AFP

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, em Assunção, em 21 de abril de 2017

(afp_tickers)

A Venezuela ficou isolada na reunião de chanceleres da Organização de Estados Americanos (OEA) realizada na quarta-feira - avaliou o secretário-geral da entidade, Luis Almagro, nesta quinta (1º), apesar da falta de consenso no encontro.

Na véspera, ministros das Relações Exteriores e representantes da OEA discutiam a crise venezuelana, mas a reunião teve de ser suspensa diante da impossibilidade de se alcançar uma posição comum, ou de se aprovar um dos dois projetos de Declaração que estavam sobre a mesa.

Para Almagro, porém, "a posição do regime de (Nicolás) Maduro ficou completamente isolada, porque era para ter uma votação com as duas resoluções, e isso não aconteceu".

O plano da Venezuela, afirmou Almagro, era levar os dois projetos de Declaração "ao fracasso", já que não teria votos suficientes para aprovar nenhum dos dois. A saída encontrada pela OEA foi suspender a sessão.

"A posição do resto dos países e da Organização foi, em contrapartida, construir consensos e deixar a Venezuela na agenda", disse o secretário-geral.

- 'Não era fácil'

Almagro admitiu que "não é fácil ter um acordo em uma primeira reunião" de chanceleres, mas apontou que "as aproximações entre as partes para se ter um consenso rapidamente estão aí, ao alcance das mãos".

Na visão dele, contudo, a reunião de ontem em Washington "encurtou a distância que existe entre a urgência da realidade venezuelana e os tempos das definições políticas".

Diante do fiasco de quarta, as delegações se comprometeram a negociar a data de uma nova reunião de chanceleres antes da Assembleia Geral da OEA, de 19 a 21 de junho em Cancún, no México.

Almagro chegou, inclusive, a destacar o gesto da Venezuela de se acreditar para a reunião de quarta-feira (da qual acabou não participando), mesmo já tendo iniciado formalmente o processo de sua saída da organização.

"O retorno da Venezuela à OEA para se inscrever na reunião e confirmar sua presença na Assembleia Geral é um enorme triunfo" para a OEA e um "passo importantíssimo para os resultados que devemos obter sobre a situação", completou.

- Avaliação diferente

A avaliação de Almagro sobre a reunião de chanceleres contrasta abertamente com a que foi feita pelo próprio governo da Venezuela, ou de seu aliado sul-americano mais próximo - a Bolívia.

Para a ministra venezuelana das Relações Exteriores, Delcy Rodríguez, os países que promovem na OEA declarações mais duras contra o governo de Caracas foram "derrotados" na reunião.

Esses países "chegaram com seu plano de intervenção para buscar um consenso, e o único consenso é que não há consenso. Impôs-se a voz moral (...). Foram derrotados", disse Rodríguez à emissora oficial VTV.

Nesse contexto de tensão crescente, a ministra convidou hoje cinco países latino-americanos e caribenhos para darem um novo impulso ao frustrado diálogo empreendido com a oposição no ano passado.

Segundo ela, devem participar Nicarágua, El Salvador, São Vicente e Granadinas, República Dominicana e Uruguai.

"Vamos convocar seus representantes, imediatamente, para dar um reimpulso ao diálogo", disse Rodríguez, em entrevista coletiva.

Nessa conversa com a imprensa, a chanceler garantiu que estará no próximo encontro de chanceleres da organização.

"A Venezuela nunca voltará à OEA. Não reconhecemos a OEA, mas, sim, exercemos o direito à defesa", ressaltou.

Nesta quinta, o presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou Almagro de conduzir um "Plano Condor" contra a esquerda, em alusão ao acordo repressivo articulado por ditaduras militares do Cone Sul na década de 1970.

"Luis Almagro divide e trai os princípios da OEA", tuitou Morales.

Ontem, no fim da reunião, o ministro boliviano das Relações Exteriores, Fernando Huanacuni, afirmou que "saímos fortalecidos" frente à incapacidade da OEA de adotar uma declaração condenatória contra a Venezuela.

Em nota divulgada nesta quinta, o Equador defendeu, por sua vez, que "os conflitos da Venezuela devem ser resolvidos pelos venezuelanos, sem ingerências externas".

AFP

 AFP