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O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, em Madri, em 20 de setembro de 2017

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"Repressão autoritária", "violação de direitos", "derrubada da democracia". As acusações do presidente catalão Carles Puigdemont sobre a proibição do referendo de independência ocupam as manchetes da imprensa internacional que o governo espanhol tenta seduzir.

O líder separatista catalão tem multiplicado há meses as entrevistas e os comunicados em uma tentativa de ganhar apoio internacional.

Preocupado por parecer o vilão, Madri lançou sua ofensiva de comunicação poucas semanas antes da votação, convidando os correspondentes estrangeiros em Barcelona a encontros com membros do executivo de Mariano Rajoy para fazer sua versão ser ouvida.

Na terça-feira, Enric Millo, representante do governo espanhol na Catalunha, pediu "desculpas porque o natural seria que já houvesse uma ocasião para poder nos ver".

"Na Catalunha há pessoas que não se sentem espanholas e querem suspender o pertencimento à Espanha? Sim. É todo o povo da Catalunha, á a maioria? Não", afirmou.

- 'Versão estável' -

As pesquisas mostram que a Catalunha está muito dividida sobre a independência, mas que uma esmagadora maioria quer votar em um referendo legal sobre o tema.

No entanto, o governo de Rajoy levou a questão ao Tribunal Constitucional espanhol que proibiu a votação.

Cerca de dez altos funcionários catalães foram detidos e depois liberados na semana passada, quando as forças de segurança apreenderam milhões de células de votação e bloquearam páginas na internet sobre o referendo.

Isso gerou protestos em Barcelona, outras cidades catalãs e até Madri, que foram cobertas por televisões do mundo todo.

O governo espanhol insiste que todas as decisões foram tomadas por juízes e procuradores para lutar contra uma consulta proibida.

Mas isso não o impediu de ser acusado de deter "presos políticos" -como disse Pablo Iglesias, líder do partido de esquerda radical Podemos-, de censurar internet e outras violações de direitos.

O problema é, segundo a analista política Ana Salazar, que Rajoy e seus ministros se centram unicamente na ilegalidade da votação, o que é leva a uma narrativa bastante sem graça. A sua é uma "versão estável", afirma.

No outro extremo, o discurso do executivo separatista catalão inclui todos os ingredientes de uma boa história: "tem um elemento de vitimismo", "tem um elemento de causa nobre", acrescenta.

O governo catalão não teve o apoio que precisa de líderes internacionais, pelo menos publicamente. E para conseguir isso está tentando convencê-los de que "o estado espanhol lhes oprime", disse a especialista.

- #FreeTweety -

Madri não precisa apenas conquistar a simpatia internacional. Na Catalunha o ressentimento também cresce.

"Não foi feito qualquer tipo de campanho exceto dizer que é ilegal. Não tentaram nos convencer de que querem que a gente permaneça com o resto do Estado", lamenta em Barcelona Eva de las Heras, uma consultora de 51 anos.

Ela diz que até a semana passada não era partidária da independência, mas que as detenções a enfureceram tanto que ela mudou de opinião.

Madri tomou algumas decisões infelizes para sua imagem.Por exemplo, decidiu contratar três grandes cruzeiros ancorados no porto de Barcelona para alojar milhares de policiais destacados para a Catalunha.

Um deles é decorado com um enorme desenho dos personagens animados de Looney Tunes, entre eles o pássaro Piu-Piu, o que provocou uma onda instantânea oleada de provocações e piadas nas redes sociais.

A hashtag #FreeTweety (libertem o Piu-Piu) se tornou trending topic mundial no Twitter e o passarinho amarelo um emblema da luta dos separatistas para poder votar.

Os analistas explicam também que o governo espanhol não fez qualquer esforço para convencer os catalães porque considera que fazer campanha pelo 'não' equivaleria a legitimar o referendo.

Para Caroline Gray, especialista em movimentos nacionalistas espanhóis na Aston University, Madri acredita demasiadamente em sua vitória.

"Rajoy parece ter a atitude de que se não responder a tudo isso, eventualmente acabará se apagando", explica. "Como se pensasse 'se continuo dizendo não, o apoio à independência se dissipará'", acrescentou.

Mas isso não é o que está acontecendo, e alguns temem que a unidade da sociedade catalã fique ressentida.

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AFP