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Um paciente com tuberculose recebe medicação no Hospital da Tuberculose de Tshepong, em Kleksdorp, África do Sul, no dia 12 de março de 2015

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Após ser muito criticada em 2000 por sua demora em reagir à epidemia de aids, hoje a África do Sul é pioneira na distribuição de um novo antibiótico contra a tuberculose multirresistente.

Desde 2013, cerca de 217 sul-africanos estão entre os 500 pacientes espalhados em todo o mundo que recebem tratamento com bedaquilina, um medicamento da farmacêutica norte-americana Janssen, e cerca de 3.000 serão adicionados este ano.

A Organização Mundial Da Saúde (OMS) acaba de autorizar este medicamento, o primeiro em 40 anos para curar a tuberculose, embora eles ainda não tenham completado todos os testes clínicos.

Além disso, o tratamento é muito caro, o que explica sua limitada administração.

A África do Sul, assim como a Rússia, tem a intenção de chegar rapidamente a uma velocidade maior.

Na clínica da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), no coração da grande favela de Khayelitsha, na Cidade do Cabo, o boca a boca já funciona.

"Todo mundo já ouviu falar que é aqui onde você pode obter o melhor tratamento", contou a médica britânica Jennifer Hughes.

A tuberculose multirresistente é um "grande problema de saúde pública" na África do Sul, explicou Norbert Ndjeka, responsável pela luta no ministério da Saúde sul-africano.

Todos os anos há cerca de 12.000 casos. Muitos contraem a doença após deixarem prematuramente o tratamento convencional por falta de dinheiro, ou por não respeitar as doses prescritas. Outros ficam doentes por contágio com pessoas já contaminadas com o germe na forma multirresistente.

Para esses pacientes, nenhum dos dois tratamentos convencionais mais poderosos - isoniazida e rifampicina - surtem efeito, e a bedaquilina oferece uma alternativa promissora.

Há também um novo tratamento semelhante, a delamanida, desenvolvida pela farmacêutica japonesa Otsuka.

"Vamos introduzi-lo por volta de junho ou julho. Não dá para fazer tudo de uma vez", afirmou Ndjeka.

Doença das minas

A tuberculose - curável, mas mortal se não for tratada - é endêmica na África do Sul, país do mundo onde existe maior chance de contrair a doença (400.000 novas infecções por ano).

Nas minas sul-africanas, a tuberculose mata duas vezes mais do que acidentes de trabalho.

Esta doença dos mineiros com o pulmão danificado por pela insalubridade do trabalho subterrâneo, tem sido favorecida pela epidemia de aids, que enfraquece o sistema imunológico. A África do Sul tem 6,4 milhões de HIV-positivos, um recorde mundial em proporção à população total.

À semelhança de outros antituberculosos, a bedaquilina tem efeitos colaterais, que podem levar a complicações cardíacas ou problemas de fígado.

"Por enquanto, não sabemos quase nada da nova droga", explicou Andrew Black, pneumologista da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo. "Vai passar muito tempo antes de sabermos se nós ganhamos a batalha. Mas pelo menos não é como a aids, não estamos em negação", afirmou, referindo-se à atitude do governo sul-africano ante o vírus da imunodeficiência humana (HIV).

Foi necessário esperar até 2004, depois de muitas imprecisões, para que um programa de distribuição gratuita de medicamentos antirretrovirais começasse, embora a epidemia já tivesse se alastrado.

A MSF, que administra várias clínicas descentralizadas, insiste que esta nova molécula seja usada. "A difusão muito lenta da bedaquilina é um escândalo", criticou a ONG em dezembro passado, ressaltando que sua utilização é "fundamental" na África do Sul e em outros países.

Os primeiros 217 pacientes em quatro centros-piloto sul-africanos receberam a bedaquilina oferecida gratuitamente pelo laboratório Janssen.

Mas para os cerca de 3.000 pacientes que serão adicionados este ano, será o governo que vai pagar uma taxa de 1.000 dólares para seis meses de tratamento. Nos países desenvolvidos, a bedaquilina é muito mais cara (30.000 dólares para seis meses).

AFP