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Soldados franceses inspecionam o local da queda do avião que fazia o voo AH5017 da Air Algérie, no Mali, em 1º de agosto de 2014.

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A queda do avião da Air Algérie, em 24 de julho no Mali, continua sem explicação duas semanas após a tragédia, já que os investigadores ainda não determinaram por que o MD-83 perdeu velocidade em uma zona de tempestade pouco antes de se chocar com o chão.

"Quando analisamos a trajetória da aeronave, ela nos leva a pensar que o avião não se desintegrou em vários pedaços durante o voo", declarou nesta quinta-feira Rémi Jouty, diretor do Departamento de Investigações e Análises da França (BEA, siglas em francês), justificando esta hipótese pela concentração de destroços no solo.

"Eu não acredito que possamos, nesta fase, descartar a teoria de uma ação deliberada, mas não podemos dizer mais nada neste momento", acrescentou, indicando ainda que nenhum outro elemento do avião ou das vítimas foi encontrado entre os destroços.

De acordo com os fatos já estabelecidos: o avião, um McDonnell Douglas MD-83 registrado EC-LTV, atravessou uma área de tempestade antes de cair.

A aeronave, alugada da companhia espanhola SwiftAir, fazia o trajeto Uagadugu-Argel, quando caiu no norte do Mali cerca de 32 minutos após a decolagem, com 116 passageiros e tripulantes a bordo. Ninguém sobreviveu.

"A trajetória da aeronave (...) mostra uma subida e um início de viagem normal, com mudanças de rota moderadas, típicas de uma estratégia de prevenção em condições de tempestade", explicou Rémi Jouty.

O avião decolou de Uagadugu à 01h15, hora local. "Cerca de dois minutos depois de atingir a velocidade de cruzeiro (...), a velocidade começou a diminuir gradualmente", detalhou o BEA.

Em seguida, o avião começou a virar à esquerda, antes de perder altitude rapidamente, "com mudanças na inclinação acentuadas".

"A rotação no sentido horário continuou até o fim da gravação. E o último ponto gravado, à 1h47mn15s, corresponde a uma altitude de 1.600 pés (490 metros), a uma velocidade de cerca de 380 nós (740 km/h) e a uma velocidade de descida muito grande", acrescentou o BEA.

Entrevistados pela AFP, especialistas em aviação ressaltaram evidências consistentes com o acidente do MD-82 da West Caribbean, em 2005 na Venezuela.

"O MD-82 é semelhante ao MD-83. Houve uma diminuição gradual na velocidade causada pelo uso de sistema anti-congelamento", lembra um ex-investigador do BEA, que pediu para não ser identificado. A investigação concluiu que os pilotos não conseguiram evitar a perda de sustentação da aeronave.

Outros especialistas em aviação enfatizaram a possibilidade de o avião ter perdido sua aerodinâmica por causa da formação de gelo causada pela presença de nuvens.

"A formação de gelo distorce o perfil e aumenta o arrasto (força de resistência ao movimento da aeronave). A eficiência da aerodinâmica é reduzida. Enquanto isso, o peso do avião aumenta, o que depois de um certo tempo pode explicar a diminuição da velocidade", explicou um deles.

Registros de conversas da tripulação 'inutilizáveis'

Rémi Jouty revelou ainda que o BEA não pode, neste momento, analisar os dados de uma das duas caixas-pretas, a que contém o registro das conversas da tripulação.

"A fita magnética estava um pouco danificada. Seu conteúdo poderá ser extraído. O laboratório do BEA pode ainda restaurar essa fita. Infelizmente, por enquanto, os registros são inutilizáveis", explicou.

Ele indicou que há "sinal sonoro gravado, mas este sinal é ininteligível no estado em que se encontra". O BEA indicou ter procurado "os melhores especialistas" para tentar decifrar o sinal. Os registros sonoros permitem saber quais alarmes soaram no cockpit e quais foram as reações dos pilotos.

A leitura das duas caixas-pretas é fundamental para explicar as causas de um acidente aéreo.

N'Faly Cissé, presidente da Comissão sobre acidentes e incidentes da aviação civil do Mali, afirmou que as conversas das tripulações de outros aviões poderiam fornecer indicações sobre o incidente.

Um relatório preliminar será apresentado pelo BEA em meados de setembro.

Os investigadores do BEA haviam ocultado até este momento as primeiras informações que possam explicar a catástrofe aérea que matou 116 pessoas, incluindo 54 franceses, 23 burquinenses, oito libaneses e seis argelinos, além dois seis tripulantes, todos espanhóis.

AFP