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A subida à terra prometida

Vista de Nova Friburgo em 1830, de J. Steinmann.

Os navios acostam na Baia do Rio de Janeiro, de 04 de novembro de 1819 a 08 de fevereiro de 1820.

Os momentos iniciais seguem o mesmo cenário.

Os suíços passam a primeira noite brasileira nas redes dos veleiros. Ao pôr-do-sol, admiram o panorama da capital do Brasil: as igrejas e conventos, morros e fortes. Recebem acolhida calorosa. Mons. Miranda, inspetor da colonização, os visita e os reconforta. Eles comem pela primeira vez laranjas e bananas. Tomam vinho e cachaça. Quando desembarcam os passageiros do Debby-Elisa, os brasileiros observam que eles são pobres mas robustos. Em seguida, os emigrantes atravessam a baia em lanchas.

E desembarcam em Tamby. Felizes por se acharem novamente em terra firme, eles descansam cinco dias. De vez em quando, voltam o olhar para a Serra do Mar e procuram localizar a futura colônia. Descansados, sobem o rio até Macacu, grande povoado, com uma bela igreja e um convento. O mosteiro é transformado em hospital. Ali, eles deixam seus doentes e os moribundos.

E a caravana continua a viagem. Os homens vão a pé enquanto os carros de boi transportam as mulheres e crianças. Na Fazenda do Colégio, eles descobrem o que é uma grande fazenda e um engenho de açúcar, utilizando mais de 300 escravos. No dia seguinte, a caravana chega ao sopé da montanha. Os colonos sobem trilhas de terra vermelha, em plena floresta tropical, entrecortada por inúmeros riachos. Por essa trilha, os escravos carregam as crianças. Os suíços atravessam a região serrana, de mais de mil metros. Um dia, em meio à bruma de novembro, descobrem filas de casas num vale cercado de montanhas: Nova Friburgo!

Finalmente, a terra prometida! Infelizmente, ainda terão que enfrentar outras provas para desfrutar da terra prometida. Muitos não a encontrarão jamais ou talvez a encontrem em outras regiões.

17 de abril de 1820, nasce Nova Friburgo

Em Morro-queimado, os colonos passam Natal e Ano Novo ao sol do verão brasileiro. E pensam na neve que cobre os tetos de suas antigas habitações. Contam as aventuras da travessia e ficam inquietos com a falta de notícias de dois navios: "Camillus'' e "Deux Catherine". Só dia 18 de fevereiro a colônia estará completa. Os passageiros do " Deux Catherine " passaram 146 dias no mar. Aos poucos os suíços se adaptam ao novo meio e aprendem nomes e virtudes da flora e da fauna. À noite, olham as estrelas novas que surgem no céu e mostram especial carinho pelo Cruzeiro do Sul. Os maus-tratos infligidos aos escravos os comovem e escandalizam. Já a visita dos índios, com suas flechas, seus sorrisos, seus cabelos lisos e sua nudez, inicialmente, perturbam mas, depois, eles se acostumam.

Em março, Monsenhor Miranda adota as primeiras medidas contra o roubo, regulamenta a caça e fomenta a higiene. Com a ajuda do Dr. Bazet e do Padre Joye, reparte os habitantes pelas casas da vila. Ao mesmo tempo, organiza o correio e indica Claude Friaux como postilhão. Em seguida, nomeia o francês Quévremont chefe de Polícia, que, por sua vez, divide a vila em cinco circunscrições, tendo cada uma seu subchefe: François de Schueller, Charles Schmid, Jean-Claude Bongard, Gaston Nigg e Daniel Frey.

As autoridades brasileiras procuram integrar os suíços à nova pátria. Eles se tornaram brasileiros e súditos de um rei católico. As cerimônias se sucedem para explicar aos suíços a nova realidade. Dia 17 de abril, a colônia comemora a criação da cidade, a eleição da primeira Câmara Municipal e a sua entrada na história do Brasil. Protestantes se convertem. Dia 23 de junho, a festa do padroeiro termina com um torneio. Os suíços colocam a imagem do Rei nos seus chapéus. Em 6 de agosto, Joye abençoa o estandarte real e lança a primeira pedra da pirâmide da Praça Dom João VI.

Nesse meio tempo, os suíços se preparam para a agricultura. Comparam o.psóprío . sistema agrícola ao dos brasileiros. Alexis Thorin elogia as campinas e acha até ser possível fabricar o queijo Gruyêre em Morro-queimado. No dia 26 de abril, depois da missa, os chefes de família recebem, por sorteio, seus lotes de terra.

Monsenhor Miranda possui grandes ambições, em relação à cidade. Tem, por exemplo, projetos de escola, museu, hospital e biblioteca. No entanto, o desenvolvimento de Nova Friburgo não depende, apenas, de sua cabeça, mas, principalmente, das mãos e dos produtos dos colonos suíços.

Dados históricos

03 de janeiro de 1820 : o Rei decreta a fundação da vila de Nova Friburgo.

18 de fevereiro de 1820 : a colônia está completa e conta 1.631 pessoas.

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