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"Almagro faz mais parte do problema do que da solução" na Venezuela, diz o candidato peruano a OEA

El diplomático peruano Hugo de Zela durante una entrevista con AFP en la cancillería peruana, el 30 de enero de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 31. janeiro 2020 - 17:51
(AFP)

O embaixador peruano Hugo de Zela, aspirante a desbancar o uruguaio Luis Almagro da secretaria-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), afirma que o seu rival, por causa da oposição polarizada e midiática a Nicolás Maduro, "faz mais parte do problema do que da solução" para a crise venezuelana.

Diplomata de carreira, antigo vice-ministro das Relações Exteriores e atual embaixador nos Estados Unidos, De Zela foi responsável por articular o Grupo de Lima, em 2017, um bloco de nações das Américas que sugere uma saída pacífica para a crise na Venezuela.

Os outros dois candidatos à secretaria-geral da OEA são a ex-ministra equatoriana María Fernanda Espinosa e Luis Almagro, que conta com o apoio do Estados Unidos e que, em 2015, tinha declarado que não iria se candidatar a reeleição. A votação está prevista para o próximo 20 de março.

Segundo De Zela, caso haja uma vitória de Almagro ou Espinosa, os países da OEA continuarão polarizados e a crise venezuelana não terá avanços para chegar a uma solução. Ele afirma que, caso seja eleito, o órgão voltará a ser um "local de diálogo" que encontrará uma solução.

De passagem por Lima, o candidato conversou na última quinta-feira (30) com a AFP em um salão no Palácio de Torre Tagle, sede da diplomacia peruana.

- Por que o Peru decidiu levar um candidato a OEA?

R: Porque o Peru quer contribuir para que este continente, que está tão polarizado, volte a ser um lugar de encontro onde os países membros da Organização possam sentar-se, discutir os problemas e buscar soluções em conjunto.

- Como definiria a sua candidatura?

R: Essa candidatura não é contra ninguém. É uma candidatura a favor do diálogo, que busca voltar a trabalhar uma OEA para os países membros.

As outras duas candidaturas lamentavelmente são um exemplo da polarização que existe no continente. Nós pretendemos oferecer aos países-membros uma opção moderada, mas ao mesmo tempo eficaz para os problemas.

Não devemos confundir ganhar espaço na mídia com o fato de isso surtirá efeito. Consideramos que o importante é ser objetivo e isso é o que oferecemos.

- "Recuperar o papel" -

- O Peru traz um candidato porque está insatisfeito com a gestão de Almagro?

R: O problema da atual gestão é que ela tem feito parte da polarização, faz mais parte do problema do que da solução.

Nós acreditamos que a figura de um secretário-geral deve ter características importantes. A primeira delas é a capacidade de diálogo, e nesse momento isso infelizmente não acontece, e quando ocorre é somente com alguns países. Nós pretendemos recuperar o papel da organização como um local de diálogo para todos os países.

- Por que o seu país também não aprova a outra candidata?

R: Porque ela tem o mesmo defeito do outro candidato. Há todo um grupo de países que consideram essa candidatura como um outro extremo ideológico, e na prática também não consegue fazer o que propõe, quer dizer, conseguir dialogar. É uma candidatura atacada inclusive em seu próprio país.

- "Mais diplomacia" -

- Qual o papel do Estados Unidos nessa campanha?

R: É um país de importância fundamental para a organização. Eles decidiram há um tempo apoiar o Almagro, mas o que eu tenho em comum com os EUA é o fato de promoverem princípios sob os quais a OEA foi fundada, como a democracia e os Direitos Humanos.

- A campanha à secretaria-geral da OEA afetou o Grupo de Lima, que o Peru e você articularam?

R: Diria que não. O Grupo de Lima está dedicado exclusivamente ao tema Venezuela e quanto a isso segue funcionando sem problemas. Então, esse grupo não tem a ver com as candidaturas, é um tema que ficou fora da discussão.

- Você não teme que a Venezuela monopolize o debate eleitoral da OEA?

R: O tema da crise diplomática venezuelana é algo fundamental e o que falta para resolvê-lo é um pouco mais de diplomacia. Não buscar tanto as manchetes, mas sim uma aproximação eficaz para compreender profundamente o problema e encontrar uma solução a partir de pontos em comum. Todos os países têm que fazer parte desse objetivo, algo que não acontece hoje em dia.

- "O Peru sabe que vai ganhar" -

- Sobre o que a OEA e o Grupo de Lima discutem, já que conseguiram resolver a crise na Venezuela?

R: O Grupo de Lima foi criado porque as iniciativas feitas pela Celac, a Unasul e a OEA não renderam frutos. Criou-se o Grupo de Lima, e isso deve ser lembrado, para que se encontrasse uma solução venezuelana, uma solução a partir do diálogo e que não faça uso da força.

Talvez tenhamos que ajustar esse processo. Nesse momento há uma discussão interna no grupo para cobrar a sua eficácia e eu acredito que isso irá acontecer.

- Caso você seja eliminado, qual outro candidato o Peru apoiará?

R: Ah, o Peru não pensa nisso porque sabe que vai ganhar.

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