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(Arquivo) Anúncio da Odebrecht no Rio de Janeiro

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A chefe do Conselho de Defesa Jurídica do Estado, Julia Príncipe, denunciou sua remoção do cargo nesta quinta-feira, em uma ingerência do governo peruano no seu trabalho por ter evitado a venda de ativos ligados à Odebrecht.

"É uma clara ingerência do Poder Executivo no trabalho que vem sendo feito pelos procuradores”, disse Príncipe, durante uma coletiva, depois de seu afastamento junto com a procuradora-especial para casos de corrupção vinculados a subornos de firmas brasileiras, Katherine Ampuero.

A saída de Príncipe e de Ampuero foi anunciada pela ministra de Justiça, Marisol Pérez Tello, em um programa de televisão na noite de quarta-feira. As duas foram nomeadas em setembro de 2016 pelo atual governo.

As divergências com as procuradoras remontam a 10 de julho, quando a ministra da Justiça comunicou a Príncipe o mal-estar do presidente Pedro Pablo Kuczynski e do primeiro-ministro Fernando Zavala por frustrar a venda de ativos da Odebrecht na represa de Olmos, informou Príncipe.

A procuradora Ampuero havia proibido a venta de Olmos semanas antes, atrapalhando os planos do governo.

"Queremos que a Odebrecht vá embora agora, quando ainda tem um valor no mercado, e o jeito é vender todos os seus ativos. O que não posso é deixar que essa venda e qualquer outra não aconteça porque alguém não quer aplicar a lei", disse a ministra Pérez Tello ao justificar a decisão.

"(Olmos) não poderá ser vendido dentro de um ano, o que nos condena como Estado peruano a manter uma empresa corrupta, que ainda pode quebrar e que não vai ter um centavo nos bancos", declarou a ministra.

O ex-presidente Alan García atribuiu o afastamento ao fato de a procuradoria ter pedido em março ao Ministério Público que inclua o presidente Kuczynski em uma investigação sobre a Odebrechet. O governante reagiu negando ter recebido pagamentos da Odebrecht.

"Péssimo destituir procuradoras que denunciam vínculos do PPK com a Odebrecht pela Interoceânica e depósitos em contas", disse Alan García em sua conta do Twitter.

Em março, Ampuero pediu que Kuczynski fosse investigado "por supostas operações da empresa Odebrecht Latinvest Peru a favor da empresa Latin America Enterprise, que estaria vinculada ao senhor presidente".

O objetivo de Ampuero é verificar se a Odebrecht, que reconheceu ter pago subornos no Peru por cerca de 29 milhões dólares em troca de contratos de obras públicas, participou no financiamento da última campanha eleitoral de Kuczynski. A procuradora baseou seu pedido em algumas notícias jornalísticas.

AFP