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Foto tirada em 26 de abril de 2017 em Paris mostra o delegado-geral do Festival de Cannes Thierry Frémaux durante sessão de fotos

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O Festival de Cannes percorreu um longo caminho desde sua origem, há 70 anos, mas "seu DNA continua sendo o cinema", afirma seu delegado-geral, Thierry Frémaux.

PERGUNTA: Como vê a evolução do Festival, marcado por escândalos e controvérsias?

RESPOSTA: Por um lado, estamos muito longe do festival original, por sua envergadura, seu formato. Mas, no fundo, estamos exatamente no mesmo lugar, ou seja, 12 dias para celebrar a Sétima Arte. Nos anos 1950, houve um novo Palácio de Festivais, outro, no início dos 1980. O Festival se ampliou, se desenvolveu, criou-se o Mercado do Cinema (...) Mas o tema de conversa principal de Cannes, não importa quem você seja, é o cinema.

Escândalos e controvérsias fazem parte da história do festival. No começo, houve escândalos políticos, de caráter social. Hoje, tem menos disso. Eu tive de viver o escândalo estético de Gaspar Noé [com "Irreversível", no qual há uma cena explícita de estupro] e o de Lars Von Trier, com "Anticristo", escândalos extracinematográficos, como quando se acusou - mas talvez ele tenha cometido alguns erros de linguagem - Lars Von Trier, erradamente, de fazer apologia a Hitler.

P: Este ano, foram anunciados dois filmes da Netflix na competição, um em realidade virtual e duas séries. É uma revolução?

R: Uma seleção é sempre uma série de coincidências. Alejandro González Iñárritu, que veio duas vezes em competição, decidiu se lançar este ano, como autor e cineasta, na realidade virtual (...) E achamos muito bom acolhê-lo.

Não mostramos duas séries, damos notícias de dois grandes cineastas que fazem parte da história do Festival de Cannes, todos dois Palma de Ouro e presidentes do júri: Jane Campion e David Lynch. E acaba que os filmes que fizeram são séries para televisão. [...] Mas nós, nosso DNA fundamental e nossa razão de existir é o cinema.

O próprio cinema se vê modificado. A indústria do cinema vê chegar novos jogadores. Podem ser países como a China, ou novos produtores e novas plataformas, como Netflix e Amazon, que decidem ajudar na criação de filmes. No ano passado, foi a Amazon que veio a Cannes, com quatro, ou cinco filmes em competição [...] Este ano, pura coincidência, Netflix, a outra grande plataforma, veio nos propor filmes.

P: Ao completar 70 anos, quais são os desafios do Festival?

R: As questões para o futuro são várias. O festival mantém sua razão de existir: defender a arte cinematográfica sob todas suas formas, usar a arte e a cultura como um instrumento de diálogo entre os povos. E continuar a fazer de jeito que, durante 12 dias, e para o resto do ano, o cinema, hoje cercado de novas linguagens das imagens, possa ser o coração do mundo.

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