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Ignacio Hurban, nome de batismo de Guido Montoya Carlotto, ao lado da avó, Estela de Carlotto, em 8 de agosto de 2014

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Ignacio Hurban voltou a ser na terça-feira Guido Montoya Carlotto, um bebê roubado pela ditadura argentina que nesta sexta apareceu em público feliz por ter sido, enfim, localizado por sua avó, a líder do grupo "Avós da Praça de Maio", Estela de Carlotto.

"Há 48 horas sei quem sou ou quem era ou quem não era. É um pouco novo isso", disse emocionado na sede da organização.

Sorridente, o jovem que foi roubado durante o regime militar (1976-1983) e estava sendo procurado por suas famílias materna e paterna por mais de três décadas disse: "Estou aproveitando, mas o que mais aproveito é a felicidade dos outros".

"Acho mágico o que está acontecendo", acrescentou após reiterar que teve uma infância feliz graças aos pais adotivos - dois camponeses.

"Tenho a sorte de ser parte deste pequeno processo de cicatrização", afirmou ele, ao manifestar sua admiração pela luta de Estela de Carlotto à frente da organização humanitária Avós da Praça de Maio.

Ignacio Hurban contou sem dar detalhes que ficou sabendo há dois meses que era adotado.

"Agora, vem um processo um pouco complexo", explicou.

"Podem me chamar de 'Pacho', ou Ignacio", disse o músico, acrescentando que entende que há uma família que "há mais de 35 anos o chama desta maneira: Guido".

Ele disse que não sabe com certeza os motivos que o levaram a desconfiar de sua identidade.

"É como um ruído na cabeça, e umas borboletas de dúvidas que estão fora do campo de visão. Há coisas que você não sabe, mas sabe", disse o pianista criado em Olavarría, 350 km a sudoeste de Buenos Aires.

O músico estava acompanhado de Estela de Carlotto, de 83 anos, e espera poder se reunir logo com Hortensia Ardua, sua avó paterna de 91 anos. Nenhuma delas sabia até agora que procuravam o mesmo neto.

- A nova vida -

As avós Carlotto e Ardua -ambas professoras- são as mães de Laura e Oscar, que namoravam sem que suas famílias soubessem e tiveram um filho pouco antes de serem sequestrados e assassinados pelo regime.

O menino, que Laura batizou de Guido, foi tomado dos braços da mãe cinco horas depois de nascer em um centro clandestino da ditadura.

O jovem se submeteu voluntariamente a uma análise genética há 18 dias e na terça-feira seu vínculo com Carlotto foi revelado.

Guido é o neto de número 114 a ter sido recuperado de um total estimado de 500 crianças roubadas ao nascer pela ditadura.

O músico conheceu seus 13 primos na quinta.

"Finalmente, estou com os netos juntos", disse Estela.

- Música no DNA -

Guido, ou Ignacio, é considerado um bom pianista, é um professor de música querido e entre suas composições está "Para a Memória", canção que ele tocou em um ato da organização "Ciclo de Música para a Memória", presidida por sua avó.

Com os novos elementos de sua biografia, seus parentes ressaltaram o fato de seu avô paterno, um espanhol que fincou sua raízes na Patagônia para trabalhar na companhia de petróleo YPF, ter sido um músico amador que passou essa paixão para Walmis Oscar, pai de Guido.

"Entre essas peças que não se encaixavam estava o meu amor pela música", disse.

Um tio paterno contou ao jornal La Nación que o avô de Ignacio, ou Guido, "tinha a música nas veias: tocava sax em uma banda da YPF", lembrou Jorge Montoya.

Sem saber que seria protagonista de uma história trágica com final feliz, Ignacio Hurban promoveu várias de suas composições no You Tube e no Twitter.

AFP