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"Posso agora defender meu país"

Muitos vieram de longe para Crans-Montana, entender mais sobre o seu próprio país através dos debates sobre o mercado financeiro.

(swissinfo.ch)

Mais de 400 pessoas participam de palestras com a nata do mercado financeiro suíço, durante o 81o Congresso de Suíços do Estrangeiro em Crans-Montana.

Durante três dias, várias gerações de migrantes e descendentes aprenderam mais sobre a realidade do seu país, inclusive graças à ajuda do próprio presidente suíço.

“Vou retornar feliz para o Brasil, pois agora já tenho informações suficientes para explicar a Suíça para a minha família e os brasileiros. Muitas vezes, eles só conhecem a minha pátria através do noticiário negativo na imprensa”, explica Paul Locher um suíço aposentado que emigrou nos anos cinqüenta para o Brasil.

Alem de Locher, mais de 400 pessoas participaram do 81o Congresso de Suíços do Estrangeiro.

Eles não eram, seguramente, os representantes mais jovens da colônia no exterior. Afinal, cada um havia pago do próprio bolso a viagem e hospedagem em Crans-Montana, um dos endereços mais exclusivos do turismo de inverno na Europa no cantão do Valai, uma espécie de St. Moritz menos conhecida.

Embaixadores informais

O grande empenho dos participantes não se explica somente pelo caráter social do encontro. Durante três dias, os participantes se consideram “embaixadores informais” do seu país. O suíço do estrangeiro tem não somente direito ao voto e à aposentadoria, caso esteja em dia com suas obrigações, mas também se sente obrigado a explicar um país que, apesar dos clichês, é muito pouco conhecido. Quem sabe afinal o nome do presidente suíço?

O próprio esteve em pessoa em Crans-Montana. Originário do cantão do Valais, o ministro do Interior e atual presidente suíço, Pascal Couchepin falou aos seus conterrâneos sobre um dos problemas do país.

“A imagem da Suíça é muito boa na Ásia e na América Latina. Na Europa, porém, ela não é boa, sobretudo entre a população jovem”, declara Couchepin.

Essa imagem está intimamente ligada aos bancos suíços, tema de muitas reportagens-escândalo na imprensa mundial. Não foi à toa que ele foi escolhido como o tema principal do congresso.

Banqueiros e políticos em Crans-Montana

Nesse objetivo, os organizadores do congresso trouxeram não só pesos-pesados do mercado financeiro suíço, como até críticos ferrenhos dos bancos, como o político suíço Remo Gysin, deputado federal do Partido Socialista.

“A Suíça é o único país no mundo que ajuda a sonegação internacional de impostos”, acusa Gysin, que explicou a diferenciação suíça de fraude e sonegação fiscal e também mostrou uma transparência listando a fortunas de ditadores e políticos internacionais acusados de corrupção, já encontradas em bancos suíços, como Ferdinand Marcos, Mobutu Sese Seko, Benazir Bhutto, Sani Abacha, Vladimiro Montesinos, Nursultan Nasarbajew, Menen e até Milosevic.

Apesar de aceitarem erros cometidos pelos bancos, pessoas como Jean-Pierre Roth, presidente do Banco Central Suíço, e Michel Dérobert, secretário-geral da Associação Suíça de Banqueiros Privados não aceitaram as acusações do deputado socialista e tentaram explicar ao público a importância do mercado financeiro para a Suíça.

“Atualmente o setor financeiro corresponde a 13% do PIB da Suíça. Em países com centros financeiros importantes como Londres e Frankfurt, esse setor não responde nem a metade dessa ordem. O emprego de 104 mil pessoas depende dos bancos”, conta Roth.

“É preciso saber que a Suíça sofre uma grande concorrência de outros mercados financeiros importantes como o dos Estados Unidos. Todos estão atrás do dinheiro. Nesse sentido, temos de ser pragmáticos, respeitando, porém, as leis”, ressalta Dérobert.

Leis contra lavagem

“Nos desenvolvemos na Suíça um dos sistemas mais avançados de controle dos mercados financeiros: em 1990 nós criminalizamos a lavagem de dinheiro ilícito no Código Penal e adotamos mesmo uma lei específica sobre a lavagem de fundos. Ela entrou em vigor em 1998”, afirma o diplomata William Frei, vice-chefe da Divisão de relacionamento econômico e financeiro do Ministério das Relações Exteriores.

“A Suíça foi o único país, dos 18 que foram contatados pelo governo da República do Congo, a congelar os bens do antigo chefe de Estado Mobutu. Lembro que ele também tinha dinheiro depositado em outros países”, lembra ainda o diplomata.

Argumentos e contra-argumentos. A mesa redonda de representantes de bancos, instituições e partidos serviu para os suíços do estrangeiro entenderem mais sobre o seu país e talvez, até defendê-lo.

Afinal, “no peito do imigrante sempre bate o coração suíço”, concluí Paul Locher, o suíço que, em algumas semanas, retorna ao Brasil.

swissinfo, Alexander Thoele em Crans-Montana


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