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A chanceler alemã, Angela Merkel, durante uma cerimônia na Sinagoga Rykestrasse, em Berlim, em 9 de novembro de 2018

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A Alemanha recordou nesta sexta-feira (9) a "Noite dos Cristais", o pogrom que há 80 anos anunciou o extermínio de judeus, em um contexto de temor ante um auge do antissemitismo.

Foram organizadas diversas manifestações em todo país, e a chanceler Angela Merkel pronunciou um discurso em uma sinagoga de Berlim, na presença do Conselho Central dos Judeus da Alemanha.

"O Estado deve atuar de maneira consequente contra a exclusão, o antissemitismo, o racismo e o extremismo de direita", disse Merkel em discurso na maior sinagoga da Alemanha.

A dirigente, vestida integralmente de preto, acusou os que "reagem com respostas supostamente simples às dificuldades" de hoje, em referência ao avanço do populismos e da extrema direita na Alemanha e na Europa.

O presidente do Conselho Central dos judeus, Josef Schuster, foi inclusive mais longe ao atacar o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), presente há um ano no Parlamento nacional, ao qualificar seus membros de "incendiários morais".

Schuster qualificou de "vergonha" as agressões contra os judeus, e também contra os refugiados muçulmanos.

- Da discriminação ao extermínio -

Em 9 de novembro de 1938, os pogroms contra os judeus, batizados Noite dos Cristais, estenderam-se por toda Alemanha.

O que se apresentou como uma reação espontânea ao assassinato de um membro da embaixada alemã em Paris por um judeu polonês foram, na realidade, atos antissemitas dirigidos pela cúpula do Estado.

Foi Joseph Goebbels, ministro da Propaganda, quem deu o sinal para o início da destruição.

Membros da SA, da SS e da juventude hitleriana destruíram em todo território do Reich os lugares de culto judaicos, assim como as vitrines das lojas que eram propriedade de judeus, que foram saqueadas.

Ao menos 90 judeus morreram, e 30.000 foram deportados para campos de concentração. Esta explosão de violência marcou, segundo os historiadores, o começo da campanha de extermínio dos judeus.

- Contexto turbulento -

As cerimônias por esta trágica data se misturam com o centenário do Armistício da Primeira Guerra Mundial e com o fim do Império Austro-Húngaro e acontecem em um contexto turbulento.

Há exato um ano entrou para o Bundestag a Alternativa pela Alemanha (AfD). E, em agosto, a cidade de Chemnitz (na outrora República Democrática Alemã) foi palco de manifestações e de atos de violência de caráter xenófobo.

"Neste momento, vemos novamente a violência nas ruas", afirmou Felix Klein, o comissário do governo contra o antissemitismo, preocupado com a "radicalização dos discursos na Alemanha".

"Veja como a situação mudou em cinco anos na Turquia, no Brasil, nos Estados Unidos, na Síria e até na Alemanha, com Chemnitz", declarou, por sua vez, o diretor do Memorial dos Judeus Assassinados da Europa, Uwe Newmärker.

Ele é um dos criadores de uma exposição dedicada à "Noite dos Cristais" no Museu da Topografia do Terror de Berlim, localizado na antiga sede da Gestapo e da SS.

"Em novembro de 2018, não estamos à beira de outra Noite dos Cristais, mas é nosso dever evitar que tais atrocidades aconteçam novamente", advertiu também o Congresso Mundial Judaico.

- Xenofobia e antissemitismo -

Muitos alemães homenageiam essa noite com coroas de flores nas "Stolpersteine", as milhares de placas de latão incrustadas em cubos de cimento com os dados das vítimas.

Em 2017, 16 destas placas foram roubadas, o que fez temer um ressurgimento do antissemitismo.

Um grupo de direita radical reuniu cerca de 30 pessoas em Berlim no início da noite, e centenas de contramanifestantes se mobilizaram sob o lema "todos juntos contra o fascismo", constatou a AFP.

A xenofobia vem ganhando espaço no país, especialmente em relação aos numerosos migrantes árabes-muçulmanos que chegaram à Alemanha desde 2015.

Além disso, a ascensão da extrema direita alemã também traz à tona o temor de um antissemitismo nacional. Militantes de direita queriam se manifestar nesta sexta-feira em Berlim, mas o movimento não foi autorizado.

Mesmo assim, o número de crimes antissemitas permanece estável nas estatísticas policiais, com cerca de 1.400 casos registrados a cada ano desde 2015. Mais de 90% dos casos foram atribuídos à extrema direita.

- Homenagem austríaca -

Na Áustria, na quinta-feira (8), o presidente Alexander Van der Bellen também fez um apelo contra a intolerância por ocasião do 80º aniversário da "Noite dos Cristais".

Van der Bellen fez o apelo durante uma cerimônia no local da antiga sinagoga de Leopoldstadt, que foi o lugar de culto judeu mais importante de Viena até ser destruído pela violência antissemita.

"Devemos olhar a história como um exemplo de até onde podem levar as políticas de bode expiatório, de incitação ao ódio e de exclusão", declarou Van der Bellen.

O ataque orquestrado pelos nazistas deixou ao menos 30 mortos na Áustria.

Durante a cerimônia foi inaugurada uma instalação luminosa, uma das 25 criadas em Viena para marcar os locais onde havia sinagogas destruídas pelo ataque.

Já a comunidade judaica de Viena recordou a "Noite dos Cristais" com uma passeata chamada "Luz de esperança".

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AFP