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Ásia na frente

Setor parece ter passado o otimismo exagerado ao pragmatismo. swissinfo.ch

Com a ausência de grandes fabricantes tradicionais, europeus e norte-americanos, e presença marcante dos asiáticos, o visitante da Telecom 2003 tem impressão de visitar uma feira da Ásia.

Este conteúdo foi publicado em 17. outubro 2003 - 11:03

O continente tornou-se uma locomotiva no setor das telecomunicações.

“A indústria ocidental vive problemas em função da crise econômica mundial. Isto se reflete inclusive numa feira desse porte”, constata Juarez Quadros do Nascimento, ex-ministro brasileiro das Telecomunicações.

A explicação, lembrada pelo ex-ministro, é de que principalmente “dois mercados de grande escala, não estão ocupados”, o da China e o da Índia. O que representaria suporte importante à indústria das telecomunicações.

Mercados colossais

Vladimir Batista, especialista da empresa chinesa ZTE do Brasil, observa também ter havido maior impacto da crise das telecomunicações no Ocidente que no Oriente, com efeitos mais desastrosos, resultantes da globalização generalizada.

“Na China, diz Batista, o mercado está crescendo 20% ao ano. O país tem, então, garantia de crescimento e potencial para manter a euforia no setor das telecomunicações”.

Para John Jacobs, diretor de marketing e de desenvolvimento de telecom, “o Extremo Oriente está dois ou três anos na frente da Europa”. E cita o exemplo do GPS: “Esse sistema de navegação começa a ser implantado na Europa, é bem conhecido no Japão há 10 anos” (Tribuna de Genebra 12.10.03).

Ilusão

No tocante aos telefones celulares de últimas gerações, o Japão é considerado líder, mesmo que nem todas as novidades sejam realmente úteis.

No Japão e Coréia do Sul, haveria pelo menos 25 milhões de usuários do UMTS, o chamado telefone de terceira geração – 3G – utilizado nesses países para envio de vídeos e fotos.

Na Suíça, por exemplo, somente as empresas têm acesso a esse serviço, por enquanto.

No fim da década passada, pensava-se que em 2002 se poderia assistir TV e surfar na Internet à velocidade da luz, graças aos modelos UMTS (Universal Móbile Telephone Service).

“Fratura digital”

No setor das telecomunicações, a Coréia do Sul, por exemplo, parece não ficar atrás do Japão. No país, segundo Vladimir Batista, 60% das residências têm banda larga. No Brasil, com 800 mil usuários desse serviço Internet super-rápido, estamos longe de 1%.

Poder-se-ia falar então de fratura digital, mesmo se essa nova expressão foi cunhada para expressar a brecha - ou melhor o rombo - existente entre a implantação das novas tecnologias das telecomunicações nos países ricos e pobres (categoria em que o Brasil não figura).

Extrapolamos para assinalar que o potencial de crescimento no Brasil nessa área é considerado enorme. Em outras, como na do telefone fixo, tem aumentado de 50 a 100% por ano. Em 2002, o crescimento foi de 100%.

Discrepâncias

A esse respeito, Juarez Quadros do Nascimento estima que devia haver “uma complementaridade de serviços entre o móvel e o fixo”. Segundo Nascimento, no País há “participação” maior do móvel: “No Brasil já estamos com mais de 50% de acessos moveis em relação ao fixo”.

É uma tecnologia de que, entretanto, a camada pobre da população está excluída.

O País parece envidar esforços para não ficar muito para trás no tocante às novas tecnologias. O Brasil está com uma “discussão muito forte” para saber, por exemplo, que padrão de TV digital deve adotar, lembra Nascimento. É o caminho indispensável para chegar à IPTV, de que falamos em artigo sobre a Telecom 2003.

Inclusão social

Mas não é preciso ir tão longe para constatar outra fratura, a fratura social. Mesmo o simples e tradicional telefone fixo ainda a revela. Nos países do Primeiro Mundo a demanda de serviços foi plenamente atendida no setor. Nos países em desenvolvimento há ainda espaço para expansão.

“Pena que existem os países subdesenvolvidos, principalmente os países africanos, onde a penetração é baixíssima”, diz o ex-ministro Quadros do Nascimento. “Aí, realça, é preciso um trabalho de inclusão – que nem é digital – é de inclusão social”.

O tema será abordado amplamente, em Genebra, de 10 a 12, por ocasião da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação.

Será uma oportunidade, como disse Kofi Annan, secretário geral da ONU, de “refletir sobre os meios de reduzir a fratura numérica”.

swissinfo, J.Gabriel Barbosa, Genebra

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