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(Abril) O planeta Terra visto do espaço

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Até que ponto o aquecimento global pode precipitar mudanças irreversíveis que redesenharão o mapa do mundo? Essa questão representa um quebra-cabeça para a comunidade científica, após o anúncio de que 2016 foi o ano mais quente registrado desde o final do século XIX.

Pontos de inflexão

Enquanto a temperatura média da Terra subiu 1º C em 120 anos e o planeta continua aquecendo devido ao acúmulo de gases de efeito estufa, os climatologistas se preocupam com os "pontos de inflexão" ao longo dessa trajetória.

Os impactos do aquecimento global não são necessariamente lineares, nem regulares.

Um ponto de inflexão é o momento em que uma pequena mudança adicional acaba gerando uma alteração maciça em uma região, um ecossistema ou até mesmo em todo o planeta. Como um vaso em uma mesa que vai sendo empurrado aos poucos, até que acaba caindo.

Foram identificados vários pontos de inflexão possíveis, e algumas barreiras já foram rompidas, consideram alguns pesquisadores, embora não haja consenso sobre o assunto.

Degelo

Umas das maiores preocupações é o destino das geleiras na Antártica Ocidental. Uma vez ultrapassado o limite (ainda não determinado), a temperatura do oceano sob a camada de gelo poderá causar a desintegração de grandes regiões.

Segundo um estudo americano, se as emissões de gases se efeito estufa continuarem no ritmo atual, o degelo poderia levar a uma subida de um metro no nível do mar no ano 2100, e de 13 metros em 2500.

Mas se a comunidade internacional conseguir limitar o aquecimento global abaixo de 2°C - meta do acordo de Paris - não haverá quase nenhuma subida do nível do mar, disseram os pesquisadores.

"A cada ano há mais informações que sugerem que um degelo parcial já está em andamento", considera o climatologista Sybren Drijfhout, da Universidade de Southampton.

O derretimento da camada de gelo da Groenlândia também está sendo acompanhado de perto, pelo seu impacto no nível do mar e nas correntes marinhas.

Correntes desestabilizadas

O aquecimento pode desestabilizar a circulação oceânica profunda, relacionada com a densidade da água do mar (temperatura, salinidade). Aí também há limites que não podem ser ultrapassados. No entanto, as correntes influenciam a distribuição do calor no globo e a atmosfera (chuvas, tempestades, fenômenos meteorológicos extremos...).

Um estudo acaba de revisar para cima os riscos de uma mudança abrupta no Atlântico.

"Uma mudança assim afetaria o clima da Europa, da América do Norte e das regiões tropicais e poderia secar consideravelmente a região do Sahel", embora isto possa levar décadas ou inclusive mais tempo, afirmou o pesquisador do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França (CNRS), Didier Swingedow.

Oceanos alterados

É também o caso dos hidratos de metano congelados no fundo do mar.

O descongelamento poderia liberar também gases do efeito estufa? Haverá um limite, como um ponto de não retorno, antes de que aconteça uma emissão maciça de gases?

"Estão armazenados em diferentes profundidades e condições de pressão. Não há nenhum motivo para que se desestabilizem ao mesmo tempo", afirmou Valérie Masson-Delmotte, vice-presidente do GIEC, autoridade científica de referência sobre o clima.

A mesma constatação foi feita para o degelo do permafrost, as camadas de gelo das altas latitudes que poderiam liberar metano ao derreter.

Além disso, os oceanos são uma grande preocupação porque até agora absorveram o grosso (90%) do calor adicional gerado pelos gases de efeito estufa.

"Esta energia permanecerá durante muito tempo, e depois os oceanos a restituirão gradualmente à atmosfera", aponta Masson-Delmotte. Ela vai continuar aquecendo a Terra durante centenas ou milhares de anos, independente do que seja feito.

Quebra-cabeça científico

Os climatologistas sabem que em um passado distante ocorreram variações bruscas. Mas prever as mudanças futuras é particularmente difícil.

Como detectar o momento em que se entra em um fenômeno de inflexão? Qual poderia ser o sistema de alarme?

Valérie Masson-Delmotte pede prudência na comunicação sobre estas questões "ansiogênicas".

"Estes pontos de inflexão estão nas fronteiras de nosso conhecimento, e é aí que se deve avançar", afirma a pesquisadora francesa, que augura resultados importantes em um prazo de cinco anos.

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AFP