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O presidente do México, Enrique Peña Nieto, durante entrevista coletiva na Cidade do México, no dia 13 de agosto de 2015

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O ministério mexicano da Administração Pública, organismo anticorrupção do país, determinou que nem o presidente, Enrique Peña Nieto, nem o ministro das Finanças, Luis Videgaray, incorreram em conflito de interesses na compra de luxuosas casas junto a concessionárias públicas.

"Foi determinado que não houve nenhum conflito de interesses já que nem Peña Nieto, nem Videgaray incorreram em qualquer ação parcial relacionada com suas atribuições públicas ou participaram de alguma forma nos contratos", declarou o ministro da Administração Pública, Virgilio Andrade.

Uma investigação foi iniciada há seis meses, após um jornal revelar em novembro que a primeira-dama, Angelica Rivera, tinha adquirido uma mansão de quatro milhões de dólares de uma das principais concessionárias do governo antes da vitória eleitoral de Peña Nieto em 2012.

Posteriormente, soube-se que Peña Nieto e seu ministro Videgaray haviam feito compras semelhantes no passado.

Peña Nieto negou qualquer irregularidade mas para enfrentar a polêmica, em meio a uma crise política pela desaparição dos 43 estudantes de Ayotzinapa, pediu a Andrade em fevereiro que investigasse os contratos públicos para determinar se essa empresa foi beneficiada em processos de concessão

Em sua investigação, Andrade determinou que não houve conflito de interesses porque todas as casas foram adquiridas antes de Peña Nieto e Videgaray se tornarem funcionários federais e as condições de compra das casas não foram posteriormente modificadas em seu favor.

A conclusão da investigação da Administração Pública "demonstra que tanto minha conduta quando a de minha esposa estiveram plenamente de acordo com a lei", afirmou Peña Nieto no final de uma sessão do Conselho Nacional de Segurança Pública.

"No entanto, estou consciente e reconheço que estes acontecimentos deram lugar à interpretações que lamentaram e inclusive indignaram muitos mexicanos. A todos eles ofereço minhas sinceras desculpas", declarou.

A investigação tem enfrentado suspeitas desde o início, uma vez que Andrade é membro do gabinete de Peña Nieto, já teve cargos pelo partido governista PRI e reconheceu ter uma relação pessoal com Videgaray.

Nem ao presidente, nem ao ministro das Finanças "corresponde participar de contratações ou da supervisão da execução de tais contratos", declarou Andrade durante um coletiva de quase três horas.

O funcionário detalhou que colheu declarações mediante perguntas por escrito de 111 servidores públicos envolvidos nos 33 contratos públicos com os contratistas, que negaram ter recebido ordens ou terem sido pressionados para favorecer essas empresas.

"Quem pode acreditar na versão de quem é juiz e júri? (...) A sociedade exige conhecer a verdade, já não tolera mais corrupção e impunidade", declarou o presidente do esquerdista PRD, Carlos Navarrete, no Twitter.

O resultado desta investigação "é um escárnio que ofende os mexicanos e confirma a impunidade em nosso país", denunciou o novo líder do PAN (conservador), Ricardo Anaya.

Andrade negou que sua investigação sofra de falta de credibilidade e, para dar mais certeza, disse que os interrogatórios não estão só à disposição de um painel de especialistas para sua revisão, como estava previsto inicialmente, mas que o registro será público para que seja "plenamente transparente".

Em um entrevista posterior por rádio, Andrade disse que após a coletiva falou com Peña Nieto e este se limitou a dizer que "tomava nota" da investigação.

AFP