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Logo da empresa Bombardier, em Crespin, no dia 17 de outubro de 2016

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A construtora aeronáutica europeia Airbus anunciou, nesta segunda-feira (16), que vai assumir a participação majoritária na família de aviões C-Series da canadense Bombardier, uma aeronave de médio alcance de até 150 assentos, uma parceria que coloca a americana Boeing em xeque.

Washington recentemente decidiu impor uma tarifa aduaneira de 220% nos aviões da Bombardier por considerar que a empresa se beneficia de subsídios que afetam a concorrência com a Boeing.

A construtora americana acusa a canadense de fabricar seus aviões com apoio financeiro e de tê-los vendido sem lucro para a Delta Air Lines.

O acordo vai permitir uma economia importante na fabricação dos C-Series e também que ele se beneficie da presença da Airbus no mercado, indicaram as empresas.

A sede da produção vai se manter no Quebec.

A Airbus vai tomar 50,01% das participações na CSALP, entidade que gere o programa C-Series. Bombardier e Investissement Québec vão ficar com 31% e 19%, respectivamente.

"Isso é um acordo benéfico em que todos ganham!", declarou o presidente-executivo da Airbus, Tom Enders.

"Não tenho nenhuma dúvida de que nossa associação com a Bombardier vai impulsionar enormemente as vendas e o valor do programa", completou.

O diretor-executivo da Bombardier, Alain Bellemar, disse estar "feliz" de receber a Airbus no programa C-Series.

"A Airbus é o sócio perfeito para nós, para Quebec e para o Canadá", afirmou.

Há dois anos, surgiu a ideia de uma associação deste tipo, mas o projeto foi abandonado pouco depois.

Essa associação dá apoio comercial ao programa da Bombardier, um projeto que é o primeiro passo de uma nova geração de aeronaves em 25 anos, mas sem resultados comerciais exagerados.

"Temos ótimas opiniões dos clientes", destacou Enders, para quem a associação vai permitir ao programa C-Series realizar seu pleno potencial.

- Sopro de ar para Bombardier -

Graças a essa operação, a Airbus ocupa espaço em um segmento do qual estava ausente, já que sua gama de médio alcance vai de 140 a 220 assentos em sua versão remontada.

Para a companhia europeia, a vantagem é que esse aparato entrou em serviço em 2016 e já tem uma certificação, não requer investimentos importantes no futuro.

Segundo um especialista do setor, uma aproximação deste tipo representa, para a Airbus, uma "grande oportunidade de renovar sua gama no segmento de 100 a 150 assentos" a um custo menor, permitindo "manter um pé no mercado".

Para a Bombardier, isso é um sopro de ar, já que a empresa não recebeu novos pedidos para a C-Series desde o começo do ano.

Essa família de aeronaves foi lançada em 2004 e sua produção começou em 2008. Em meados de 2016, a primeira leva foi entregue à empresa Swiss com dois anos de atraso no calendário inicial e custos maiores que o previsto.

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AFP