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'Cada dia pior': manifestantes protestam contra Maduro em meio a longo apagão

Manifestante enfrenta policial em Caracas afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 09. março 2019 - 20:09
(AFP)

Quando Edward Cazano saiu às ruas, sua residência estava há 40 horas sem energia. Milhares de opositores convocados pelo líder parlamentar Juan Guaidó protestaram neste sábado em Caracas, cansados do governo de Nicolás Maduro, e em meio a um apagão que atinge toda a Venezuela desde a última quinta-feira.

"Cada dia pior. Temos os piores serviços do mundo: sem luz, água, e, às vezes, sem gás", reclamou Cazano, 20, que mora com a mãe e os três irmãos mais novos no bairro popular Pinto Salinas, em Caracas.

Cercado por uma multidão e diante de policiais do batalhão de choque, o rapaz exibia um cartaz com a seguinte mensagem: "Incapazes de proteger o sistema elétrico, responsáveis por mortes nos hospitais e pelos milhões que foram roubados". "Eu o escrevi no escuro", contou.

O governo Maduro atribui o apagão a um "ataque cibernético" promovido pelos Estados Unidos. "Que ataque cibernético? A luz é cortada toda hora", criticou a dona de casa Cecilia Henríquez, 56, que participou da manifestação na avenida Victoria, que liga ao centro da capital venezuelana.

"Nunca tínhamos ficado tantas horas sem luz", assinalou Cazano, estudante de contabilidade.

Especialistas responsabilizam o governo socialista, acusando-o de falta de investimentos em infraestrutura em meio à crise econômica, além de negligência na manutenção e corrupção.

- 'São patéticos' -

O descontentamento é visível. "Os serviços de água, luz e telecomunicações são patéticos", reclamou Roxana García, 20, moradora de Catia, outra região popular de Caracas. Segundo ela, já houve até dois meses de falta d'água. Quando isto acontece, conta, vizinhos juntam dinheiro para contratar um carro-pipa.

Roxana, que afirmou ter ficado presa por uma semana com sua mãe por causa dos protestos que deixaram 125 mortos em 2017, tenta negociar com os agentes da Polícia Nacional Bolivariana (PNB) que bloqueiam a passagem na avenida Victoria. Seu irmão está preso atualmente, afirma.

"Nós lutamos por todos, inclusive por suas famílias", diz a jovem a um dos policiais.

"Guaidó! Guaidó!", gritam manifestantes. O líder opositor pede reiteradamente a policiais e militares que não reconheçam Maduro.

Preocupado com a situação política, Cazano diz esperar que Guaidó mantenha a pressão, mas deseja um apoio maior da comunidade internacional, incluindo uma intervenção militar.

"Estou disposto a continuar marchando, protestando, mas precisamos com urgência de mais apoio internacional", expressou, sem temer a "opção militar" citada pelo presidente americano, Donald Trump, frente a crise venezuelana.

Diante de gritos de um grupo de manifestantes que lhe pedia que aplicasse um artigo da Constituição que autoriza "missões militares venezuelanas no exterior ou estrangeiras no país", Guaidó disse em um megafone que o fará apenas "quando o momento chegar".

A tensão política coincide com um colapso econômico que já provocou o êxodo de 2,7 milhões de venezuelanos desde 2015, a maioria jovens, segundo a ONU.

"Não quero ir embora. Quem tem que ir é Maduro. Para onde tiver vontade, mas que vá embora", pediu Cazano.

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