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Agentes de segurança que trabalham em lares para migrantes administrados pela prefeitura de Berlim incitaram refugiados, incluindo menores de idade, a se prostituirem

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Agentes de segurança que trabalham em lares para migrantes administrados pela prefeitura de Berlim incitaram refugiados, incluindo menores de idade, a se prostituirem, segundo a televisão pública alemã ZDF, o que provocou a indignação do governo.

"Devemos levar estas informações muito a sério já que abusar da situação de sofrimento em que se encontram um grande número de refugiados é inaceitável", afirmou na quarta-feira Steffen Seibert, porta-voz da chanceler Angela Merkel.

"Seria moralmente muito repreensível obrigar alguém a se prostituir", acrescentou, no dia seguinte da divulgação da investigação da ZDF.

O canal obteve testemunhos de migrantes e agentes de segurança que trabalham em um abrigo para refugiados em Wilmersdorf, sudoeste de Berlim, que confirmam as revelações.

"Nos ligam dizendo: 'Preciso de uma mulher' ou geralmente 'um homem', particularmente jovens. Quanto mais jovens são, mais caro é", explica ante uma câmera com o rosto borrado um agente de um lar.

Segundo suas declarações, esses agentes de segurança, funcionários de uma empresa contratada pela cidade de Berlim, cobram dezenas de euros como intermediários entre o migrante e o cliente.

"Há muitos que se prostituem, precisam de dinheiro. Entre eles há menores, de cerca de 16 anos, embora estes não sejam muitos. É feio mas não têm outra opção", afirma outro agente.

Omar, de 20 anos, que pediu refúgio na Alemanha, se prostitui há dois meses.

"Um dia, um agente de segurança se aproximou e me perguntou: 'Quer fazer negócios? Ganhar dinheiro?'. Disse-lhe que sim. Para fazer amor com uma mulher você recebe 30 euros, talvez 40", explicou.

Mas a maioria de seus clientes são homens, geralmente de idade avançada. "O que posso fazer? Preciso desse dinheiro, mas minha família não pode saber".

"Não temos dados sobre a quantidade de migrantes que se prostituem. Seguimos cerca de 50 deles no parque (de Berlim) Tiergarten mas a maioria está escondida, ou usa a internet", diz à AFP Diana Henniges, presidente da associação de ajuda aos refugiados "Moabit Hilft".

"A falta de lugar, a promiscuidade, a dor social, a dependência de drogas ou o dinheiro que têm que mandar às suas famílias que ficaram no país de origem. As razões para se prostituir são múltiplas. Eles têm entre 12 e 40 anos", acrescenta.

Em 2015 vários casos de maus-tratos de solicitantes de asilo em lares de migrantes provocaram uma onda de indignação na Alemanha.

A cidade de Berlim foi muito criticada em 2015 e 2016 pelas condições deploráveis com que acolheu os recém-chegados na crise migratória.

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AFP