram 240 deles e outras 50 pessoas abandonaram voluntariamente suas casas. Com uma vazão de 600 metros cúbicos por segundo, o rio Aare está quase atingindo o nível da inundação recorde de 1999 (620 metros cúbicos por segundo). A cada hora o rio sobe cinco centímetros.

Uma equipe de 107 bombeiros, policiais e membros da defesa civil trabalhou durante toda a noite. Hoje eles receberam o reforço de 150 soldados, que ajudarão nos trabalhos de resgate e reparos de emergência.

Desabrigados

No cantão de Schwyz, região central da Suíça, os bombeiros foram obrigados a evacuar 300 pessoas. Suas casas estavam ameaçadas pela cheia do rio Muota. No cantão de Glarus, o bairro industrial da cidade de Schwanden foi coberto pelas águas do rio Linth.

Em Sarnen, cidade turística próxima de Lucerna, as sirenes de alarme foram acionadas na noite de segunda quando o rio Melchaa transbordou. A prefeitura está tomada pelas águas. Não muito distante, em Engelberg, cem pessoas tiveram de ser retiradas das suas casas e levadas para um hotel localizado numa área mais elevada. A cidade está bloqueada e o fornecimento de energia elétrica foi interrompido.

No cantão de Schwyz, o único acesso à cidade de Brunnen é através do lago. Linhas férreas e auto-estradas estão fechadas no momento para o tráfego. Muitos moradores estão sendo abrigados em tendas de emergência no camping local, que foi visitado ontem pelo presidente da Confederação Helvética, Samuel Schmid.

Massas de água

Todos os moradores da região cortada pelo rio Aare, que nasce na região dos Alpes do cantão de Berna e desemboca no rio Reno, lembra-se da tragédia das cheias de 1999. Na época, o lago de Thun chegou a atingir 559,17 metros acima do nível do mar, sendo que 558,30 é considerado o nível de risco. Ontem, apesar de todas as comportas estarem abertas, o nível do lago chegou a 558,65 metros. Na cidade de Thun, vários bairros foram tomados pela água e deslizamentos de terra bloquearam várias vias de acesso.

Uma das cenas mais impressionantes do dia ocorreu entre Biberist e Gerlafingen, duas comunas localizadas no norte da Suíça. Moradores e curiosos observavam no meio-dia a violência do rio Emmen. Normalmente lá correm entre 50 e 100 metros cúbicos de água por segundo. Com as chuvas torrenciais, estas haviam se transformado numa massa barrenta, onde aparelhos mediam uma circulação de 510 metros cúbicos por segundo.

Especulações

As inundações do fim-de-semana lembram as de 1999 e reacendem a discussão sobre possíveis mudanças climáticas vividas atualmente.

Como explica o comentarista do jornal "Der Bund", muitos cientistas acreditam que as precipitações pluviais e sua distribuição no território estão sofrendo mudanças na Suíça. Porém a grande parte não considera o fenômeno atual das chuvas torrenciais algo anormal.

Em 1999, as inundações foram provocadas devido ao inverno rigoroso, onde muita neve se acumulou nas montanhas dos Alpes. Como a terra havia acumulado muita água durante o ano, apenas duas chuvas torrenciais foram suficientes para causar a catástrofe. Os prejuízos na época foram de 550 milhões de francos.

Em 2005 a situação é diferente: além do inverno ter acumulado muita neve na parte norte dos Alpes, uma massa de ar quente vinda do Mediterrâneo trouxe muita umidade consigo. Trata-se de um efeito de soma de "esforços", traduzida nas chuvas constantes. Os prejuízos calculados já ultrapassam de longe as marcas de 99.

swissinfo e agências

Fatos

Pouco mais de 1.500 pessoas foram evacuadas no cantão de Lucerna, sobretudo em Littau, Wolhusen e Emmen.
Dois bombeiros foram soterrados por toneladas de terra em Entlebuch quando tentavam salvar uma família de agricultores.
Os prejuízos calculados já ultrapassam a marca da inundação recorde de 1999, que chegou a 550 milhões de francos.

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