Os atos e a violência antissemita registraram um forte aumento em 2018 na Alemanha e alcançaram seu nível mais alto em quase 10 anos, uma situação que preocupa o governo, que também enfrenta o auge da extrema direita.

Este crescente antissemitismo ocorre quando outros países enfrentam um fenômeno semelhante, em particular a França, onde a comunidade judaica pediu uma "reação nacional".

Na Alemanha, país cuja identidade nacional está amplamente marcada pelo arrependimento pelo Holocausto, no ano passado foram contabilizados um total de 1.646 atos antissemitas, ou seja, 9,4% a mais do que em 2017.

Esses dados preliminares da Polícia alemã foram transmitidos por solicitação do grupo parlamentar de esquerda radical Die Linke. A AFP obteve uma cópia deste documento.

Os atos violentos de caráter antissemita passaram de 37 para 62, deixando 43 feridos, segundo estes dados da Polícia alemã.

O presidente do Conselho Central de Judeus na Alemanha, Josef Schuster, denunciou nesta quarta-feira (13) "uma tendência aterradora", e pediu "um compromisso mais forte e urgente contra o antissemitismo de políticos, polícia e justiça".

E, "se pensarmos em todos os atos que não são criminosos, as coisas são ainda mais preocupantes", acrescentou o responsável desta comunidade, que conta com 200.000 membros na Alemanha.

Os crimes e delitos antissemitas estão em seu nível máximo desde 2009 (1.690 atos), e é necessário remontar a 2007 para encontrar um número equivalente de violência contra judeus (64).

- Tempos de polarização -

Assim como outros países ocidentais, observa-se com inquietação na Alemanha a emergência do antissemitismo, junto a outras formas de racismo, que incrementaram em tempos de crescente polarização social e política.

O governo alemão assegurou em 2018 estar enfrentando duas formas de antissemitismo. Uma está vinculada à extrema direita, mas a outra está relacionada ao enorme fluxo de migrantes e refugiados que chegaram à Alemanha a partir de 2015, em sua grande maioria muçulmanos.

Isso facilitou o surgimento do partido anti-imigração de extrema direita Alternativa para Alemanha (AfD), que desde 2017 constitui o maior grupo opositor no Parlamento.

Vários dirigentes do AfD, além de criticarem o Islã e as políticas multiculturalistas, fizeram comentários negando particularmente a importância do Holocausto.

O colíder desta formação, Alexander Gauland, qualificou o extermínio de judeus e de outras minorias como "pequena mancha em mais de 1.000 anos de sucessos na história da Alemanha".

Outro dirigente do AfD, Bjoern Hoecke, criticou o memorial do Holocausto em Berlim, qualificando-o de "monumento da vergonha".

Schuster, assim como outros responsáveis da comunidade judaica, acusou o AfD de fomentar o ódio com relação aos refugiados, sejam muçulmanos ou judeus.

- Merkel intervém -

Neste contexto, a chanceler alemã, Angela Merkel, decidiu em 2018 designar pela primeira vez um delegado governamental para a luta contra o antissemitismo.

A chanceler expressou a sua preocupação pelo crescente número de atos contra judeus na Alemanha e no restante da Europa, em um contexto de grande presença de partidos de extrema direita.

O antissemitismo também ocupou as primeiras páginas na França, após um final de semana com vários atos de vandalismo.

A imagem de Simone Veil - uma respeitada figura da política francesa que foi deportada aos 15 anos para Auschwitz - foi coberta com uma suástica, enquanto a palavra "Juden" (Judeus, em alemão) foi pichada na vitrine de um restaurante parisiense.

Além disso, uma árvore em memória a Ilan Halimi foi cortada. Este jovem judeu morreu aos 23 anos, após ter sido sequestrado e torturado por vários indivíduos em 2006.

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