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O cientista-chefe do Hanson Robotics, Ben Goertzel, mostra ao público a robô "Sophia", durante conferência em Hong Kong, no dia 12 de julho de 2017

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Em 2050, cada ser humano será o centro de um mundo assistido pela inteligência artificial até o menor dos detalhes, de acordo com um especialista.

Os assistentes digitais regularão desde o conteúdo da geladeira até a temperatura da sala. A televisão difundirá imagens do seu programa favorito assim que você entrar no quarto. O automóvel não terá motorista e seu 'barman' provavelmente será um androide.

Há muitas previsões sobre um futuro modelado pela inteligência artificial (IA). Mas Antoine Blondeau, que contribuiu para a tecnologia que levou ao desenvolvimento da Siri, a assistente de voz da Apple, tem experiência no assunto.

"Dentro de 30 anos, o mundo será muito diferente", diz o francês de 48 anos, que vive entre a Califórnia e Hong Kong. "Tudo estará desenhado para satisfazer suas necessidades pessoais".

O trabalho como o conhecemos ficará obsoleto, segundo Blondeau, cofundador da Sentient Technologies, plataforma especializada em IA.

Os avanços sensoriais e visuais na robótica terão permitido a criação de fábricas inteligentes capazes de tomar decisões em tempo real. Não terão operários, só supervisores. As profissões jurídicas, o jornalismo, a contabilidade e o comércio varejista serão racionalizados: a IA se encarregará da parte ingrata do trabalho.

O setor de saúde também se transformará completamente, assegura. Os pacientes disporão de todo seu histórico clínico e a IA será capaz de emitir diagnósticos.

"A consulta com o médico será mais pela tranquilidade de poder falar com um ser humano ou porque o humano é quem estará habilitado a prescrever medicamentos. Mas não será necessário um médico para indicar o que está errado na sua saúde".

- "Confiarão em máquinas?" -

Há pioneiros: a assistente virtual Alexa da Amazon e o Google Home são mordomos digitais que podem pedir uma pizza ou comandar eletrodomésticos.

A Samsung está desenvolvendo geladeiras inteligentes capazes de encomendar as compras.

Jornalistas-robôs - algoritmos programados para transformar dados em textos - já redigem artigos simples nos âmbitos econômico e esportivo.

A Sentient utilizou com sucesso corretores de bolsa virtuais nos mercados financeiros. Associada à americana Shoes.com, criou um vendedor virtual interativo capaz de avaliar o que cada pessoa gosta e o que não gosta.

Junto com a Instituto de Tecnologia de Massachusetts, a Sentient também desenvolveu uma "enfermeira IA", capaz de avaliar os exames relativos à pressão arterial de milhares de pacientes e identificar, em 90% dos casos, as pessoas que estão desenvolvendo uma sepse, afecção potencialmente mortal, 30 minutos antes do aparecimento dos primeiros sintomas.

"É uma janela crucial que oferece aos médicos um prazo adicional capaz de salvar vidas", acrescenta Blondeau.

Ele reconhece, no entanto, que se trata de conceitos que podem gerar resistência na sociedade. "As pessoas têm uma crença intrínseca de que podem confiar nos médicos mas... confiarão em máquinas?"

A perspectiva de um desemprego em massa provocado por uma generalização da IA parece aterrorizante, mas Antoine Blondeau é pragmático: é necessário encarar a educação e a carreira de outra forma.

- Educação permanente -

"A época em que se saía do sistema educativo aos 16, 21 ou 24 anos e pronto, acabou. As pessoas deverão se renovar e adquirir novas competências para acompanhar a evolução tecnológica".

Os computadores já superam os humanos em certas tarefas específicas, como o jogo de Go ou o xadrez. Alguns especialistas estimam que a inteligência artificial forte (AGI), ou seja, os programas informáticos tão competentes quanto um adulto em diferentes campos, será uma realidade antes do final do século, ou até mesmo a partir de 2030.

Blondeau, que foi diretor-geral da empresa de tecnologia Dejima quando esta desenvolveu o CALO - um dos projetos de IA mais importantes nos Estados Unidos - e desenvolveu um precursor da Siri, é um pouco mais prudente.

"Chegaremos a alguma forma de AGI, mas não é certo que conseguiremos algum dia criar algo equivalente à nossa intuição", disse Blondeau, que também trabalhou com a Zi Corporation, líder em texto preditivo, e que atualmente preside a Dragon Law, start-up com sede em Hong Kong que tornou os serviços jurídicos mais acessíveis.

Os gigantes do setor estão divididos sobre a possibilidade de que a IA algum dia supere os humanos.

O fundador da Microsoft, Bill Gates, o físico britânico Stephen Hawking e o empresário inconformista Elon Musk já advertiram que uma IA sem limites poderia ser fatal para a humanidade.

Antoine Blondeau é otimista, e aponta que a tecnologia nuclear poderia ter nos levado ao apocalipse. "Como qualquer invenção, pode servir para fazer o bem ou o mal. Por isso temos que impor resguardos".

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AFP