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Al Gore, na 70ª edição do Festival de Cannes, na França

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O ex-vice-presidente americano Al Gore voltou a Cannes nesta segunda-feira (22) com um filme exibido em caráter hors-concours, uma década depois do sucesso em apresentar a primeira parte de seu documentário em defesa do meio ambiente.

Em 2006, "Uma verdade inconveniente" contribuiu para conscientizar sobre a urgência de agir contra o aquecimento global. Nos Estados Unidos, tornou-se o terceiro documentário mais visto nos cinemas e levou um Oscar.

Em 2017, o impacto climático é mais evidente, mas os meios para agir também são mais importantes: "An Inconvenient Sequel: Truth to Power" ("Uma verdade mais inconveniente") mostra o caminho percorrido e quer dar uma visão positiva - embora "isto não avance suficientemente rápido", assinala o ex-vice-presidente dos Estados Unidos.

Aos 69 anos, divertido e obstinado, Gore continua esbanjando carisma nas telonas.

"Há muitos retrocessos e este é outro", diz no documentário, em alusão ao novo morador da Casa Branca, Donald Trump, abertamente cético sobre as mudanças climáticas.

Mas "depois de quatro meses de administração Trump, sabemos que uma só pessoa, ainda que seja um presidente, não pode parar o movimento pelo clima", destacou em Cannes, aplaudindo os "rápidos progressos" nessa questão de estados como Califórnia e Nova York.

- Do Tennessee às Filipinas -

Cannes, que já recebeu Al Gore em 2006, deu destaque ao tema do clima em 2015. O festival terminou sua 68ª edição com o documentário "La Glace et le Ciel" ("O Céu e a Geleira"), sobre as descobertas do cientista francês Claude Lorius, que estudou as geleiras da Antártica.

Em "Uma verdade mais inconveniente", que dura cerca de uma hora e meia, os documentaristas Bonni Cohen e Jon Shenk seguiram os passos do ex-vice-presidente americano durante dois anos, desde a grande fazenda de sua infância no Tennessee até as Filipinas, passando pela Índia, pela Conferência sobre o Clima de Paris e pela Groenlândia, onde aparecem fascinantes tomadas do processo de degelo.

"E sabem para onde vai toda esta água? Para Miami, Flórida!", exclama Al Gore.

Há uma década, Al Gore decidiu formar "embaixadores" da Ação pelo Clima em todo o mundo por meio de conferências multimídia.

Permite-se, inclusive, alardear uma amarga satisfação divulgando a sequência do filme de 2006, que não foi bem visto por seus críticos na época, em que Manhattan aparece inundada até a área do memorial dos atentados de 11 de setembro - exatamente o que aconteceu em 2012 após a passagem do furacão Sandy.

No documentário, Gore também explica que a cidade de Georgetown, no Texas, governada por um prefeito republicano, que está prestes a funcionar 100% com energia sustentável, pois é a opção mais barata.

O espectador descobre também sobre um dos desafios mais importantes da luta contra o aquecimento global: o auge das energias limpas nos países em desenvolvimento.

Um episódio surpreendente é trazido à tona no filme: uma ligação de Al Gore, em plena COP21 de Paris, em 2015, para o presidente da SolarCity para que transferisse gratuitamente tecnologias fotovoltaicas à Índia, que naquele momento não queria assinar o acordo mundial contra o aquecimento. Ele não revelou se a promessa da SolarCity foi concretizada, mas a Índia acabou assinando o tratado.

Apresentado em janeiro no festival de Sundance, "Uma verdade mais inconveniente" estreará nos Estados Unidos no final de julho.

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