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A exposição vai até 3 de setembro e seguirá para Roma e Berlim, antes de uma possível passagem pela França

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Entre a informação imediata e o olhar artístico, uma exposição em Nova York comemora os 70 anos da Agência Magnum, uma organização de fotógrafos única em seu gênero que conseguiu sobreviver às mudanças do mundo da fotografia.

O "Manifesto Magnum", que começa nesta sexta-feira no Centro Internacional da Fotografia (ICP, em inglês), é diferente das exposições anteriores consagradas à Magnum, que consistiam essencialmente em mostras das imagens mais célebres da história da agência.

"Um dos desafios é tentar definir o 'espírito Magnum'", explica Clément Chéroux, um dos curadores da exposição.

A exposição é feita através das fotos, mas também recupera encontros dos próprios fotógrafos, como Robert Capa e Henri Cartier-Bresson, as duas figuras emblemáticas da agência, com um centro de gravidade situado entre Paris e Nova York, seus dois laboratórios históricos.

A Magnum é uma "utopia fotográfica", dizia o francês Cartier-Bresson, "uma construção de observadores".

Cooperativa de fotógrafos marcada pela Segunda Guerra Mundial, a agência representa desde o seu início os valores humanitários, muito presentes em seus primeiros anos de vida.

A série "Generation X", realizada no começo da década de 1950 e que se interessava pelos jovens de vários países do mundo, ilustrava esse ideal de igualdade, de aspirações comuns.

Mas seus fotógrafos buscaram também, anos mais tarde, evocar a diferença, consagrando-se em reportagens sobre pessoas com doenças mentais e dependentes químicos, destaca Chéroux.

- Aura que fascina -

A agência se esforça para combinar a urgência da notícia e uma visão artística do mundo, mas não sem dificuldades.

Para Chéroux, "eles se mantêm porque conseguem fazer tudo ao mesmo tempo, uma coisa e seu oposto".

As dificuldades vividas pela imprensa, que provocaram uma diminuição na renda, e uma certa banalização da foto com a passagem para o sistema digital, sacudiram o setor nos últimos anos.

Ainda que tenha passado por problemas, a Magnum sobrevive graças à sua diversidade, iniciada muito cedo por Robert Capa.

Pedidos de empresas, exposições diversas, edição de inúmeros livros, tiragens artísticas: a agência é múltipla.

"A situação continua sendo precária", observa Clara Bouveresse, outra curadora da exposição, autora de uma tese sobre a Magnum. "Encontrar um modelo econômico viável para os fotógrafos hoje é um grande desafio".

Se a Magunm ainda resiste, é também porque seus fundadores batalharam ferozmente pelo reconhecimento de seus direitos autorais, dos quais poucos fotojornalistas se beneficiavam antes de 1947.

Setenta anos depois de sua criação, em 6 de fevereiro de 1947, ao redor de uma garrafa de champagne no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), a agência ainda emprega 49 fotógrafos e continua oferecendo sua crônica do mundo. Uma longevidade sem igual para uma instituição que se dedica exclusivamente à fotografia.

"Esta agência tem uma espécie de aura que fascina as gerações mais jovens", explica Bouveresse.

A exposição vai até 3 de setembro e seguirá para Roma e Berlim, antes de uma possível passagem pela França.

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