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Venezuelanos no México participam de protesto na Cidade do México, em 30 de julho de 2017

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"Este que vocês chamam de delinquente era meu filho", disse indignado Rafael Peña, apontado para o caixão de Énder, um dos dois jogadores de futebol mortos em protestos contra o presidente Nicolás Maduro.

De frente para as câmaras, Peña enviou uma mensagem aos militares que segundo ele mataram o rapaz de 19 anos no último domingo na cidade de San Cristóbal (oeste), durante uma manifestação contra a eleição da Assembleia Constituinte convocada por Maduro.

"Assassinos são o que vocês são. E que venham, para mim nada mais importa", acrescentou Peña, de 54 anos, carregando uma camiseta de Énder do Lotería del Táchira, onde ele jogava nas categorias juvenis.

Peña morreu com um tiro no abdômen durante choques entre manifestantes e militares em um protesto próximo a um local de votação.

Seu caso se somou ao de Gustavo Leal, de 18 anos e jogador da base do Puente Real, baleado na última sexta-feira em uma barricada também nas proximidades de uma sessão eleitoral em San Cristóbal, capital do estado Táchira, na fronteira com a Colômbia.

- "Morto em vida" -

Peña foi velado em sua humilde moradia de San Cristóbal, e seu enterro acabou em violência. Desconhecidos fizeram disparos perto da igreja onde foi celebrada a missa, gerando pânico entre os presentes, segundo imagens que circularam nas redes sociais.

"Eu tinha somente dois filhos. O primeiro mataram há cinco anos. Nesse momento estou morto em vida. Façam o que quiserem", disse o pai do jogador se dirigindo mais uma vez aos militares.

Os protestos opositores, que exigem a saída de Maduro do poder, deixaram 125 mortos em pouco mais de quatro meses. Apenas no domingo, durante a votação da Constituinte, dez pessoas morreram.

Énder "queria uma mudança para a Venezuela. Infelizmente aqui não temos um governo, o que temos é um grupo de assassinos", lamentou o pai.

AFP