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Abdullah se proclama vencedor de eleições presidenciais afegãs

Abdullah recebe uma chuva de pétalas de rosas, antes de discursar em Cabul afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 08. julho 2014 - 16:17
(AFP)

O candidato à presidência do Afeganistão Abdullah Abdullah proclamou-se vencedor da eleição e rejeitou os resultados provisórios, que apontam uma vantagem importante do rival Ashraf Ghani, em mais uma fase da crise política, que provoca temores de conflitos étnicos.

O secretário de Estado americano, John Kerry, advertiu nesta terça-feira contra qualquer tentativa de tomar o poder ilegalmente no Afeganistão e ameaçou cortar a ajuda financeira e de segurança ao país.

A comissão eleitoral independente afegã anunciou na segunda-feira que o candidato Ashraf Ghani lidera a apuração, segundo os primeiros resultados do segundo turno celebrado em 14 de junho, com 56,4% dos votos, contra 43,5% para Abdullah.

Abdullah, que era favorito depois de vencer o primeiro turno com 12 pontos de vantagem sobre Ghani, rejeitou os resultados e alegou fraudes a favor do adversário.

"Sem nenhuma dúvida, somos os vencedores das eleições", disse Abdullah a milhares de simpatizantes em Cabul.

Abdullah se afastou do segundo turno da eleição presidencial de 2009, ao denunciar fraudes a favor do atual presidente, Hamid Karzai. Mas desta vez ele não parece disposto a ceder a vitória ao rival.

"Queremos que o Afeganistão tenha dignidade e unidad nacionale. Não queremos uma guerra civil", afirmou Karzai, ao tentar tranquilizar a comunidade internacional.

O governo dos Estados Unidos, principal respaldo financeiro do fundo de apoio militar do Afeganistão desde 2001, reagiu imediatamente.

"Qualquer ação com o objetivo de tomar o poder por meios ilegais custaria ao Afetganistão o apoio financeiro e de segurança dos Estados Unidos e da comunidade internacional", declarou Kerry.

o chefe da diplomacia americana também pediu calma a todos os dirigentes afegãos para preservar os avanços da última década.

Abdullah não fez nenhuma menção ao tema nesta terça-feira e afirmou que havia conversado tanto com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, como com John Kerry, que informou sobre uma viagem a Cabul na sexta-feira.

O presidente da comissão eleitoral advertiu que os dados anunciados não são definitivos e que não determinam o vencedor da eleição. O organismo ainda precisa examinar as queixas.

Após o anúncio, a equipe de Abdullah afirmou que a situação era um "golpe de Estado" contra o povo, estimulado pelo organismo electoral.

Os partidários de Abdullah, reunidos nesta terça-feira em um local que recebe a Loya Jirga (assembleia tradicional afegã), acusam o presidente Hamid Karzai de ter manipulado as eleições a favor de Ashraf Ghani.

No último dia 22, a equipe de campanha de Abdullah revelou provas da suposta fraude eleitoral.

A equipe divulgou gravações de áudio que colocava o chefe de secretariado da Comissão Eleitoral, Zia ul-Haq Amarjail, no centro da polêmica eleitoral, ao acusá-lo de ter cometido irregularidades ao transportar as cédulas de voto não utilizadas no segundo turno da eleição de sábado passado.

No entanto, a equipe de campanha se negou a revelar a origem dessas gravações, cuja autenticidade é difícil de verificar de fonte independente.

Estas eleições são muito importantes, depois de mais de 12 anos de presidência de Hamid Karzai, que dirigiu o país desde a queda dos talibãs, em 2001. Soma-se o fato de as tropas da Otan planejarem deixar o Afeganistão até o fim do ano.

Este contexto preocupa a comunidade internacional, principalmente devido ao aumento de tensão entre os partidários dos dois adversários.

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