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Os aborígenes estão na Austrália há pelo menos 65.000 anos, mais do que se pensava anteriormente, segundo um estudo publicado na revista Nature esta semana, uma descoberta que traz novos dados sobre quando os humanos modernos deixaram a África

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Os aborígenes estão na Austrália há pelo menos 65.000 anos, mais do que se pensava anteriormente, segundo um estudo publicado na revista Nature esta semana, uma descoberta que traz novos dados sobre quando os humanos modernos deixaram a África.

Acredita-se que os aborígenes australianos sejam guardiões da cultura mais antiga do planeta, mas os cientistas debatem quando eles chegaram ao local pela primeira vez. As estimativas anteriores variavam entre 47.000 e 60.000 anos atrás.

Um sítio arqueológico importante nesse debate é o de Madjedbebe, um abrigo de pedra remoto na região de Kakadu, no norte da Austrália, que é a área de ocupação humana mais antiga no país.

As descobertas, feitas por uma equipe de arqueólogos e especialistas em datação durante uma escavação no local, estabeleceram uma nova data para a dispersão dos humanos modernos fora da África e pelo sul da Ásia.

"Isso é extremamente significativo para concluir o que aconteceu", disse à AFP Chris Clarkson, da Universidade de Queensland, o autor principal que liderou as escavações no sítio, concluídas em 2015.

"Isso significa que podemos definir a antiguidade mínima da saída dos humanos modernos da África, que até agora tem sido uma questão tênue. Agora podemos dizer com certeza que eles chegaram na Austrália há 65.000 anos", acrescentou.

As descobertas também revelam que eles chegaram no continente antes da extinção da megafauna australiana, como vombates, cangurus e lagartos gigantes.

Além de mostrar a antiguidade da ocupação aborígene, a escavação também revelou evidências de atividades e estilo de vida complexo, incluindo ferramentas de pedra lascada e pedras de amolar.

"O sítio contém a tecnologia de machados de pedra mais antiga do mundo, as ferramentas de moagem de sementes mais antigas conhecidas na Austrália e evidências de setas de pedra finamente esculpidas, que podem ter servido de pontas de lança", disse Clarkson.

"O mais impressionante de tudo, em uma região conhecida por sua arte rupestre espetacular, são as enormes quantidades de ocre no solo e as evidências de processamento de ocre encontrados no sítio, desde a camada mais antiga até o presente", acrescentou.

Está claro que esta população era "tecnologicamente sofisticada".

Cerca de 11.000 artefatos foram descobertos na camada mais baixa da escavação de 2015, e a equipe avaliou com cuidado a posição de cada um deles para garantir que correspondiam às idades dos sedimentos em que foram encontrados.

Uma ampla datação por métodos de luminescência opticamente estimulada - que calculam o tempo desde a última vez em que os grãos minerais foram expostos à luz solar - mostrou um padrão geral de aumento da idade e forneceu um quadro temporal que os cientistas disseram que era muito mais preciso do que antes.

As novas datas estabelecidas para Madjedbebe se encaixam bem nas análises genéticas que indicam que os humanos modernos deixaram a África entre 60.000 e 80.000 anos atrás.

Naquela época, os níveis dos mares eram muito mais baixos do que hoje, e a distância de cruzamento das ilhas do sudeste asiático até a Austrália era menor.

"Esta teria sido a primeira grande travessia pela água da humanidade", disse Clarkson.

AFP