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Um curso de kizomba, dança popular angolana, no bairro de Mabor, em Luanda, em 27 de agosto de 2017

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Em um pátio amarelado de Luanda, entre um labirinto de ruas, os jovens se mexem ao som de uma música animada. É a "kizomba", uma dança angolana que embeleza o mundo.

"Stop! Os homens ficam parados, agora somente as meninas se mexem. Assim, assim está bom". Vitor Espeçao discursa para seus alunos, como faria um oficial ao comando de suas tropas, no bairro de Mabor.

Os dançarinos obedecem. Sob o olhar atento de um grupo de crianças, eles rebolam.

"É o que gosto nessa dança", comenta entusiasmado o professor: "a alegria e a harmonia".

A origem da kizomba é objeto de debate. É de origem angolana, com um toque das Antilhas ou de Cabo Verde, e se tornou popular nos anos 1990 graças ao cantor Eduardo Paim.

A palavra significa "festa" em kimbundu, uma das línguas mais faladas no país.

A kizomba se inspira na semba, considerada a dança tradicional do país. Dança-se em casal, bem junto, mas com um ritmo mais lento. É menos agitada, mas mais sensual que a semba.

- 'Necessidade de carinho' -

"É um estilo muito tranquilo, muito suave. Não se faz muitos movimentos e se dança com calma", descreve Elsa Domingos Cardoso, uma estudante de 22 anos. "Seja kizomba ou semba, dançar me deixa feliz".

Nos últimos anos, a kizomba invadiu as pistas de dança de toda a Europa e mais além.

"É normal que funcione em todos os lugares", considera Mario Contreiras, um arquiteto de Luanda convertido em promotor da kizomba.

"Nosso mundo precisa de carinho", explica. "Nós dançamos a kizomba nos abraçando. Na Europa e no mundo não existe um equivalente. Então quando descobrem uma dança que vem da África em que as pessoas se abraçam, mesmo sem se conhecer (...), eles gostam".

A kizomba se tornou uma moda, com cursos em Paris, Nova York e Joanesburgo.

Com isso, a Angola, até então conhecida por sua guerra civil e seu petróleo, abre caminho na cena mundial da dança.

Mas Zelo Castelo Branco confessa que não reconhece a "sua" kizomba que é praticada no exterior. De tanto viajar, diz, perdeu sua alma.

"Todo mundo dança a kizomba, isso tudo bem. Mas os que a ensinam no exterior mudaram o estilo", lamenta o DJ. "Já não é a tradicional e familiar que dançamos com nossas mulheres, filhos, parentes (...), é extravagante, é quase a 'tarraxinha'".

- 'Nossa cultura' -

A tarraxinha (pronunciado tarachinia) é uma variação da kizomba, mais lenta e parecida com o "pole dance". Na Angola, um país cristão, a tarraxinha está reservada quase exclusivamente aos adultos.

Mateos Vandu Mavila, um dos chefes da tropa que treina no bairro de Mabor, não se atreve a incluí-la no programa quando se apresentam em festas ou casamentos.

"Tudo depende da idade das pessoas que participam da festa", assegura. "Nós não concordamos que os jovens dancem a tarraxinha (...), é sensual demais".

Mario Contreiras lamenta a confusão entre a kizomba e a tarraxinha. "O mundo tentou associar a kizomba à sensualidade e a um certo erotismo. Para nós é algo muito sério, é a nossa forma de expressão, é a nossa cultura".

Para defender esta cultura, este arquiteto se juntou ao projeto "Kizomba nas ruas", criado em 2012. Todos os domingos ao anoitecer transforma o passeio marítimo de Luanda em uma pista de dança para uma turma informal, gratuita e aberta a todos.

"O objetivo é promover a kizomba (...), dar a oportunidade de aprender e valorizar a cultura angolana", declara Manuel Miguel, de 26 anos, um dos artífices da operação.

Para Mario Contreiras a "Angola é a festa e a kizomba é a Angola".

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AFP