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"Pensar com os sentidos e sentir com a mente"

Fachada do pavilhão suíço em Veneza.

(swissinfo.ch)

Os jacarés pintados de rosa estão por todos os lados. E eles parecem lagartixas grudadas nas paredes das fachadas dos prédios de Veneza.

Não se trata da "tropicalização" do ecossistema da laguna da famosa cidade, ainda, mas sim da intervenção da arte na cenografia urbana-áquatica da Sereníssima-como ela era chamada no tempo da Republica Marinaia- por conta da Bienal de Artes.

A principal festa da arte contemporânea está de volta trazendo pela primeira vez um diretor americano, Robert Storr.

Ele disse a que veio norteando a grande quermesse da arte internacional em cima da arte presente, privilegiando a linguagem audiovisual, um reflexo da atual sociedade..

Desta vez, os suíços ocuparam o seu pavilhão permanente com obras que fazem "pensar com os sentidos e sentir com a mente", fieis ao slogan da edição deste ano.

Telas coloridas e instalações audiovisuais

A sede helvética nos Jardins do Castello recebeu as obras de dois artistas de casa, Christine Streuli e Yves Netzhammer, e muitos visitantes estrangeiros.

Divididos entre as telas coloridas da primeira e das instalações audiovisuais do segundo, eles saíam de uma sala para outra como se buscassem, em ambos, a complementação das propostas artísticas e as suas chaves de leitura.

Christine Streuli explode todas as cores do mundo nas telas de uma enorme sala recoberta com formas geométricas e figurativas. Quadros estáticos que se movem diante de uma pigmentação intensa e desenhos no limite do psicodélico. E ganham novas tonalidades com o passar das horas graças à luz do dia que penetra e "imprime" no espaço interno a sua assinatura temporal.

"Colour Distance" é o nome desta exposição que prende a atenção do espectador e o leva a todas as direções possíveis. Cercado pelos quadros de forte impacto visual, pendurados em paredes pintadas como extensão das telas, eles submergem dentro de um caledoscópio de traços e desenhos.

Buscar a bússola

"É como se estivéssemos buscando uma bússola, uma orientação, um sentido para seguir, mas sendo atraídos para todos os lados acabamos ficando imóveis, quase hipnotizados", brinca a italiana Giuliana Costa.

Ao final, tem-se a sensação de ser o visitante a tela em meio a uma moldura de quadros. Um genuíno e aceso diálogo entre o espectador e a obra artística acontece com a permissão de ambos.

A sala se transforma quase num exercício para o sentido da visão. Um labirinto de imagens, mais do que motivos pintados, convida o visitante a mergulhar num universo de cores e figuras.

"Para mim, a forma é o conteúdo. As duas coisas estão lado a lado porque uma não pode existir sem a outra", afirma Christine Streuli sobre a sua pintura.

Dos "painéis solares" de Christine Streuli para as animações gráficas de Yves Netzhammer é apenas uma questão de alguns passos.

Som e imagem

A instalação deste artista multi-visual abraça toda uma ala do pavilhão invadindo até mesmo o teto projetado fora dos muros. Da rua em frente a "casa helvética" notam-se alguns desenhos e se escuta a trilha de 14 canais de Bernd Schuer usados na última criação de Netzhammer: um mergulho no lado escuro e claro da alma do homem.

Os projetores de vídeo exibem nos monitores cenas inquietantes de corpos e máquinas que atravessam diferentes dimensões de tempo e espaço. Quatro diedros rodam sobre dois eixos e criam planos/obstáculos- para a travessia de homens e aviões.

Yves Netzhammer elabora um universo paralelo no qual culturas distintas e distantes, intocáveis entre si, acabam entrando em colisão. Ao final provocam inevitavelmente uma contaminação de percepções e pontos de vista e de atitudes diante da vida.

Figuras de cores diferentes se tocam e se fundem em um longo abraço como se doassem um ao outro o ser conhecido ao estranho recém-chegado.

A instalação ocupa ainda uma sala cinematográfica criada dentro do pavilhão a "meio andar" da terra. O chão "destacado" do térreo em uma inclinação de 18 graus e pinturas iguais àquelas reproduzidas no teto.

É como se um novo e inusitado plano chamasse o visitante a conhecer um outro espaço, até o momento ignorado. A escuridão deste ambiente é rompida pelos filmes de animação gráfica, criando uma interação e uma quase dependência de orientação imediata entre a instalação e o espectador.

Respeito do cenário religioso

A viagem suíça pelo mundo das artes contemporâneas em Veneza continua fora de suas fronteiras armadas nos Jardins. Dentro da igreja barroca de San Stae, às margens do Canal Grande, Urs Fischer e Ugo Rondinone criaram uma exposição que, surpreendentemente, não sente e nem profana o peso histórico do sagrado cenário religioso.

Um cubo branco abriga as três oliveiras do artista Ugo Rondinone. Símbolos do mediterrâneo-alusão as raízes italianas do autor-, essas esculturas, fundidas em alumínio e pintadas de branco, ganham uma dimensão bíblica abrindo uma conexão entre a obra em si e o seu contexto ao redor.

Já as paredes do cubo ganham vida com as fotografias de Urs Fischer. Elas retratam o pó em decomposição. A captura deste instantâneo microscópico e a sua amplificação são dois movimentos que geram uma nova imagem, quase uma pintura de efeito especial.

swissinfo, Guilherme Aquino, Veneza

Fatos

76 paises participam da 52th edição da Bienal de Arte de Veneza.
As nações são dos cinco continentes, 20 da América Latina, 17 da Ásia, 2 da América do Norte, um da Oceania e um da África.
A Bélgica comemora o centenário do seu pavilhão.
34 eventos colaterais acontecem em Veneza por conta da Bienal também nas ilhas de San Servolo, San Lazzaro degli Armeni e Sant'Erasmo.
A exposição acontece em palácios espalhados pela cidade, alem dos pavilhões instalados nos Jardins e no Arsenal.
A Bienal começou no dia 10 de junho e vai ate o dia 21 de novembro.

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