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Advogado de Asia Bibi diz que deixou Paquistão 'contra a sua vontade'

Coletiva de imprensa em Haia, em 5 de novembro de 2018, por Saif ul Mulook, advogada da cristã paquistanesa Asia Bibi, absolvida em seu país após ser condenada à morte por blasfêmia afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 05. novembro 2018 - 15:06
(AFP)

O advogado da cristã paquistanesa Asia Bibi, absolvida na semana passada depois de ser condenada à morte por blasfêmia, assegurou nesta segunda-feira (5) que deixou o país "contra a sua vontade", pressionado pela União Europeia e pela ONU.

"Autoridades (da ONU) e embaixadores das nações europeias em Islamabad me protegeram durante três dias e depois me colocaram em um avião contra a minha vontade", assegurou Saif ul Mulook, advogado de Asia Bibi, durante uma entrevista coletiva em Haia.

O advogado de Asia Bibi, que deixou o país no sábado e agora está na Holanda, explicou que esteve em contato com um oficial da ONU após a histórica absolvição de Asia Bibi pela Suprema Corte, decisão que despertou a ira dos militantes extremistas muçulmanos no Paquistão.

"Disse a eles que não deixaria o país enquanto Asia não tivesse saído da prisão", afirmou Saif ul Mulook.

"Não estou feliz de estar aqui sem ela, mas todo mundo me disse que eu era o alvo principal e que o mundo inteiro estava ocupado com Asia Bibi", acrescentou.

Contudo, Saif ul Mulook havia assegurado no sábado que deixou o país porque temia por sua vida. "Na situação atual, não é possível para mim continuar vivendo no Paquistão", declarou à AFP.

Após uma breve passagem por Roma, o advogado chegou a Haia durante o final de semana graças à ajuda da fundação holandesa HVC, que defende os direitos das minorias cristãs.

Depois da absolvição de Asia Bibi, uma série de manifestações islamitas paralisaram o Paquistão durante três dias, em uma nova amostra das tensões religiosas neste país.

O presidente paquistanês, Imran Khan, também recebeu muitas críticas pelo acordo alcançado entre o governo e partidos muçulmanos extremistas para deter a onda de manifestações contra a absolvição de Bibi, de 50 anos.

Neste acordo, o Executivo se comprometeu a impedir que Asia Bibi abandone o Paquistão e permita a apresentação de um recurso para que reanalisem a sua absolvição.

Asia Bibi continua presa apesar da decisão da Suprema Corte paquistanesa.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, pediu nesta segunda ao governo francês que "intervenha ao lado das autoridades paquistanesas" para que autorizem Asia Bibi "a se refugiar em outro país".

Hidalgo também assegurou "estar disposta a acolhê-la" na capital francesa.

Asia Bibi é uma mãe de família analfabeta que foi condenada à pena de morte por um suposto crime de blasfêmia depois de ter discutido com duas mulheres muçulmanas que não quiseram dividir um copo de água com ela.

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