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Manifestação pela unidade de Espanha e Barcelona, em 29 de outubro de 2017, dois dias depois da proclamação da República pelo Parlamento catalão

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"Não nos enganam, Catalunha é Espanha", gritaram neste domingo (29) milhares de catalães nas ruas de Barcelona, 48 horas depois da proclamação da "República catalã", que aumentou a irritação de seus opositores.

A multidão, com uma faixa etária média mais alta que nas manifestações separatistas, se concentrou no fim desta manhã no passeio de Gracia, na capital catalã, protegida por um grande aparato policial.

Enquanto tocava o "pasodoble" "Y Viva Espana", de Manolo Escobar, Carmen Gutiérrez, atendente de uma seguradora, de 60 anos, agitava uma imensa bandeira espanhola.

A eleitora do partido liberal Ciudadanos - surgido na Catalunha em 2005 para se opor ao separatismo - acusa os secessionistas de serem culpados. "Culpados de termos nos dividido, culpados de terem ameaçado nossas aposentadorias, culpados porque os bancos se foram", disse.

Quando o Parlamento catalão proclamou a República, ela estava estava no trabalho e pensou: "isso não vai muito longe".

"Me deu pena das pessoas que acreditaram nisso", disse a mulher, que é de Andaluzia, mas mora no subúrbio de Barcelona há anos.

Os manifestantes encheram as ruas do centro da capital catalã: 300.000 segundo a polícia local, 1 milhão de acordo com a delegação do governo espanhol e 1,1 milhão para os organizadores.

- Satisfazer os egos -

"As ruas não podem ser só dos separatistas", clamou um integrante da organização que convocou a manifestação, Álex Ramos, médico e militante socialista.

Entre a multidão, cartazes onde se lia "Juntos", "Não ao golpe" e "Catalunha, minha terra, Espanha, meu país", mesclando o catalão e o castelhano.

"Não pode haver República catalã se votaram 2 milhões de pessoas" no referendo de autodeterminação constitucional de 1 de outubro, "embora sejamos 7,5 milhões de catalães", apontou Óscar Torres, de 83 anos.

"É preciso encontrar uma solução que satisfaça o ego dos separatistas e o ego das autoridades espanholas", acredita o aposentado, que admite que "os separatistas estão muito bem organizados, se fazem ver", apesar de os defensores da permanência na Espanha "sermos muitos mais"

A cada vez que um helicóptero da polícia nacional sobrevoava os manifestantes, recebia aplausos, ao contrário das vaias recolhidas em concentrações a favor da independência.

Os separatistas "não podem mudar o rumo de maneira ilegal, não vamos nos dobrar", afirmou Jesús Cosano, enfermeiro de 34 anos que mora em Barcelona há seis.

Ex-eleitor do Partido Popular (PP), do presidente Mariano Rajoy, e hoje simpatizante do Ciudadanos, ele expressou sua insatisfação: "Se carregamos a bandeira espanhola, nos chamam de fascistas. Nós perdemos amigos, há um confronto em que não se pode conversar, não dá pra ter uma conversa normal".

A multidão também pediu a prisão de Carles Puigdemont, o presidente catalão destituído.

Os manifestantes envolvidos em bandeiras vermelhas e de amarelas gritaram: "Eu sou espanhol, sim!"

- 'Alguma ordem' -

Aposentado do setor financeiro, José María García, eleitor socialista de 74 anos, marchava "contente, mas não contente": "Não sou muito amigo das bandeiras, e aqui há 20% de exaltados de direita, fascistas e 'anticatalanistas' que não vão comigo", afirmou este "socialista internacionalista".

Catalão nascido em Aragón, ele explica que se juntou ao protesto porque o processo secessionista é, em sua opinião, "totalmente nefasto". Os separatistas "mentem, criam fábulas, Puigdemont vem do partido mais corrupto da Catalunha".

Ele garantiu que não tem medo da aplicação do artigo 155 da Constituição - por meio do qual o governo espanhol assumiu o controle da administração da Catalunha. "Mas espero que eles não digam 'todos para a prisão', porque isso não dá", disse.

Santiago Cortés Pérez, ex-diretor de uma empresa de alvenaria, de 72 anos, que diz que chegou à Catalunha aos seis meses de idade, sorriu e brincou que está na hora de "colocar alguma ordem". "Eles tomaram a democracia como um cheque em branco para fazer o que quiserem", opinou, sobre o movimento pró-independência.

Ele votou no PP nas eleições regionais - ao lado de apenas 13% do eleitorado catalão em 2015 -, mas admite que o partido é impopular na Catalunha porque é visto "como referência do franquismo", aludindo à ditadura de Francisco Franco (1939- 1975).

"Deve-se dizer que o PP não se importou o suficiente com a Catalunha", opina, para concluir: "Você tem que manter a ordem, mas um pouco de ternura vai bem".

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AFP