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Foto tirada em 19 de agosto de 2017 mostra foto do apartamento onde morava Younes Abouyaaqoub, um dos suspeitos dos ataques na Catalunha, em Ripoll

(afp_tickers)

"Não temos nenhuma notícia de Younes", asseguram em sua cidade natal M'rirt, no Marrocos, os familiares de um marroquino de 22 anos, muito procurado pela Polícia espanhola por seu suposto envolvimento nos atentados ocorridos na Catalunha.

Sua foto continua aparecendo nas capas dos meios de comunicação, pois Younes Abouyaaqoub poderia ter dirigido a van lançada contra a multidão em Barcelona, deixando 14 mortos e 120 feridos, em um atentado reivindicado pelo grupo extremista ultrarradical Estado Islâmico (EI).

Em sua cidade natal, no centro do Marrocos, o termômetro marca mais de 40º C e a perplexidade predomina no ambiente, em uma região tranquila até agora pouco conhecida por ter sido o lar de recrutas do grupo EI, ao contrário do que ocorre no norte do país.

A pequena M'rirt, de 35.000 habitantes, onde ainda vive o avô de Younes, é sobretudo conhecida por seu mercado árabe semanal aos pés de uma montanha, suas importantes minas de chumbo, zinco e prata, e suas espetaculares cascatas, muito frequentadas pelos turistas marroquinos.

"Não queremos isso aqui", diz uma pessoa próxima à família Abouyaaqoub, de 40 anos, que prefere o anonimato.

Em um bairro popular do leste da cidade, o avô de Younes recebe, no lar da família - uma modesta casa de dois andares -, os vizinhos e parentes.

Tentam consolá-lo desde que a Polícia espanhola e os meios de comunicação apontaram seu neto Younes como o possível autor do massacre em Barcelona. O irmão de Younes, Houssein, de 20 anos, também estaria na mira, segundo testemunhas, embora as autoridades espanholas não tenham se referido a ele.

"Younes nasceu nesta casa, antes de emigrar para a Espanha com seus pais", conta a um jornalista da AFP o avô, vestindo túnica bege e turbante branco.

"Volta aqui a cada verão com seu irmão e seus pais. Esteve aqui no verão passado", acrescenta o patriarca.

- O imã, questionado -

Para ele, a radicalização de seu neto pode ter acontecido por conta de "um imã marroquino de Ripoll", localidade catalã de 10.000 habitantes, a 700 metros de altitude, aos pés dos Pirineus, de onde são oriundos vários suspeitos.

"Há dois anos, Younes e Houssein começaram a se radicalizar, sob a influência deste imã de Jebala [região do norte do Marrocos]", afirma este homem, que assegura não saber o nome do imã.

A Polícia inspecionou no sábado a casa de um imã de Ripoll - Abdelbaki As Satty -, suspeito de fazer parte da célula terrorista e que provavelmente teria radicalizado uma parte dos jovens envolvidos nos ataques. O imã está desaparecido desde sábado.

Um vizinho próximo à família Abouyaaqoub, que também tem parentes na Catalunha, aponta - após pedir anonimato - que este imã "recrutou marroquinos de Ripoll e planejou estes atentados".

"Há um mês saiu da mesquita onde pregava alegando que tinha que viajar ao Marrocos para resolver um problema de heranças. As pessoas encontraram outro imã para substitui-lo, mas alguns dias antes dos atentados foi visto em Ripoll", acrescenta a fonte.

Algumas testemunhas assinalam que policiais marroquinos à paisana interrogaram na sexta-feira membros do círculo dos Abouyaaqoub, principalmente, sobre o imã.

O avô tenta esconder a sua profunda tristeza e a desolação que o invade há alguns dias, e assegura que não teve contato direto com nenhum de seus netos.

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AFP