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Soldados nigerianos no estado de Borno, perto de antigo campo do grupo extremista Boko Haram, em 5 de junho

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A Anistia Internacional acusou, nesta terça-feira, o Exército nigeriano e as milícias que o apoiam de "violações em massa dos direitos humanos", em sua luta contra o movimento islâmico Boko Haram no nordeste do país.

Segundo a ONG, imagens e depoimentos coletados em uma missão recente ao estado de Borno forneceram "novas provas de execuções extrajudiciais e graves violações dos direitos humanos" por supostos soldados e grupos armados.

As gravações incluem imagens de presos degolados e jogados em fossas comuns "por homens que parecem pertencer ao Exército nigeriano e às milícias da 'Força Operacional Inter-Exércitos Civil' (CJTF, na sigla em inglês), apoiadas pelo Estado", apontou a Anistia.

"Não são imagens que se pode esperar de um governo que pretende desempenhar papeis de primeira ordem na África", declarou o secretário-geral da Anistia Internacional, Salil Shetty.

Um vídeo também mostra as consequências de uma incursão de Boko Haram em um povoado, onde o grupo armado matou cerca de 100 pessoas e destruiu várias casas, acrescentou.

O quartel-general do Exército nigeriano reagiu em seguida e divulgou um comunicado, afirmando que considera "muito seriamente as graves alegações" da Anistia, que afetam "a integridade da operação antiterrorista em curso".

O alto comando militar reuniu uma equipe de oficiais e especialistas judiciais e médico-legais para estudar as gravações e "as alegações de infrações, com o objetivo de comprovar a veracidade das afirmações e identificar os responsáveis desses atos".

"A maioria das cenas descritas nesses vídeos é alheia à nossa operação e deve ser examinada para garantir que tais práticas não tenham deslizado sub-repticiamente dentro do sistema", explica o comunicado.

Segundo a Anistia, mais de quatro mil pessoas morreram este ano no conflito entre o Exército nigeriano e o Boko Haram, incluindo mais de 600 execuções sumárias cometidas depois do ataque a um quartel, em 14 de março, em Maiduguri, capital do estado de Borno.

Essa ONG e outras associações locais já acusaram o Exército e a polícia nigerianos de execuções extrajudiciais e violações de direitos humanos nesses últimos anos, mas as autoridades negam as acusações.

AFP