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Um visitante interage com jogo instalado por artistas argentinos na Conferência Internacional Conjunta de Inteligência Artificial, em Buenos Aires, no dia 29 de julho de 2015

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A ciência dará à luz num futuro não tão distante um "carro fantástico" como o da popular série de televisão dos anos 1980, um progresso da inteligência artificial cujo lado obscuro são os temíveis robôs assassinos.

"Que existam robôs-soldados ou drones que decidam quando, onde e quem matar na guerra é perigoso. Mas a inteligência artificial (IA) tem boas aplicações, na medicina ou em carros auto-dirigíveis", afirmou à AFP em Buenos Aires o pesquisador catalão Ramón López de Mántaras.

O convite de López a ser mais otimista sobre os avanços da ciência e a tecnologia foi a reação nesta quarta-feira aos sombrios vaticínios da carta divulgada na terça-feira contra as armas ofensivas autônomas, que reuniu milhares de assinaturas, entre elas a do astrofísico britânico Stephen Hawking.

O chamado impactou também pela coincidência com a realização na capital argentina da Conferência Internacional Conjunta sobre Inteligência Artificial, com mais de 1.200 pesquisadores de todo o mundo, muitos deles signatários da carta.

"Quando os irmãos Curie pesquisavam a radioatividade e o átomo, não estavam pensando em uma arma nuclear. Não é possível parar a ciência, é insensato freá-la. Não acredito na profecia de que a IA irá superar a humana", explicou López, diretor do Instituto de Pesquisa em IA de Barcelona.

Descrença compartilhada por Ricardo Rodríguez, pesquisador da Universidade de Buenos Aires, para quem a robótica não compete com os seres humanos. "É verdade que podem inventar tanques de guerra autônomos, o que é horrível. Mas não é pior do que o que já existe hoje", afirmou à AFP.

- Carro falante -

Um duro debate está aberto na comunidade científica. Alguns prognósticos parecem apocalípticos e distópicos, como na saga cinematográfica de "Exterminador do Futuro", onde o supercomputador Skynet assume o controle e decide destruir os seres humanos.

"É preciso compensar todo esse mal com o que há de bom na IA. Para conseguirmos um carro completamente sem piloto, falta pouco. Em 10 ou 20 anos, haverá muitos em circulação para dar mais segurança", afirmou o pesquisador espanhol, doutor em Física e em Informática.

Como nas histórias fantásticas do escritor francês Jules Verne, a ficção científica do século XX imaginou inclusive o veículo auto-dirigível. Causou furor nos anos 1980 a série de televisão "Knight Rider", conhecida no Brasil como "A Super Máquina".

Protagonizada por David Hasselhoff (famoso pela série Baywatch), que aparecia para suas missões em defesa dos fracos e oprimidos munido de um carro KITT (Knight Industries Two Thousand), um Pontiac preto que tinha capacidade de falar, dirigir sozinho e ser uma poderosa arma.

"A tecnologia no setor automobilístico é progressiva. Vão sendo incorporadas mudanças, como a direção assistida ou o câmbio automático. Ou alarmes, se o carro sai do caminho. Este é o caminho para chegar ao carro que vai sozinho e substitua completamente as pessoas", explicou López.

Os projetos mais avançados de carro sem motorista são da Google. Os carros circulam por Mountain View, na Califórnia, sede da gigante tecnológica.

- Mito de Frankestein -

A crescente demanda pela conectividade levou a iniciativas para que os carros recebam atualizações em tempo real sobre o tempo, o trânsito, estacionamento, pressão dos pneus, estado da bateria, etc.

O piloto automático no avião já é um fato corriqueiro. Mas a ameaça de que uma máquina tome o poder foi advertida por cientistas como Hawking ou o co-fundador da Apple Steve Wozniak.

É o mito de Frankestein, um monstro que sai de controle. Na verdade, "seria o mito de Prometeu, ou o homem que rouba o fogo e o poder dos deuses. Que joga com seus criadores", filosofa López.

Mas é possível violar as leis da robótica, formuladas pelo escritor Isaac Asimov, segundo as quais um robô não pode nunca causar danos a um ser humano? "Sim, porque se quem fabrica um robô não cumpre as leis, há um perigo", alerta o pesquisador.

AFP