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Frame do vídeo mostrando o suposto líder do movimento jihadista Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, durante pausa de discurso em em discurso em Mossul, norte do Iraque

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O líder dos jihadistas que atacam Iraque e Síria, Abu Bakr al Bagdadi, proclamado por seu grupo o "califa" de todos os muçulmanos, parece ganhar terreno frente ao líder da Al-Qaeda perante os partidários da jihad, a "guerra santa".

Bagdadi é o líder da organização do Estado Islâmico (EI), que anunciou em 29 de junho a criação de um califato no território sob seu controle na Síria e no Iraque, na tentativa de restabelecer um regime político islâmico desaparecido há quase um século.

Após agir vários anos na sombra, Bagdadi apareceu inesperadamente este sábado em um vídeo gravado em Mossul, onde discusou para fiéis reunidos durante a oração de sexta-feira em uma mesquita desta cidade iraquiana conquistada durante uma ofensiva lançada em 9 de juhho.

No vídeo publicado em fóruns jihadistas, cuja autenticidade não pôde ser verificada até o momento, o líder do EI, sob o nome de "califa Ibrahim", ordena a todos os muçulmanos que lhe jurem obediência.

"Sou o wali (líder) designado para liderá-los, mas não sou melhor que vós. Se pensam que tenho razão, ajudem-me. Se acreditam que estou equivocado, me aconselhem e me guiem no bom caminho", disse um barbudo Bagdadi, vestindo turbante e túnica escuros.

A aparição representa uma mudança de tática significativa desde homem, que os Estados Unidos qualificaram como "terrorista" em 2011 e de quem se conhecem poucos detalhes de sua personalidade, físico e local de residência.

Segundo Washington, Bagdadi, nascido em 1971 na cidade sunita de Samarra, ao norte de Bagdá, teria se unido à insurreição no Iraque após a invasão dos Estados Unidos, em 2003, e teria passado quatro anos em uma prisão americana.

As forças dos Estados Unidos anunciaram, em outubro de 2005, a morte, em um ataque aéreo, de Abu Dua, um dos apelidos de Bagdadi, embora ele tenha reaparecido em 2010 na liderança do Estado Islâmico do Iraque (EII), braço iraquiano da Al-Qaeda.

A extensão da ofensiva jihadista na vizinha Síria provocou um confronto com o líder da Al Qaeda, Ayman al Zawahiri, que instou ao grupo jihadista se concentrar no Iraque e deixar a Síria para a Frente al Nosra, outro grupo jihadista que combate o regime em Damasco.

- Comandante e estrategista -

Em abril de 2013, Bagdadi anunciou uma fusão entre o EII e os combatentes da Frente al Nosra em uma nova organização denominada Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), embora os jihadistas sírios se recusassem a se unir.

Os dois grupos começaram, então, a operar em separado antes de manter um conflito aberto na Síria.

Washington, que oferece US$ 10 milhões por sua captura, afirmou no ano passado que Bagdadi provavelmente estava na Síria, mas um general iraquiano declarou, no fim de maio, que estava no Iraque antes de ser desautorizado por outros responsáveis.

Seu aparecimento em Mossul, vestindo trajes de erudito sunita, pode significar uma migração do campo de batalha para um papel mais espiritual de Bagdadi, cujo grupo defende uma forma extrema de lei islâmica e o retorno à forma de vida dos primeiros muçulmanos.

No entanto, a visão dos combatentes do EI sobre seu chefe como um comandante e um estrategista faz com que ganhe terreno perante seu antigo líder e atual rival, Zawahiri.

Se os jihadistas do EI são majoritariamente sírios na Síria e iraquianos no Iraque, esta distinção com Zawahiri vale a Bagdadi o apoio de muitos combatentes, provavelmente milhares, provenientes de toda a região e inclusive da Europa.

AFP