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O papa Francisco deposita rosas brancas em túmulos no Dia de Finados, em Nettuno, em 2 de novembro de 2017

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O papa Francisco lançou nesta quinta-feira (2) um "guerra nunca mais!" ao visitar na Itália dois lugares emblemáticos dos horrores da Segunda Guerra Mundial, por ocasião do Dia de Finados.

"Guerra nunca mais, essa tragédia inútil nunca mais!", lançou o pontífice ao recordar que com a guerra "se perde tudo".

Em uma homilia improvisada diante de milhares de túmulos do cemitério americano de Nettuno, o papa argentino rezou por "esses jovens, justamente agora que o mundo está novamente em guerra".

Neste cemitério, 60 quilômetros ao sul de Roma, estão enterrados 7.860 soldados e enfermeiras americanos que perderam a vida nas batalhas que começaram em janeiro de 1944, após o desembarque das tropas aliadas no porto de Anzio.

"Os homens fazem todo o possível para declarar e fazer guerra e, no final, destroem a si mesmos", comentou, citando as palavras de uma idosa japonesa em frente às ruínas de Hiroshima, devastada pela bomba nuclear.

"Isso é a guerra: a destruição de nós mesmos", insistiu.

"Se hoje é um dia de esperança, também é de lágrimas. Lágrimas como as que derramaram as esposas e as mães durante os conflitos mundiais depois de receberem uma carta com a trágica frase: 'senhora, tenho a honra de informar que seu marido foi declarado herói da pátria'", acrescentou.

"Uma humanidade que não aprendeu a lição e não parece querer aprendê-la", lamentou o pontífice.

"Quantas vezes no curso da história os homens pensaram em fazer guerra convencidos de levar um novo mundo, uma primavera, que termina em um inverno frio e cruel, um reino de terror e morte", afirmou o papa.

"Isso é a guerra e esse é o seu único fruto: a morte", destacou.

O papa, que caminhou em silêncio entre os milhares de túmulos com cruzes brancas, homenageou pouco depois as vítimas de um massacre nazista executado às portas de Roma em 24 de março de 1944.

Diante do monumento das Fossas Ardeatinas, onde foram executadas com tiros na cabeça 335 pessoas, entre elas 75 judeus, em represália a um atentado da Resistência contra um caminhão de soldados nazistas em uma via central de Roma, o papa argentinou orou pelas vítimas de um dos piores crimes cometidos na Itália por ordem direta de Adolf Hitler.

Nesse lugar, onde judeus e cristãos repousam juntos, símbolo da loucura homicida de qualquer guerra, Francisco depositou rosas brancas.

Ao fim da cerimônia, durante a qual esteve acompanhado pelo rabino de Roma, Riccardo Di Segni, que rezou em hebreu, o papa deixou escrita no registro do memorial uma frase - "aqui estão os frutos da guerra: ódio, morte, vingança. Perdoe-nos, Senhor".

A visita do papa a este local tem especial importância para a Argentina, já que o massacre das Fossas Ardeatinas foi organizado pelo capitão nazista Erich Priebke, que morreu em Roma em 2013 aos 100 anos, após ser condenado em 1998 pela Justiça italiana à prisão perpétua.

O oficial nazista, que nunca pediu perdão por seus crimes, morou durante mais de 40 anos na Argentina, país do papa Francisco.

Nos anos 1990, o governo argentino autorizou a extradição de Priebke para que fosse julgado como criminoso de guerra.

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AFP