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A Alemanha decidiu desistir de um amplo projeto militar concluído entre a empresa de defesa Rheinmetall e a Rússia, em razão da crise ucraniana, de acordo com o jornal Süddeutsche Zeitung de segunda-feira.

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O governo alemão bloqueou um projeto de fornecimento de equipamentos militares do grupo de defesa Rheinmetall para a Rússia, anunciou o Ministério da Economia nesta segunda-feira, acrescentando esperar que os europeus também proíbam de maneira retroativa o fornecimento de armamento a Moscou.

O ministro da Economia alemão, Sigmar Gabriel, confirmou à imprensa ter revogado sua autorização para este projeto para elaborar um campo de treinamento totalmente equipado destinado a formar as tropas russas.

O jornal Süddeutsche Zeitung foi o primeiro a revelar esta informação no domingo.

"Não é uma questão de dinheiro, é uma questão de vidas humanas", explicou Gabriel, que diz temer "uma escalada da violência" que ele não "quer ter que responder".

"Consideramos indefensável na atual situação autorizar a entrega deste centro", afirmou, por sua vez, o porta-voz do ministério, acrescentando que as partes do projeto já aprovadas "não estão operacionais".

Em março, devido à crise na Ucrânia, Gabriel suspendeu até nova ordem a execução deste contrato avaliado em 100 milhões de euros e que incluía o centro para a formação de 30.000 soldados por ano em Mulino, região do Volga.

A Rheinmetall não comentou o assunto. O governo está em contato com a empresa, que terá a possibilidade de reivindicar na justiça uma compensação financeira, segundo o porta-voz do ministério.

Do lado russo, uma autoridade do Ministério da Defesa declarou à agência de notícias Itar-Tass que, "se os alemães quebrarem o contrato, processos judiciais virão a seguir".

Ao desistir deste projeto, Berlim vai, com isso, além das sanções impostas na semana passada contra Moscou, que proíbem as exportações europeias de armamentos para a Rússia, apesar de não com caráter retroativo, o que deve permitir à França entregar dois navios de guerra Mistral a Moscou.

Berlim, no entanto, assegura que a última palavra sobre o assunto ainda não foi dita.

"O Conselho Europeu decidiu o que decidiu (...), mas se, após as discussões, houver uma melhora, nós comemoraremos", declarou um porta-voz da Chancelaria, Georg Streiter, durante uma coletiva de imprensa do governo.

AFP