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'Já foi derramado sangue demais' na Nicarágua, diz líder da OEA

(Arquivo) O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, em Washington DC, em 29 de maio de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 19. outubro 2018 - 19:16
(AFP)

O secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, pediu nesta sexta-feira (19) o fim da violência na Nicarágua, durante uma sessão na qual denunciou que "já foi derramado sangue demais", afirmando que poderia recorrer ao artigo 20 da Carta Democrática Interamericana.

A audiência do Conselho Permanente da OEA sobre a Nicarágua acontece quando se completam seis meses do início dos protestos, cujo objetivo era rechaçar um projeto de reforma da Previdência social, posteriormente abandonado pelo governo, que evoluiu para manifestações que pedem a saída do presidente Daniel Ortega.

Mais de 300 pessoas morreram pela violência e repressão estatal na Nicarágua.

"Exatamente hoje acontece algo terrível na Nicarágua. Já foi derramado sangue demais. Chegou a hora de exigir, reclamar, solicitar e demandar que parem o atual momento de violência", assinalou Almagro.

"As denúncias das vítimas têm que ser repetidas e seus depoimentos devem ser conhecidos", acrescentou o secretário-geral da OEA.

Almagro disse que "a continuidade das políticas repressivas obrigará a recorrer ao procedimento do artigo 20 da Carta Democrática Interamericana", em referência a uma disposição que permite convocar uma sessão do Conselho Permanente para avaliar a situação e "promover a normalização da institucionalidade democrática".

A sessão do Conselho Permanente da OEA também contou com a presença do secretário executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Paulo Abrao, que pediu ao governo de Manágua que "retome o diálogo para buscar uma saída pacífica à grave situação".

Abrao expressou preocupação especial com a situação dos menores de idade.

A cifra de 24 crianças mortas no contexto dos eventos que acontecem na Nicarágua é "gravíssima", disse o secretário executivo da CIDH.

Também denunciou que o Mecanismo Especial de Acompanhamento da Nicarágua (Meseni) da CIDH registrou detenções de adolescentes em centros de reclusão para adultos, em alguns casos por longos períodos, sem que fossem apresentadas acusações.

O representante permanente do Chile na OEA, Hernán Salinas, declarou, por sua vez, que "a Nicarágua está vivendo uma tragédia. Ontem completaram seis meses desde o início dos protestos contra o regime nicaraguense e sua brutal repressão a qualquer suspeita de dissidência".

O representante suplente da Nicarágua, Luis Ezequiel Alvarado, em contrapartida, denunciou que a CIDH "se prestou a ser instrumentalizada como arma de golpe".

"Queremos denunciar alta e claramente que um setor minoritário da direita dos Estados Unidos tem sido o promotor e financiador da desestabilização e tentativa de golpe na Nicarágua", declarou Alvarado na sessão.

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