O guia supremo iraniano descartou, categoricamente, qualquer tipo de discussão com o presidente americano, Donald Trump, ao receber nesta quinta-feira (13) o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, que chegou a Teerã com a esperança de contribuir para baixar as tensões no Oriente Médio.

Esta visita inédita foi ofuscada pelos misteriosos ataques no Golfo de Omã contra dois petroleiros, similares aos ocorridos em maio contra quatro navios ao redor do Estreito de Ormuz. Esses episódios significaram uma nova escalada de tensão na região.

Abe se reuniu hoje, em Teerã, com o líder supremo do Irã, no segundo dia de uma visita inédita. Nela, o premiê disse que o país pode desempenhar um "papel construtivo" no Oriente Médio diante das tensões recentes no Golfo.

Ao lado do primeiro-ministro japonês, Khamenei afirmou que o presidente Trump "não merece que alguém troque mensagens com ele".

"Não duvidamos da sua boa vontade, nem da sua seriedade, mas, sobre o que você me disse que o presidente americano disse, considero que (Donald) Trump não merece que alguém troque mensagens com ele", declarou o aiatolá Ali Khamenei ao visitante, de acordo com um breve vídeo do encontro divulgado pela televisão pública iraniana.

"Não tenho resposta para ele e não vou respondê-lo", acrescentou Khamenei.

Muito raramente a televisão iraniana transmite trechos de encontros entre o guia supremo e seus visitantes.

Segundo uma nota sobre a reunião divulgada pelo site oficial de Khamenei, o guia disse ainda que o Irã não tem "nenhuma confiança na América".

"Está fora de questão que [o Irã] repita a dolorosa experiência de suas negociações precedentes com os Estados Unidos", frisou Khamenei, em referência ao acordo nuclear internacional firmado em 2015 entre Teerã e os países do chamado P5+1 (grupo composto por Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia, além da Alemanha).

Nos termos desse acordo, o Irã se compromete a não tentar mais fabricar uma bomba atômica e aceita limitar drasticamente seu programa nuclear. O objetivo do pacto é garantir que o Irã não tenha armas atômicas, em troca da suspensão de uma parte das sanções econômicas internacionais que asfixiam sua economia.

Alegando que o texto não oferecia garantias suficientes, Trump retirou os Estados Unidos do acordo em maio de 2018. Na sequência, Washington restabeleceu as sanções econômicas contra Teerã.

A visita do premiê japonês se dá em um momento de escalada das tensões entre Irã e Estados Unidos, o que alimenta temores de um conflito no Golfo.

Ainda na página on-line de Khamenei, Shinzo Abe aparece como portador de uma "mensagem" de Trump. Tóquio insiste, porém, em que o primeiro-ministro japonês não é mensageiro de ninguém e que sua visita tem como objetivo apenas tentar contribuir para a redução da tensões.

"Compartilhei, com toda franqueza, minhas visões pessoais sobre o que o presidente [americano] tem em mente", disse Shinzo Abe à imprensa japonesa, após sua reunião com Khamenei.

Ele considerou a reunião "um passo importante" para garantir a paz e a estabilidade na região e insistiu no fato de que conversou com Trump "várias vezes".

"O presidente Trump disse que não quer ver uma escalada de tensões", reforçou o premiê japonês.

O Japão é um aliado-chave de Washington, rival de Teerã, e tradicionalmente mantém boas relações com o Irã. Ontem, Abe se reuniu com o presidente Hassan Rohani.

"Ninguém quer uma guerra. O Japão quer ter um papel de primeiro plano para reduzir a tensão", afirmou o premiê ontem, após o encontro com Rohani.

- 'Guerra econômica' -

O Japão, que até pouco tempo ainda importava cerca de 5% de seu petróleo do Irã, teve de renunciar a essas compras para evitar as sanções americanas.

A economia japonesa é muito dependente do petróleo do Golfo, e o Japão dá muita importância à estabilidade do fornecimento de hidrocarbonetos.

Para Rohani, a "raiz" das tensões na região está na "guerra econômica dos Estados Unidos contra o Irã".

"Quando terminar, veremos uma mudança muito positivo na região e no mundo", garantiu.

"Nunca vamos deflagrar uma guerra, inclusive contra os Estados Unidos, mas oporemos uma resposta terrível, se nos atacarem", advertiu Rohani, cujo país acusa os ocidentais de exercer uma influência "desestabilizadora" no Oriente Médio.

O presidente iraniano declarou que é do "interesse do Japão continuar comprando petróleo do Irã e resolver as questões financeiras" provocadas pelas sanções americanas.

Uma maneira - segundo o líder iraniano - de "garantir" melhores relações entre ambos os países, que já são boas.

Rohani destacou os pontos em comum com seu convidado sobre a questão das "armas nucleares" e afirmou que os dois países "são contra".

Abe manifestou, por sua vez, seu "profundo respeito pelo fato de que o guia supremo aiatolá Khamenei tenha repetido a fatwa [decreto religioso] que diz que 'as armas nucleares e as demais armas de destruição em massa são contrárias ao Islã'".

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