Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

O representante do ELN para as negociações de paz com o governo da Colômbia, Pablo Beltrán, em Quito, em 3 de março de 2017

(afp_tickers)

O governo da Colômbia e o ELN, única guerrilha ativa no país, vão anunciar em 7 de abril um acordo sobre a retirada de minas antipessoais, no contexto das negociações de paz em Quito para acabar com mais de 50 anos de guerra interna.

"Trata-se [que daqui até] 7 de abril [...] poderemos organizar situações humanitárias de retirada de minas em várias regiões. Houve esse pedido e vamos escutá-lo, e isso será um acordo de mesa", disse o chefe negociador do Exército de Libertação Nacional (ELN), Pablo Beltrán, em declarações à Rádio Caracol.

A Colômbia, que sofre desde os anos 1960 com um conflito armado com a participação de guerrilhas, grupos paramilitares e agentes estatais, é o segundo país do mundo mais atingido por minas antipessoais, depois do Afeganistão.

Estes artefatos deixaram mais de 11.500 vítimas, incluindo 2.000 mortos.

Beltrán, cujo verdadeiro nome é Israel Ramírez, sustentou que o anúncio será feito em 7 de abril por ser o dia em que termina o primeiro ciclo dos diálogos de paz lançados em 7 de fevereiro na capital equatoriana.

"Pretendemos que daqui até o fim do ciclo poderemos conseguir acordos, nós sempre quisemos diminuir as dores", acrescentou.

O líder guerrilheiro também assegurou que na outra mesa de negociações criada para reduzir a intensidade da conflagração interna, paralela à mesa principal, trabalha-se em outros "acordos pontuais", não detalhados, para cumprir este propósito.

Com as negociações com o ELN, o governo de Juan Manuel Santos busca a "paz completa", após a assinatura em novembro de um histórico acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Os diálogos com o ELN, que segundo estimativas oficiais conta com 1.500 combatentes, avançam sem trégua no terreno, assim como ocorreu com as Farc durante os quatro anos de conversas em Cuba.

Sobre um eventual anúncio do ELN sobre um cessar-fogo bilateral e o fim dos sequestros, Beltrán disse: "chegará o momento".

A visita do Papa, um "empurrão"

O líder guerrilheiro assinalou também que a visita do papa Francisco à Colômbia em setembro, que se mostra a favor da solução política para superar o conflito armado, pode impulsionar as negociações.

"Também acreditamos [que] o Papa virá em setembro e que ele poderá dar um empurrão a tudo isso e teremos boas notícias", assegurou.

Questionado sobre o ataque de sábado em um município do pobre departamento de Chocó, que o Exército atribuiu ao ELN e que deixou cinco mortos, Beltrán afirmou que tem informações de que no local, qualificado por ele de "zona difícil" pela presença de grupos paramilitares, houve "confrontos".

"Se há civis atingidos, é claro que isso é um erro", afirmou Beltrán.

Também negou que o ELN esteja dominando zonas deixadas pelas Farc, como foi afirmado pela ONU e pela oposição.

"Não estamos nessa capacidade", apontou, embora tenha reconhecido que em alguns desses lugares a comunidade pediu a presença do ELN por conta dos problemas de segurança.

Também descartou que os guerrilheiros das Farc, concentradas em 26 zonas até o final de maio e que deverão terminar o processo de desarmamento sob a supervisão das Nações Unidas, se juntaram às fileiras do ELN.

"Até agora não tenho um informe de uma solicitação nesse sentido, nem nós convidamos", destacou.

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP