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Policiais do serviço da guarda costeira, em Buenos Aires, no dia 16 de abril de 2016

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Seis policiais do serviço da guarda costeira argentina foram afastados de seus cargos, nesta quarta-feira, por suspeitas de cumplicidade com os seguranças particulares da festa eletrônica de Buenos Aires em que cinco jovens morreram depois de consumir pílulas adulteradas com substâncias tóxicas.

O promotor Federico Delgado, que investiga este caso ocorrido na noite de sexta-feira, acredita que os policiais fizeram "vista grossa" para a venda de drogas que estava acontecendo na festa, inclusive não informaram à justiça de forma devida quando algumas das vítimas começaram a desvanecer.

Segundo fontes judiciais, um dos funcionários da guarda costeira havia sido contratado como "policial adicional" e recebido uma bolsa com drogas que entregou ao encarregado pela segurança do lado de dentro da festa, segundo o jornal Clarín.

Enquanto isso, segue foragido da justiça o empresário Adrián Conci, organizador da festa de música eletrônica Time Warp e que agora enfrenta uma ordem de detenção.

Delgado pediu que sejam citados os funcionários da cidade, policiais e os encarregados pela concessão do local de eventos Costa Salguero, próximo do Rio da Prata.

A legislatura (parlamento comunal) da capital argentina proibiu, até novo aviso, as festas eletrônicas.

Três dos cinco jovens hospitalizados apresentaram "leve melhora", segundo o último boletim médico divulgado nesta quarta-feira, mas continuavam em "estado crítico" e com auxílio para respirar.

Os jovens, entre 21 e 25 anos, morreram intoxicados pelo consumo de drogas durante a festa eletrônica "Time Warp", que acontece em vários países e que, segundo as autoridades, reuniu aproximadamente 10.900 pessoas na noite de sexta-feira, na Costa Salguero, um prédio fechado para eventos em frente ao Rio da Prata e próximo ao Aeroparque Metropolitano.

Dois deles morreram ainda na festa, devido a um "edema pulmonar e parada cardiorrespiratória", de acordo com o resultado das primeiras autópsias, informaram fontes judiciais no domingo.

O promotor Delgado, que investiga a trágica festa eletrônica, disse que o ocorrido foi tão "grave que guarda semelhanças" com a tragédia de Cromañón, nome de um local de Buenos Aires onde, em 30 de dezembro de 2004, morreram 194 jovens durante um show da banda de rock Callejeros devido a um incêndio no lugar superlotado e sem medidas de segurança.

Na festa de sábado, "havia superlotação e pouca ventilação", disse Delgado na terça-feira.

"Houve uma espécie de regulação da necessidade de hidratação das pessoas" porque, "à medida que a água era mais necessária, começou a aumentar o preço" das garrafas, que custam 15 pesos (3,69 reais) e, na festa, eram adquiridas por 80 (19,68 reais). Outros depoimentos revelam que a água das torneiras dos banheiros havia sido cortada para promover a venda do líquido.

AFP