Acusado de assassinar português teria ligações com grupos jiadistas

Imagem simbólica: policiais e agentes da perícia fazem a perícia em um restaurante no vilarejo de Giubiasco, no cantão do Ticino, onde, em 17 de maio de 2020, três pessoas foram mortas à tiro. Keystone / Pablo Gianinazzi

Segundo investigação do canal público de televisão SRF, o homem contra o qual a Procuradoria Geral da Suíça abriu processo criminal é uma pessoa residente na região de Lausanne.

Este conteúdo foi publicado em 15. setembro 2020 - 10:00

O cidadão suíço-turco de 26 anos é suspeito de ter esfaqueado um imigrante português em um restaurante no vilarejo de Morges (cantão de Vaud, a oeste da Suíça) na noite de sábado (12 de setembro). Hoje a Procuradoria Geral (BA, na sigla em alemão) anunciou que assumiu as investigações, pois um possível motivo terrorista não pode ser descartado.

O suspeito foi preso no domingo. Ele é conhecido das autoridades de segurança suíças há vários anos, dentre outras razões, devido às suas conexões com grupos islâmicos radicais na Suíça.

A vítima é um cidadão português de 29 anos de idade que havia chegado há pouco na Suíça. Ele visitava um restaurante turco em Morges junto com outro companheiro. Então foi esfaqueado lá por uma pessoa desconhecida, de acordo com reportagens publicadas na imprensa francófona.

O canal SRF revela agora a identidade do suspeito desconhecido: trata-se de uma pessoa de origem turca residente na região de Lausanne, 26 anos de idade e com ligações conhecidas com grupos radicais islâmicos ativos na Suíça.

As autoridades federais investigam agora se o ato foi cometido por motivação jiadista. Um porta-voz do BA não descarta a possibilidade. 

As conexões do homem com o meio islâmico suíço já são conhecidas desde 2017. Ao mesmo tempo, há registra de distúrbios mentais, uma combinação que poderia ter sido fatal, mas que ainda não foi totalmente esclarecida.

Registros policiais

Entretanto, de acordo com a SRF, o suspeito já havia atraído a atenção do Serviço Federal de Inteligência (NDB) não apenas por suas conexões islâmicas, mas também por causa de outro crime, do qual ele também seria suspeito de ter cometido.

Foi uma tentativa de ataque incendiário a um posto de gasolina na primavera de 2019, em uma região a oeste da Suíça. De acordo com as investigações, o suspeito foi detido provisoriamente, sendo que a detenção foi prolongada várias vezes. Porém em julho de 2020 foi posto em liberdade.

A BA nem o serviço de inteligência se abstiveram de dar mais detalhes sobre as investigações. O processo criminal de 2019 ainda não foi concluído e o crime atual ainda está sendo averiguado. A presunção de inocência se aplica ao suspeito.

Caso o crime se qualifique como um atentado de fundo islâmico, seria o primeiro em solo suíço. Outro agravante da morte ocorrida no sábado seria uma possível falha da Justiça: aparentemente, depois que o acusado foi libertado da prisão em julho, deveria ter sido internado em uma clínica psiquiátrica. Não está claro se isso ocorreu.

Na segunda-feira (14.09), 150 pessoas foram depositar flores e velas no restaurante onde o português morreu na noite de sábado.

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